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poesia

Poeta maior brasileiro

Publicado em 14 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

Castro Alves (14/03/1847 - 06/07/1871)

Castro Alves (Antônio Frederico de Castro Alves), poeta, nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871. É o patrono da Cadeira n. 7 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.

(…)

Duas vertentes se distinguem na poesia de Castro Alves: a feição lírico-amorosa, mesclada da sensualidade de um autêntico filho dos trópicos, e a feição social e humanitária, em que alcança momentos de fulgurante eloqüência épica. “fulgurante eloqüência épica”Como poeta lírico, caracteriza-se pelo vigor da paixão, a intensidade com que exprime o amor, como desejo, frêmito, encantamento da alma e do corpo, superando completamente o negaceio de Casimiro de Abreu, a esquivança de Álvares de Azevedo, o desespero acuado de Junqueira Freire. A grande e fecundante paixão por Eugênia Câmara percorreu-o como corrente elétrica, reorganizando-lhe a personalidade, inspirando alguns dos seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero, saudade. Outros amores e encantamentos constituem o ponto de partida igualmente concreto de outros poemas.

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Fazer poesia é pegar as palavras pelo rabo

Publicado em 14 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

Série Borboletas

Fazer Poesia (I)

Fazer poesia é pegar coisas
abstratas como o vento
e adorná-las de mistérios
até que se transformem
em objetos contundentes
como borboletas azuis.

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

Fazer Poesia (II)

Fazer poesia é pegar
as palavras pelo rabo
e ensiná-las a voar.

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

“Hermoso es!”

Publicado em 05 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

O Leão da Montanha

D. H. Lawrence


Elevando-se através da neve de janeiro, dentro do Cânion do Lobo
Escuros crescem os abetos, azul é o bálsamo, sons de água ainda não congelada, e a trilha ainda está evidente.

Homens!
Dois homens!
Homens! O único animal do mundo a temer!

Eles hesitam.
Nós hesitamos.
Eles têm uma arma.
Nós não temos nenhuma.

Então todos avançamos, para encontrarmo-nos.

Dois mexicanos, forasteiros, emergindo da escuridão e da neve e das entranhas do Vale do Lobo.
O que eles estão fazendo aqui nesta trilha que desaparece lentamente?

O que ele estará carregando?
Algo amarelo.
Um cervo?

Qué tiene amigo? —
León —

Ele sorri tolamente, como se fosse pego fazendo algo errado.
E nós sorrimos, tolamente, como se não soubéssemos.
Ele está bastante dócil e ao mesmo tempo soturno.

É um leão da montanha,
Um gato longo, esguio, amarelo como uma leoa.
Morta.

Capturou-a esta manhã, ele diz, sorrindo abobalhado.

Levanta sua face,
Sua face redonda, resplandescente, brilhante como geada.
Sua cabeça redonda, bem desenhada, com duas orelhas mortas:
E listras no gelo brilhante da sua face, raios escuros delicadamente pontiagudos,
Raios escuros, afiados, delicados no gelo brilhante de sua face.
Lindos olhos mortos.

Hermoso es!

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“Ela disse também para mim”

Publicado em 05 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

Daydreaming – Anton J. C. Lemmers
(Man seeing himself as the ultimated power in a vision of a bizon bull)

‘Ela Disse Também Para Mim’

D. H. Lawrence


Ela disse também para mim: ‘Por que você está envergonhado?
Aquela porção de peito que aparece entre
a abertura da sua camisa, por que cobrí-la?
Por que suas pernas e suas coxas bem fortes não deveriam
ser ásperas e cabeludas? — Estou contente que elas sejam assim.
Você é tímido, seu bobinho, sua coisinha bobinha e tímida.
Os homens são as criaturas mais tímidas, eles nunca sairão
de suas carapaças. Como qualquer cobra
dormindo em sua cama de folhas mortas, vocês correm para suas roupas.
E eu os amo tanto! Ereto e limpo e típico é o corpo de um homem,
como um instrumento, uma espada, como uma lança, ou um remo,
que regozijo para mim —’
Então ela deslizou suas mãos e contornou minha silhueta,
de tal forma que eu comecei a pensar sobre mim mesmo, e o que eu era.

