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Tradução do poema ‘Les Animaux et leurs hommes’ de Paul Élouard

Publicado em 24 de agosto de 2012 por Olegario Schmitt

 

Os animais e seus homens

Paul Éluard

Não se conduz a vaca
Ao campo raso e seco,
Ao campo sem carícias.

O pasto que a recebe
Deve ser suave como um fio de seda,
Um fio de seda doce como um fio de leite.

Mãe ignorada,
Para as crias, ele não é o almoço,
Mas o leite sobre a relva.

A erva face à vaca,
A cria face ao leite.

Tradução: Olegario Schmitt

 

 

Les Animaux et leurs hommes
Paul Élouard

On ne mène pas la vache
À la verdure rase et sèche,
À la verdure sans caresses.

L’herbe qui la reçoit
Doit être douce comme un fil de soie,
Un fil de soie doux comme un fil de lait.

Mère ignorée,
Pour les enfants, ce n’est pas le déjeuner,
Mais le lait sur l’herbe

L’herbe devant la vache,
L’enfant devant le lait.

In: Les Animaux et leurs hommes, les hommes et leurs animaux

Existe quoi au-delà l’amour?

Publicado em 09 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

Dans le Léman. Genève, 2009

Nous existons. Le reste, excessif, déline
l’essence imprégné par la forme du abîme,
car l’ombre des âmes qui aiment
est translucide: elle retient lumière
suffisante pour seulement nourir
le sentiment lui-même.

Dehors l’amour, l’unique sens
est l’absence du sens des choses.

Meio-termo da cara!

Publicado em 03 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

Série Alguns de Meus Órgãos Sexuais

O Nariz

Rafael Alcides Perez

O nariz tem condição de juíz.
Ao contrário do olho esquerdo e do direito, que tomaram partido,
o nariz, inescrutável, se mantém ao centro
— com algo de espada ou de martelo.
Imitando-o, a boca.
Porém a boca é hipócrita:
sorri à esquerda e à direita.

Tradução: Olegario Schmitt


La Nariz

Rafael Alcides Perez

La nariz tiene condición de juez.
Al contrario del ojo izquierdo y del derecho, que han tomado partido,
la nariz, inescrutable, se mantiene en el centro
— con algo de espada o de martillo.
Imitándola, la boca.
Pero la boca es hipócrita:
sonríe a la izquierda y a la derecha.

In: Y se mueren y mueren y mueren. Venezuela, 1988

Que sei eu?

Publicado em 16 de junho de 2008 por Olegario Schmitt

Por que, Senhor, as andorinhas


Por que, Senhor, as andorinhas
Tão baixo, depois tão alto voam:
Que sabem elas,
Que sei eu? nada.

E eu, por que alegre, depois sombrio,
Por que meus versos, por que minha prosa,
Por que cunham meus dedos essa rosa,
Que sei eu? nada.


Fagus (1872-1933)

Tradução: Olegario Schmitt


Pourquoi, Seigneur, les hirondelles

Pourquoi, Seigneur, les hirondelles,
Si bas, puis si haut volent-elles :
Qu’en savent-elles,
Qu’en sais-je? rien.

Et moi, pourquoi gai, puis morose,
Pourquoi mes vers, pourquoi ma prose,
Pourquoi sous mes doigts cette rose,
Qu’en sais-je? rien.

Fagus (1872-1933)

Du pont des arts, balcon de Paris

“Um ser pequeno, frágil, meio-animado”…

Publicado em 14 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Você sabe como é nascer sozinho,
Bebê tartaruga!
O primeiro dia a levantar seus pés pouco a pouco para fora da casca,
Ainda não desperto,
E manter-se estendido na terra,
Ainda nem bem vivo.

Um ser pequeno, frágil, meio-animado.

Abrir sua boquinha bicuda, que parece como se nunca fosse abrir,
Como uma porta de ferro;
Levantar do chão a parte de cima do bico de falcão
E estender seu pescocinho magro
E dar sua primeira mordida em algum pedacinho de erva,
Sozinho, pequeno inseto,
Olhinhos brilhantes,
Ser lento.

