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Essa poeta é uma serendipidade ambulante

Publicado em 12 de agosto de 2009 por Olegario Schmitt

Serendipidade é a aptidão, faculdade ou dom de atrair o acontecimento de coisas felizes ou úteis, ou de descobri-las por acaso. Em derivação por metonímia, é cada uma dessas coisas felizes ou úteis. (Houaiss)

Serendipidade I

Há diversos anos — ninguém sabe exatamente quantos, mas talvez seja uns 10 — Nalú Nogueira e eu nos encontramos em algum recanto virtual de poetas. Foi uma coisa esquisita: nos gostamos de pronto, para todo o sempre amém. Escrevíamos juntos, díade: cada um fazendo um verso como uma valsa. Por vezes terminávamos os escritos um do outro. Virávamos dias e noites em frenesis literários infindáveis.

Nunca nos vimos pessoalmente. Porém, ao contrário do que pode pensar os incautos — ou não iniciados —, os bits, bytes e Kbytes eram apenas o meio de materialização de algo deveras real.

Dicotomia: os tempos foram passando conforme abandonávamos lentamente esse único meio de convívio. Perdemos o contato, cada um foi para um canto, isso acontece com todo mundo.

Serendipidade II

Muitos anos depois, nos reencontramos no Twitter, através de uma amiga em comum. Foi meio por acaso, óbvio!

Estamos deveras diferentes, praticamente não escrevemos mais poesia. Mas ainda somos felizes — nem mais nem menos, apenas diferente.

Serendipidade III

Revirando minhas velhas caixas à procura de um manual, encontrei um impresso encadernado com a capa azul transparente. Claro, tinha de ser azul. Claro, tinha de ser transparente. Claro, tinha de ser uma vez mais através da serendipidade.

Na capa, em letras garrafais: Nalú Nogueira — trata-se de uma seleção de poemas dessa poetamiga a quem admiro tanto.

Fui atropelado por um jorro de emoções esquecidas e a saudade bateu. Como não poeto mais com tanta facilidade, resolvi fazer essa série de três artigos para Nalú Nogueira. Não cabia tudo num só, assim como às vezes aquilo que sentimos não cabe tudo num poema.

Não sei ao certo se é na tentativa de que algo não morra ou de que ressuscite, mas tenho certeza de que a Palavra deve se manter sempre viva dentro de nós.

Homenagem ao grande poeta santamariense

Publicado em 02 de outubro de 2005 por Olegario Schmitt

Luiz Guilherme do Prado Veppo (1932-1999)
Ilustração: Felipe Stanque Machado Junior

I

No primeiro dia, alguns homens
Plagiaram a revolta dos anjos
E instituíram o Direito
Divino dos Reis;

No segundo dia, a menina-moça Maria
Que morava num presépio de lata
Passou a se chamar de Madalena;

No terceiro dia, boiaram peixes
Na pesca milagrosa
Das minas submarinas;

No quarto dia, a água
Foi transformada em vinho
E os frustrados
Amanheceram bêbados;

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Onde está a poesia?

Publicado em 08 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Lugar Mágico - São Pedro do Sul/RS

Os poetas tem por hábito olhar um riacho buliçoso, por exemplo, e pensar “ó, que poético o som da água bolinando as pedras”… mas, convenhamos, o som da água sobre as pedras, em si, não contém poesia alguma!

Não há poesia nas coisas ou na natureza, pois as coisas simplesmente existem, de forma abstrata. “as coisas simplesmente são, sem definições”A própria essência das coisas é neutra: o riacho simplesmente corre por força da gravidade, faz barulho nas pedras por força do atrito físico, o que, por natureza, não é belo ou poético — as coisas SIMPLESMENTE SÃO, sem definições.

Por termos esse velho hábito de sempre procurar as coisas fora de nós mesmos é que pensamos que a poesia está nas coisas, na natureza, ou que D’us está lá fora… mas isso não passa de projeção.

projeção, s. f. Ato ou efeito de projetar; (Psiq.) transferência de culpa: mecanismo psicológico compensador que consiste em atribuir a outros os próprios sentimentos, livrando-se o indivíduo de responsabilidades e de conflitos entre o desejo e o dever.

Portanto, não há tonteira maior do que dizer que “há poesia no riacho” ou que “não há poesia no concreto” “a poesia não está na natureza, não há poesia no riacho”(não confundir aqui “poesia no concreto” com “poesia concreta”): o correto seria dizer “VEJO poesia no riacho” ou “NÃO VEJO poesia no concreto”.

A poesia não está na natureza: está no homem, ou seja, ela pode estar em todos os lugares ou em lugar nenhum, dependendo não do que se vê, mas dos olhos — e da sensibilidade — para vê-la.

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