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“se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda”

Publicado em 02 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

David Herbert Lawrence
11/09/1885 – 02/03/1930

Pelo papel que conferiu à paixão amorosa, às vezes em meticulosas descrições do amor físico, o britânico D. H. Lawrence causou polêmica em sua época, porém mais tarde passou a ser visto como um dos renovadores da prosa de ficção no século XX.

David Herbert Lawrence nasceu em Eastwood, Nottinghamshire, em 11 de setembro de 1885. Formou-se em Nottingham e lecionou durante dois anos.

Estreou na literatura com o romance The White Peacock (1911; O pavão branco), mas só com Sons and Lovers (1913; Filhos e amantes), autobiográfico, “proibido, tumultuado e obsceno”chamou alguma atenção. Lançou no mesmo ano seus Love Poems and Others (Poemas de amor e outros).

Em 1914 casou-se com a aristocrata alemã Frieda von Richthofen, com quem viveu relação tumultuada.

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Onde está a poesia?

Publicado em 08 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Lugar Mágico - São Pedro do Sul/RS

Os poetas tem por hábito olhar um riacho buliçoso, por exemplo, e pensar “ó, que poético o som da água bolinando as pedras”… mas, convenhamos, o som da água sobre as pedras, em si, não contém poesia alguma!

Não há poesia nas coisas ou na natureza, pois as coisas simplesmente existem, de forma abstrata. “as coisas simplesmente são, sem definições”A própria essência das coisas é neutra: o riacho simplesmente corre por força da gravidade, faz barulho nas pedras por força do atrito físico, o que, por natureza, não é belo ou poético — as coisas SIMPLESMENTE SÃO, sem definições.

Por termos esse velho hábito de sempre procurar as coisas fora de nós mesmos é que pensamos que a poesia está nas coisas, na natureza, ou que D’us está lá fora… mas isso não passa de projeção.

projeção, s. f. Ato ou efeito de projetar; (Psiq.) transferência de culpa: mecanismo psicológico compensador que consiste em atribuir a outros os próprios sentimentos, livrando-se o indivíduo de responsabilidades e de conflitos entre o desejo e o dever.

Portanto, não há tonteira maior do que dizer que “há poesia no riacho” ou que “não há poesia no concreto” “a poesia não está na natureza, não há poesia no riacho”(não confundir aqui “poesia no concreto” com “poesia concreta”): o correto seria dizer “VEJO poesia no riacho” ou “NÃO VEJO poesia no concreto”.

A poesia não está na natureza: está no homem, ou seja, ela pode estar em todos os lugares ou em lugar nenhum, dependendo não do que se vê, mas dos olhos — e da sensibilidade — para vê-la.

Os payadores

Publicado em 18 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Payadores - artista desconhecido

A payada (ou, aportuguesando-se, pajada) é uma forma poética nascida na campanha argentina e uruguaia nos meados do século XIX.

Suas raízes remontam aos romances e quadras medievais e renascentistas, de temática popular.

O payador, sempre acompanhado de violão, foi figura importante até mesmo nos campos de batalha, onde, dizem, lhe serviam o primeiro mate.

Dentre os maiores payadores gaúchos, o primeiro nome que salta à boca é, sem dúvida, Jayme Caetano Braun, seguido de perto, quando não lado a lado, por Noel Guarany. Ambos já falecidos, devem estar agora tomando um mate e declamando suas payadas para o “Patrão Velho”.

O Dia do Payador, em homenagem ao nascimento de Jayme Caetano Braun, é comemorado, segundo Lei Estadual, no dia 30 de janeiro. Mesmo assim, com o advento da Tchê-Music e devido ao baixo apelo comercial, a payada, em opinião pessoal, não é devidamente valorizada no Rio Grande do Sul.

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