Palavra-chave: sociedade

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sociedade

A história de uma infanta nada infantil

Publicado em 12 de Março de 2007 por Olegario Schmitt

Crianças vítimas das minas - Francesco Zizola

gilda, Seus Olhos e Seu Sorriso


era uma nega fulô
à qual chamavam de gilda.
e para ela rir gostoso
os três meninos faziam-lhe cócegas:
um na sola dos pés,
o outro no sovaco,
e o outro na barriga.

depois um dedo no umbigo,
catar piolho na floresta miúda de pelos…
e aquele cheiro
de fruta suculenta e úmida
enchendo o ar
enchendo os sentidos
enchendo as cuecas…

em troca
eles lhe davam
as suas sementes.

e ela lhes devolvia
o seu olhar vazio
e o seu sorriso
sem dentes.



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“Vou mandando um beijinho pra filhinha e pra vovó”

Publicado em 05 de Janeiro de 2007 por Olegario Schmitt

Que só se vê até a altura daquilo que se é, isso é sabido.

Dessa forma, quanto menor se for, mais fácil será ter a existência percebida por todos indistintamente, uma vez que até o mais nobre dos homens possui em si, mesmo que em forma latente, alguma porção de baixeza.

Sendo, porém, pouco recomendável ser reconhecido pelas pessoas de baixo caráter, é melhor que cada um, à sua maneira, se esforce para ser grande, bastando para isso que se exercite a arte do silêncio vocal, mental e espiritual.

Também será necessária boa dose de amor próprio, para que o estar consigo mesmo se constitua em atividade profundamente agradável, ou ao menos suportável, pois aquele que decide conviver apenas com homens de bom caráter e espírito louvável estará fadado a passar boa parte de sua vida sozinho.

“atra­vés do abuso exas­pe­rante do mais barato meio de agi­ta­ção, a afe­ta­ção moral, bus­cam inci­tar o gado de chi­fres que há no povo” — Nietzsche In: Genealogia da Moral

Publicado em 05 de Janeiro de 2007 por Olegario Schmitt

O Povo Segundo Nietzsche

Havendo no mundo basicamente dois tipos de pessoas, a saber, aquelas que têm as idéias e aquelas que as executam, assim se estabelece o mundo, mandando quem pode, obedecendo quem tem juízo.

Aos primeiros é necessária a presença de algum mérito intelecto-cultural, por menor que seja, enquanto que aos segundos basta apenas que possuam força física. Nestes últimos, a burrice e a ignorância são até mesmo recomendáveis, de forma que quaisquer intelectualidade ou cultura por sorte presentes neste trabalhador braçal de existência tosca e rude serão menosprezadas, verdadeiros motivos de desabono pessoal.

No convívio social rural, por exemplo, será tida como a mais louvável a personalidade trabalhadora, capaz de enfrentar “muito bom sujeito, tra­ba­lha­dor”de maneira incansável longas jornadas de trabalho sob sol e chuva. Freqüentemente se ouve, entre conversas, expressões como “muito bom sujeito, trabalhador”, “uma grande pessoa, trabalhava de sol a sol”. Também se percebe que, a este tipo de pessoas, se faz vistas grossas para toda e qualquer falha de caráter que por ventura possa existir, desde que trabalhe como um boi de carga.

Ora, como os bois também possuem grande capacidade de trabalho, se poderia até concluir que os trabalhadores braçais são tão valoráveis quanto um bovino, não fosse a diferença essencial de que não se tolera um boi sem caráter: ao menor sinal de impertinência ou geniosidade, este será submetido ao açoite e, caso insistir com birra em tal comportamento, lhe será reservado unicamente o direito de virar churrasco.

Dessa forma, me permito concluir que a única diferença entre um ser humano de maneiras rudes e personalidade pouco louvável, porém trabalhador, e um boi é que, no primeiro, as falhas de caráter são facilmente perdoadas.

O que se encontra por trás da segregação sexual?

Publicado em 29 de novembro de 2006 por Olegario Schmitt

Tule Lake Segregation Center

A segregação sexual se alicerça em diversos princípios, todos eles defendidos como fundamentalmente indiscutíveis e baseados em dogmas, leis escritas ou consuetudinárias e tradições políticas, não passando de meros pretextos utilizados unicamente para a obtenção e exercício do poder.

Por questões matemáticas e estatísticas, se a luta pelo poder incluísse a totalidade dos seres humanos, as chances de cada homem alcançá-lo diminuiriam consideravelmente: melhor para os que necessitam disso é disputar com apenas 50% da população mundial. Além do mais, como seria possível aos homens lutar pelo poder se não houvesse ninguém para cuidar da casa e das crianças, não é mesmo?

Não exito em afirmar que, independentemente de qual assertiva que essa ou aquela nuance do sexismo utilize para justificar seus atos, a resposta justa será una: machismo.

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Não é uma faixa etária, é um direito

Publicado em 12 de outubro de 2006 por Olegario Schmitt

Criança
melhor do que brincar
é poder encher
a pança.

Em busca por um homem honesto

Publicado em 03 de outubro de 2006 por Olegario Schmitt

Diogenes (1860) - Jean Leon Gerome

Diariamente ficamos indignados com a corrupção que assola o nosso país. Nesses momentos, apesar da profunda indignação, não posso deixar de lembrar de algo que aprendi ainda na escola: toda vez em que apontamos um dedo dizendo “culpado”, há três dedos apontando de volta para nós mesmos.

Ao apontarmos nosso indicador para algum político dizendo “culpado”, o que dirá cada um dos outros três dedos que apontam de volta para cada um de nós?

Talvez o nosso dedo médio aponte para os nossos erros eleitorais. Quando digo “nossos”, pode não ser meu, pode até mesmo não ser seu, mas certamente o é de grande parte do povo brasileiro.

É importante que nunca equeçamos que povo é dos substantivos mais democráticos de todos, não apenas na sua própria acepção:“eu, tu, ele, nós, vós e eles” talvez seja o único que abrigue, em si mesmo, todos os pronomes pessoais — “o povo” inclui, necessariamente, eu, tu, ele, nós, vós e eles. Mesmo isso sendo aparentemente óbvio, quase sempre dizemos “eles, o povo” e nunca “nós, o povo”. “A culpa é do povo brasileiro!” Quantas vezes você e eu já dissemos isso, como se fizéssemos parte da população de outro país que não deste?

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Na visão de Arthur Schopenhauer

Publicado em 15 de setembro de 2006 por Olegario Schmitt

Rasgando o Bucho do Chão - Manifestação Urbana

O que em sociedade desagrada aos grandes espíritos é a igualdade de direitos e, portanto, de pretensões, em face da desigualdade de capacidades, de realizações (sociais) dos outros. A chamada boa sociedade admite méritos de todo o tipo, menos os intelectuais: estes chegam a ser contrabando. Ela obriga-nos a demonstrar uma paciência sem limites com qualquer insensatez, loucura, absurdo, obtusidade. Por outro lado, os méritos pessoais devem mendigar perdão ou ocultar-se, pois a superioridade intelectual, sem interferência nenhuma da vontade, fere pela sua mera existência. Eis por que a sociedade, chamada de boa, não tem só a desvantagem de pôr-nos em contato com homens que não podemos louvar nem amar, mas também a de não permitir que sejamos nós mesmos, tal qual é conveniente à nossa natureza. Antes, obriga-nos, por conta do uníssono com os demais, a encolhermo-nos ou mesmo a desfigurarmo-nos.

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Você é realmente alfabetizado?

Publicado em 25 de julho de 2006 por Olegario Schmitt

O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

Bertolt Brecht

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