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violência

A história de uma infanta nada infantil

Publicado em 12 de março de 2007 por Olegario Schmitt

Crianças vítimas das minas - Francesco Zizola

gilda, Seus Olhos e Seu Sorriso


era uma nega fulô
à qual chamavam de gilda.
e para ela rir gostoso
os três meninos faziam-lhe cócegas:
um na sola dos pés,
o outro no sovaco,
e o outro na barriga.

depois um dedo no umbigo,
catar piolho na floresta miúda de pelos…
e aquele cheiro
de fruta suculenta e úmida
enchendo o ar
enchendo os sentidos
enchendo as cuecas…

em troca
eles lhe davam
as suas sementes.

e ela lhes devolvia
o seu olhar vazio
e o seu sorriso
sem dentes.



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O que acontece com o mundo?

Publicado em 25 de julho de 2006 por Olegario Schmitt

(………………………)

No rosto não!
Ah, no rosto não!

Que mão se ergue em defesa
da sagrada parte do ser?
Vai reagir, tem coragem
de atacar o pátrio poder?

Nunca se viu coisa igual
no mundo, na Rua Municipal.

— Parricida! Parricida!
alguém exclama entre os dois.
Abaixa-se a mão erguida
e fica o nome no ar.

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Considerações sobre a nossa sociedade “moderna”, em homenagem às vítimas do holocausto e da bomba atômica

Publicado em 06 de agosto de 2005 por Olegario Schmitt

O que faz com que um dia seja especial?

Publicado em 06 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Gandhi (1869 - 1948)

Porque hoje é segunda-feira e não se comemora coisa alguma, tampouco é aniversário de seu nascimento ou de sua morte, eis aí um ótimo pretexto para lembrar Gandhi: hoje é um dia especial, como outro qualquer.

“A não-violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam. Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor. Mas todas as coisas grandes e boas não são difíceis de realizar? O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos.”

“Ao rejeitar a espada, não tenho senão a lâmina do amor para oferecer àquele que investiu contra mim. É ao oferecer-lhe esta lâmina que espero sua aproximação. Não posso conceber um estado de hostilidade permanente entre um homem e outro. Pois, crendo na reencarnação, vivo na esperança que, se não nesta vida humana mas numa outra, poderei cingir toda a humanidade num fraternal abraço.”

“Vocês podem me acorrentar, torturar e até destruir meu corpo, mas nunca aprisionarão minha mente.”

“Não há um único caminho para a felicidade; a felicidade é o caminho.”

Há alguma esperança diante do que aconteceu ao redor do mundo nos últimos quinze minutos?

Publicado em 16 de maio de 2004 por Olegario Schmitt

nesses últimos quinze minutos que se passaram,
mais uma bomba deve ter explodido em bagdá,
algum timorense deve ter sido caçado
no seu direito de viver livre em timor
e há menos iraquianos no mundo

há menos mães iraquianas no mundo,
há menos crianças iraquianas no mundo,
há muito menos mundo no mundo.

uma flor nasceu em algum lugar,
mas não sei onde porque não estava olhando,
e em saraievo nasceram também muitas flores,
mas eles não viram porque estão famintos.

nesses quinze minutos centenas de meninas
estiveram se prostituindo ao redor do mundo
e milhares de crianças brasileiras
estiveram passando fome,
talvez mais de uma dezena delas haverá morrido
da fome ou da desidratação,
de craque ou de bandido.

e nasceu mais uma flor na favela,
mas a essa altura ela certamente
já terá murchado e morrido de abandono.

nesses quinze minutos
talvez um sonho tenha sido realizado,
uns outros milhões foram esquecidos.

nesses quinze minutos
eu te escrevi esse poema
pois ainda resiste em mim
a certeza de que as flores valem a pena.

In: O Amor & Outras Coisas que Coçam, 2003

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