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Une rose… c’est quoi?

Publicado em 01 de junho de 2005 por Olegario Schmitt

Série Flores

Rose:
quelques pétales,
couleurs, parfums,
simple éxistence.

Rose:
légume de la classe
des dicotylédones,
de la famille des rosacées.

Rose:
ta pensée, ta conclusion
sur les choses les plus courants.

Rose:
la luminosité présente
dans les yeux des pauvres enfants,
qui sourient avec les lèvres,
mais pas avec les yeux.

Rose:
à cet instant résumée
à n’importe quoi dès qui fasse silence,
parce que ne la comprennent
tous qui à elle sont étrangers,
même que de jolie elle en est.

Rose:
semblable aux velours
mélangée avec affection,
mais pas bien ça.

Rose:
rose.

Poema original: Rosa
In
: No Pé da Letra, Ed. Blocos, 1999
Versão para o francês: Olegario Schmitt

“Deus em cada criatura. Nesse labirinto puro está teu reflexo.”

Publicado em 10 de Abril de 2005 por Olegario Schmitt

Encontro de Cristo com a Mãe - Victor Brecheret (Déc. 1940)

A Moeda de Ferro

Jorge Luis Borges

Aqui está a moeda de ferro. Interroguemos
as duas faces contrárias que serão a resposta
da pergunta teimosa que ninguém se fez:
Por que um homem precisa que uma mulher o queira?

Olhemos. Na órbita superior entrelaçam-se
o firmamento quádruplo que sustenta o dilúvio
e as inalteráveis estrelas planetárias.
Adão, o jovem pai, e o jovem Paraíso.

A tarde e a manhã. Deus em cada criatura.
Nesse labirinto puro está teu reflexo.
Joguemos novamente a moeda de ferro
que também é um espelho magnífico. Seu reverso
é ninguém e nada e sombra e cegueira. Isso és.
De ferro as duas faces lavram um só eco.
Tuas mãos e tua língua são testemunhas infiéis.
Deus é o centro intangível da aliança.
Não exalta nem condena. Obra melhor: esquece.
Maculado de infâmia por que não haverão de querer-te?
Na sombra do outro procuramos nossa sombra;
no cristal do outro, nosso cristal recíproco.

In: La moneda de Hierro (1976)
Tradução: Olegario Schmitt

Três Jorges e um Borges

Publicado em 09 de Abril de 2005 por Olegario Schmitt

Índio com Arco-e-Flecha - Ottone Zorlini (1950)

Para uma versão do I King

Jorge Luis Borges

O porvir é tão irrevogável
Quanto o rígido ontem. Não há uma coisa
Que não seja letra silenciosa
Da eterna escritura indecifrável
Cujo livro é o tempo. Quem se distancia
De sua casa já voltou. Nossa vida
É a senda futura e percorrida.
O rigor teceu a madeixa.
Não te desvies. A masmorra é escura,
A trama firme é de incessante ferro,
Mas em algum recanto de teu fim
Pode haver uma luz, uma fenda.
O caminho é fatal como a flecha,
Mas nas frestas está Deus, que espreita.

In: La moneda de Hierro (1976)

Tradução: Olegario Schmitt


Uma chave em East Lansing

Jorge Luis Borges

Sou uma peça de aço limado.
Meu borde irregular não é arbitrário.
Durmo meu sonho vadio num armário
Que não vejo. Sujeita ao meu chaveiro
Há uma fechadura que me espera.
Uma só. A porta é de ferro
Forjado e cristal firme. Do outro lado
Está a casa, oculta e verdadeira.
Altos na penumbra os espelhos
Desertos vêem as noites e os dias
E as fotografias dos mortos
E o ontem tênue das fotografias.
Alguma vez empurrarei a porta
Dura e farei girar a fechadura.

In: La moneda de Hierro (1976)

Tradução: Olegario Schmitt


Um Sonho (Ein Traum)

Jorge Luis Borges

Sabiam-no os três.
Ela era a colega de Kafka.
Kafka a tinha sonhado.
Sabiam-no os três.
Ele era o amigo de Kafka.
Kafka o tinha sonhado.
Sabiam-no os três.
A mulher disse ao amigo:
Quero que esta noite me queiras.
Sabiam-no os três.
O homem a contestou: Se pecamos,
Kafka deixará de sonhar-nos.
Um o soube.
Não havia mais nada na terra.
Kafka disse para si mesmo:
Agora que se foram os dois, fiquei só.
Deixarei de sonhar-me.

In: La moneda de Hierro (1976)

Tradução: Olegario Schmitt

Step-by-step guide

Publicado em 19 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

Homem Andando - Ernesto di Fiori (1937)

first you
put her in a deep illusion
with fake promises,
             but should
take a little care too,
otherwise she will
suspect of you.

build a net of lies,
take her to that point
where she lies
beneath your feet
             and then
go further a little bit.

say you love her
             — even if you don’t —
act like a dog
jogging yourself out like
a prince-frog.

so if she
asks you for the truth,
don’t be shy
             and lie again
— once more wouldn’t take to
that hell of conciense, would it?

finally, act like a pig
             and dig
your own grave
             then
jig inside
and stay there alone
             and alive.

now that it’s all done
and you’ve learned how
to be a perfect coward,
             just rest in peace
in your life’s backyard.