Dar sua primeira mordida solitária
E mover-se em sua caça lenta e solitária.
Seu olhinho escuro e brilhante,
Seu olhinho de uma noite escura e perturbada,
Sob sua carapaça lenta, pequeno bebê tartaruga,
Tão indomável.
Ninguém nunca ouviu você reclamar.

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Divagações do poeta diante de uma encruzilhada

Publicado em 02 de novembro de 2006 por Olegario Schmitt

O Caminho Não Percorrido

 

Num bosque amarelado, o caminho se partia em dois,
E lamentando não poder seguir igualmente por ambos
E ainda ser um único viajante, parei por muito tempo
Mirando ao longo de um deles o mais longe possível,
Até onde esse se recurvava por trás dos arbustos;

Então eu escolhi o outro, por ser mais bonito,
E ser talvez o que mais me chamasse a atenção,
Sendo recoberto de relva, pedia que fosse trilhado;
Apesar do fato de que eles terem sido percorridos
Os tenha desgastado praticamente da mesma forma,
E ambos naquela manhã estarem igualmente recobertos
Em folhas onde nenhum passo tivesse deixado marca.
Ah, mesmo assim eu deixei o outro para outro dia!
Mesmo sabendo de que forma se percorre um caminho,
Fiquei em dúvida se algum dia deveria voltar a ele.

Deverei estar contando essa história, suspiroso,
Nalgum lugar, nalgum dia, tempos e tempos depois:
O caminho se dividia em dois num bosque, e eu —
Eu peguei aquele que havia sido menos percorrido,
E foi justamente isso que fez toda a diferença.

Robert Frost

Tradução Livre: Olegario Schmitt

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Todo homem cria sem o saber, como respira

Publicado em 03 de abril de 2006 por Olegario Schmitt

Palais de Chaillot - Place du Trocadéro, Paris

Todo homem cria sem o saber
Como respira
Mas o artista sente-se criar
Seu ato compromete todo seu ser
Seu sofrimento bem amado o fortifica

Coisas raras ou coisas belas
Aqui sabiamente montadas
Instruem o olhar a ver
Como nunca d’antes vistas
Todas as coisas que estão no mundo

Depende daquele que passa
Que eu seja tumba ou tesouro
Que eu fale ou me cale
Isto não diz respeito senão a ti
Amigo não entres sem vontade

Nestes muros dedicados às maravilhas
Acolho e guardo
As obras da mão
Prodigiosa do artista
Igual e rival
Do seu pensamento
Uma não é nada sem o outro

Paul Valéry

Tradução: Olegario Schmitt

Dualidade (Escultura: Nu de Pierre de Wissant - Auguste Rodin)

Tout homme crée sans le savoir
Comme il respire
Mais l’artiste se sent créer
Son acte engage tout son être
Sa peine bien aimée le fortifie

Choses rares ou choses belles
Ici savamment assemblées
Instruisent l’oeil à regarder
Comme jamais encore vues
Toutes choses qui sont au monde

Il dépend de celui qui passe
Que je sois tombe ou trésor
Que je parle ou me taise
Ceci ne tient qu’à toi
Ami n’entre pas sans désir

Dans ces murs voués aux merveilles
J’accueille et garde
Les ouvrages de la main
Prodigieuse de l’artiste
Egale et rivale de sa pensée
L’une n’est rien sans l’autre

Paul Valéry

J’ai des émotions gardées…

Publicado em 01 de junho de 2005 por Olegario Schmitt

Série Flores

J’ai des émotions
gardées dans moi
en état latent.

Comme des champignons
qui explosent au soleil,
comme pissenlits
en se défondant
aux affections du vent

mes émotions
attendent le moment.

Poema original: Emoções
In: No Pé da Letra, Ed. Blocos, 1999
Versão para o francês: Olegario Schmitt

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