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semana farroupilha

Abertura do Especial Semana Farroupilha

Publicado em 20 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

De 14 a 20 de setembro comemora-se, no Rio Grande do Sul, a Semana Farroupilha.

Baseada em extensa pequisa, essa Série Especial começa com um apanhado geral sobre a Semana Farroupilha, suas origens e o porquê de se comemorar no dia 20 de setembro o Dia do Gaúcho. Depois faz um retrato do gaúcho histórico, das payadas e payadores, do chimarrão, dos fandangos, das indumentárias e, finalmente, um artigo sobre as características atuais do estado de ser gaúcho.

Origens, Maragatos vs. Chimangos

Publicado em 20 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Revolução Farroupilha - José W. Rodrigues

Farroupilha — A Origem

A denominação “farroupilha” é anterior à Revolução e era utilizada para designar os grupos liberais de idéias exaltadas.

Em 1829 os Farroupilhas já reuniam-se em sociedades secretas, como a Sociedade dos Amigos Unidos, do Rio de Janeiro, cujo objetivo era lutar contra o regime monárquico. Desde então, eram chamados de farroupilhas e publicavam dois jornais no Rio de Janeiro: A Jurubeba dos Farroupilhas e A Matraca dos Farroupilhas.

Segundo Evaristo da Veiga, o termo foi inspirado nos sans-culottes franceses, os revolucionários mais extremados durante o período da Convenção (1792 a 1795). Os sans-culottes, que literalmente quer dizer sem calção, usavam calças de lã listradas, em oposição ao calção curto adotado pelos mais abastados.
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O gaúcho histórico

Publicado em 19 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Corrida de Gaúchos - Delafuente (Gabriel Usinger)

“Sua fala é enérgica, rápida e irregular; falam com fogosidade e grande facilidade; são imaginativos de espírito vivaz e apaixonados. Entre eles, quem sabe montar, laçar, atirar a boleadeira e manejar uma faca, está completo. (…) são improvisadores, vivendo às expensas das inextinguíveis tropas de gado cuja carne é a base de sua alimentação. Muitos jamais comeram pão. Sua calma habitual cede lugar a um ardor indomável quando o fogo de suas paixões se acende, o que não é raro. O sentido de independência e amor à pátria, por exemplo, se manifestaram mais de uma vez entre estas gentes grosseiras de alma heróica. Quando estoura uma guerra, este povo pastoril e pacífico se volve, de golpe, em um exército de terríveis guerreiros. Seu gosto pelo baile e música mostra igualmente, que sua sensibilidade é susceptível de grande exaltação. O Gaúcho é bravo por temperamento, mas sua bravura é animal (…). São capazes (…) dos mais formosos atos de devoção e sacrifício pessoal pela causa que abraçaram. Em suas brigas, em que o jogo é a causa mais habitual, estão sempre prontos a degolar-se. À menor provocação, sacam a faca e corre sangue.” — Jornal Le National, Paris, 1833

“Os habitantes passam a vida, por assim dizer, a cavalo, e freqüentemente locomovem-se a grandes distâncias com rapidez suposta além das possibilidades humanas.” — Saint-Hilaire, pesquisador francês, 1820

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Os payadores

Publicado em 18 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Payadores - artista desconhecido

A payada (ou, aportuguesando-se, pajada) é uma forma poética nascida na campanha argentina e uruguaia nos meados do século XIX.

Suas raízes remontam aos romances e quadras medievais e renascentistas, de temática popular.

O payador, sempre acompanhado de violão, foi figura importante até mesmo nos campos de batalha, onde, dizem, lhe serviam o primeiro mate.

Dentre os maiores payadores gaúchos, o primeiro nome que salta à boca é, sem dúvida, Jayme Caetano Braun, seguido de perto, quando não lado a lado, por Noel Guarany. Ambos já falecidos, devem estar agora tomando um mate e declamando suas payadas para o “Patrão Velho”.

O Dia do Payador, em homenagem ao nascimento de Jayme Caetano Braun, é comemorado, segundo Lei Estadual, no dia 30 de janeiro. Mesmo assim, com o advento da Tchê-Music e devido ao baixo apelo comercial, a payada, em opinião pessoal, não é devidamente valorizada no Rio Grande do Sul.