“Hermoso es!”

Publicado em 05 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

O Leão da Montanha

D. H. Lawrence


Elevando-se através da neve de janeiro, dentro do Cânion do Lobo
Escuros crescem os abetos, azul é o bálsamo, sons de água ainda não congelada, e a trilha ainda está evidente.

Homens!
Dois homens!
Homens! O único animal do mundo a temer!

Eles hesitam.
Nós hesitamos.
Eles têm uma arma.
Nós não temos nenhuma.

Então todos avançamos, para encontrarmo-nos.

Dois mexicanos, forasteiros, emergindo da escuridão e da neve e das entranhas do Vale do Lobo.
O que eles estão fazendo aqui nesta trilha que desaparece lentamente?

O que ele estará carregando?
Algo amarelo.
Um cervo?

Qué tiene amigo? —
León —

Ele sorri tolamente, como se fosse pego fazendo algo errado.
E nós sorrimos, tolamente, como se não soubéssemos.
Ele está bastante dócil e ao mesmo tempo soturno.

É um leão da montanha,
Um gato longo, esguio, amarelo como uma leoa.
Morta.

Capturou-a esta manhã, ele diz, sorrindo abobalhado.

Levanta sua face,
Sua face redonda, resplandescente, brilhante como geada.
Sua cabeça redonda, bem desenhada, com duas orelhas mortas:
E listras no gelo brilhante da sua face, raios escuros delicadamente pontiagudos,
Raios escuros, afiados, delicados no gelo brilhante de sua face.
Lindos olhos mortos.

Hermoso es!

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“Ela disse também para mim”

Publicado em 05 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

Daydreaming – Anton J. C. Lemmers
(Man seeing himself as the ultimated power in a vision of a bizon bull)

‘Ela Disse Também Para Mim’

D. H. Lawrence


Ela disse também para mim: ‘Por que você está envergonhado?
Aquela porção de peito que aparece entre
a abertura da sua camisa, por que cobrí-la?
Por que suas pernas e suas coxas bem fortes não deveriam
ser ásperas e cabeludas? — Estou contente que elas sejam assim.
Você é tímido, seu bobinho, sua coisinha bobinha e tímida.
Os homens são as criaturas mais tímidas, eles nunca sairão
de suas carapaças. Como qualquer cobra
dormindo em sua cama de folhas mortas, vocês correm para suas roupas.
E eu os amo tanto! Ereto e limpo e típico é o corpo de um homem,
como um instrumento, uma espada, como uma lança, ou um remo,
que regozijo para mim —’
Então ela deslizou suas mãos e contornou minha silhueta,
de tal forma que eu comecei a pensar sobre mim mesmo, e o que eu era.

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“se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda”

Publicado em 02 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

David Herbert Lawrence
11/09/1885 – 02/03/1930

Pelo papel que conferiu à paixão amorosa, às vezes em meticulosas descrições do amor físico, o britânico D. H. Lawrence causou polêmica em sua época, porém mais tarde passou a ser visto como um dos renovadores da prosa de ficção no século XX.

David Herbert Lawrence nasceu em Eastwood, Nottinghamshire, em 11 de setembro de 1885. Formou-se em Nottingham e lecionou durante dois anos.

Estreou na literatura com o romance The White Peacock (1911; O pavão branco), mas só com Sons and Lovers (1913; Filhos e amantes), autobiográfico, “proibido, tumultuado e obsceno”chamou alguma atenção. Lançou no mesmo ano seus Love Poems and Others (Poemas de amor e outros).

Em 1914 casou-se com a aristocrata alemã Frieda von Richthofen, com quem viveu relação tumultuada.

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De flor em flor, o beija-flor foge… das rimas de amor.

Publicado em 05 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

A maldição dos beija-flores é serem eternamente rimados com dores e amores e — ora, vejam, que originalidade! — com flores. Por isso são tão lépidos e fugidios: para que os poetas não tenham tempo de rimá-los com coisas óbvias.

Neste bosque alegre e rindo
Sou amante afortunado;
E desejo ser mudado
No mais lindo Beija-Flor.
…………………………………….
E num vôo feliz ave
Chego intrépido até onde
Riso e pérolas esconde
O suave e puro Amor.

Silva Alvarenga (1749-1814)

Rondó VII — O Beija-Flor In: Glaura — Poemas Eróticos

Conheço a moça franzina
Que a fronte cândida inclina
Ao sopro de casto amor:
Seu rosto fica mais lindo,
Quando ela conta sorrindo
A história do beija-flor.

Tobias Barreto (1839-1889)

O Beija-Flor In: Dias e Noites

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