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E eis que as mudanças de paradigma da Geração Y vão muito, muito mais além do que já havíamos percebido

Publicado em 21 de junho de 2013 por Olegario Schmitt
Foto: Luiz Paulo Montes/UOL

Foto: Luiz Paulo Montes/UOL

 

Acho que todos nós sentimos uma certa insegurança conceitual diante das manifestações que tomam nosso país de norte a sul, devido à ausência de líderes e/ou mentores intelectuais. É como se os protestos, com milhares e milhares de pessoas, se materializassem como que por… mágica, como corpos que entram em combustão espontânea.

Se há uma palavra que permeia tudo o que está acontecendo (e, por que não, inclusive os saques e os atos de vandalismo), definitivamente é a espontaneidade. As próprias manifestações espontâneodecidem meio que por si mesmas os locais dos encontros e para onde devem ir quando reunidas. Não há um modelo pré-definido, não há um líder, só há a massa reunida através das redes sociais. E que Senhora massa social é essa!!! Para nosso orgulho, gigante pela própria natureza

A falta de líderes com pauta de reivindicações claras para que sejam montadas mesas de negociação talvez seja o que mais cause confusão. Em nós, os mais velhos que tomamos para nós os anseios dos mais jovens (pois, afinal, são exatamente os mesmos), e nos políticos, que não sabem o que fazer diante disso.

Pois talvez seja justamente esse velho modelo de que o povo precisa de líderes o que esteja sendo colocado à prova. E é por isso que muita gente não entende muito bem o que está acontecendo e não consegue se posicionar direito sobre isso tudo. sem líderesDigo, a gente até consegue racionalizar sobre as partes que conhecemos, tipo “sou contra o vandalismo”, “queremos saúde”, mas não sobre o TODO do processo, porque ainda é algo em andamento e sem modelos anteriores que nos ajudem a compreendê-lo.

É possível, no entanto, reunir alguns pontos que são senso comum, e se alguns políticos ainda não entenderam… bem, eles já entenderam, já entenderam tudo direitinho, mas ficam se fazendo de sonsos! Primeiro, não queremos negociar nada. Nós queremos, e temos o direito de querer, tudo!!!! PEC 37, saúde, educação, segurança, transporte, fim da corrupção, dos gastos com a Copa, da cura gay. Tudo. Queremos tudo! Ah, sim, e mais vinte centavos.

Pois que sejamos todos bem-vindos aos protestos da era da #geraçãoY, onde o que temos é um povo (como sempre na história, de maioria jovem) liderado por ninguém, ou então com cada um liderado Geração Yindividualmente por si mesmo. Tudo é fragmentado e fragmentário, como é próprio dessa geração. Não existe uma voz única, um coro único, como no caso das Diretas Já e do Fora Collor, mas sim inúmeras vozes de 140 caracteres, todas gritando ao mesmo tempo.

E então, frente a isso tudo, frente ao Novo, os velhos políticos de sempre querem fazer o que sempre fizeram, a única coisa que sabem fazer, ou seja, negociatas, mas não têm com quem fazê-lo. Primeiro porque #ninguemMeRepresenta, segundo, porque nada disso é negociável! Não queremos, por exemplo, adiar a votação da PEC 37 para que possam ser estendidas as negociações, queremos que ela simplesmente suma da face da terra para todo o sempre! Simples assim.

Se isso dará certo ou não (e assim como todo mundo eu espero muito que dê MUITO CERTO), só o tempo dirá. E nem mesmo conseguimos saber de quanto tempo se trata, se dois dias, duas semanas, nas próximas eleições ou na próxima década. Assim é que é.

Por enquanto, acho saudável que mantenhamos nossas mentes completamente abertas para esse Novo que essa juventude maravilhosa nos trás e para as novas maneiras de fazer as mesmas coisas de sempre (derrubar ou pelo menos balançar o Poder, que delícia!). O que está acontecendo agora não é uma nova queda da Bastilha, mas sim uma #quedaDeBrasília. Antes de ser outra Bastilha, o povo é que é outro. Bastilha
#brasília
Se desde alguns séculos um líder utilizava longos manifestos de páginas e páginas retratando os desejos da massa (e muitas vezes a massa era organizada pelos líderes sobre o que querer e como querer), hoje cada um usa sua própria hashtag para retratar o anseio próprio, que pode (ou não) ser o mesmo de outro. Quando o anseio de duas pessoas se encontra na mesma hashtag, é que acontece o mágico: o compartilhamento. É a Revolução da Hashtag compartilhada, nada menos que isso!

Me parece que pela primeira vez o poder está realmente na mão do povo, mas não do povo massa amorfa como estávamos habituados até agora, e sim do povo formado por aquilo que na verdade sempre o formou: indivíduos. Sem que cada um deles abra mão de sua voz própria ou da sua própria individualidade no meio do todo, talvez a revolução maior seja mesmo no meio de se fazer revoluções. E isso tudo é muito esquisito, e muito estranho, sim, também para muitos de nós que a vivenciamos. Pois virem-se, vocês políticos, para figurar-nos, sabendo de antemão que #ogiganteacordou e #ninguemMeRepresenta.

Gurizada, o Tio Ole, esse que vos fala, fez parte da Geração Cara Pintada que derrubou o presidente Collor, e pede desculpas por essa referência meio das antigas. Mas essa canção é pra vocês.

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