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O chimarrão

Publicado em 17 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Mate Gaúcho - Delafuente (Gabriel Usinger)

A Lenda

Gatto, Alcides In: Erva Mate, Ed. UFSM, 1982

Era sempre assim: a tribo de índios guarany derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar a terra além.

Cansado de tais andanças, um índio, já mui velho, um dia recusou-se a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Yvi-Marai. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai.

Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou um pajé desconhecido e perguntou à Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu, mas o velho pai pediu “renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi”.

Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse, as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescenta-se água quente ou fria e sorvesse essa infusão, “terás nessa nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão”. Dada a receita partiu.

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As danças do fandango

Publicado em 16 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Festa Gaúcha - Delafuente (Gabriel Usinger)

No Rio Grande do Sul, dá-se o nome de fandango ao conjunto de danças realizadas em um baile gaúcho.

Os ritmos executados no baile devem ser originais, que preservem a autenticidade do folclore gaúcho de forte influência histórica européia e latino-americana. Quanto ao fandango antigo no Rio Grande do Sul, as danças mais populares são o anu, o balaio, a queromana, o tatu e a tirana. No fandango atual são executados preferencialmente os ritmos do folclore vigente, como marchas, vaneras, vanerões, xotes, milongas, rancheiras, polcas, valsas, chamamés e bugios.

Os ritmos de fandango são musicalmente ricos e variados permitindo evoluções belas e harmoniosas na dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem a sua característica própria de ser dançado. Sendo assim recomenda-se que o conjunto musical de fandango execute todos dos ritmos de forma variada e criteriosa sem distorcer um determinado ritmo acelerando-o para um efeito mais ágil e nem repetindo excessivamente o mesmo ritmo musical caindo na mesmice ou ainda descaracterizando-o quanto a sua forma original.

Esses ritmos apresentam as seguintes características históricas:

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A Indumentária

Publicado em 15 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

A autêntica cultura do povo e suas expressões estão alicerçadas em tradições, em conhecimentos obtidos pela convivência em grupo, somadas aos elementos históricos e sociológicos. Seus legados e sua tradição, entre eles o seu modo de vestir, são transportados para as gerações seguintes, sujeitos a mudanças próprias de cada época e circunstância.

O homem do Rio Grande do Sul adaptou suas vestimentas baseado nas suas necessidades e no seu tipo de vida. Fica claro que os trajes, no decorrer da história , aceitam os processos de modernização e de transformação que uma cultura possa ter. A cultura é viva e, enquanto viva, ela se modifica. Essas modificações, legaram ao gaúcho além de uma herança, beleza e identidade. Se os costumes são constantemente alterados no decorrer da história, nada mais claro de que os trajes também tenham tido uma modificação, mantendo, no entanto, a sua raiz.

A Evolução da Indumentária Gaúcha

Fagundes, Antônio Augusto In: Indumentária Gaúcha, 1985

Traje Indígena – 1620 a 1730

Índio Charrua e Índia Missioneira

Quando o homem que veio fazer a América — e se vestia à européia — aqui chegou encontrou, nos campos, índios missioneiros e índios cavaleiros.

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Considerações finais

Publicado em 14 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Autorretrato

Neste Dia do Gaúcho, após uma semana de artigos diários sobre a Semana Farroupilha e a cultura gaúcha, encerro a série com a intenção de dizer que não somos feitos só de chimarrão, revolução e churrasco.

Somos feitos, sobretudo, do orgulho de, primeiro, sermos gaúchos, para depois, e apenas depois, sermos brasileiros. Por mais revolta, ou inveja, ou despeito, ou seja lá que tipo de emoções isso possa despertar — e desperta — nos brasileiros de outros estados, assim é que o sentimento do gauchismo se manifesta.

Mais do que de pretensão, o gaúcho é feito dessa cultura típica extremamente forte, tão peculiar e enraizada nos valores sociais que deve mesmo causar inveja a muitos outros brasileiros, mais preocupados com o je/me/moi do dia a dia do que com o coletivo ou com a sua própria cultura.

Em vez de sentar com as pernas arregaçadas acolhendo livremente tudo o que vem de fora, o gaúcho, por ter esse orgulho extremado, essa vaidade de sua cultura, esse jeito prepotente e arrogante de quem se basta consigo mesmo, acolhe e preza antes por aquilo que vem de dentro, de si e de seus semelhantes.

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