Palavra-chave: pátria

Resultados para a palavra-chave pátria

pátria

O chimarrão

Publicado em 17 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Mate Gaúcho - Delafuente (Gabriel Usinger)

A Lenda

Gatto, Alcides In: Erva Mate, Ed. UFSM, 1982

Era sempre assim: a tribo de índios guarany derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se exauria e a tribo precisava emigrar a terra além.

Cansado de tais andanças, um índio, já mui velho, um dia recusou-se a seguir adiante e preferiu quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Yvi-Marai. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai.

Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou um pajé desconhecido e perguntou à Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu, mas o velho pai pediu “renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi”.

Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse, as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescenta-se água quente ou fria e sorvesse essa infusão, “terás nessa nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão”. Dada a receita partiu.

Continuar lendo »

As danças do fandango

Publicado em 16 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Festa Gaúcha - Delafuente (Gabriel Usinger)

No Rio Grande do Sul, dá-se o nome de fandango ao conjunto de danças realizadas em um baile gaúcho.

Os ritmos executados no baile devem ser originais, que preservem a autenticidade do folclore gaúcho de forte influência histórica européia e latino-americana. Quanto ao fandango antigo no Rio Grande do Sul, as danças mais populares são o anu, o balaio, a queromana, o tatu e a tirana. No fandango atual são executados preferencialmente os ritmos do folclore vigente, como marchas, vaneras, vanerões, xotes, milongas, rancheiras, polcas, valsas, chamamés e bugios.

Os ritmos de fandango são musicalmente ricos e variados permitindo evoluções belas e harmoniosas na dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem a sua característica própria de ser dançado. Sendo assim recomenda-se que o conjunto musical de fandango execute todos dos ritmos de forma variada e criteriosa sem distorcer um determinado ritmo acelerando-o para um efeito mais ágil e nem repetindo excessivamente o mesmo ritmo musical caindo na mesmice ou ainda descaracterizando-o quanto a sua forma original.

Esses ritmos apresentam as seguintes características históricas:

Continuar lendo »

A Indumentária

Publicado em 15 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

A autêntica cultura do povo e suas expressões estão alicerçadas em tradições, em conhecimentos obtidos pela convivência em grupo, somadas aos elementos históricos e sociológicos. Seus legados e sua tradição, entre eles o seu modo de vestir, são transportados para as gerações seguintes, sujeitos a mudanças próprias de cada época e circunstância.

O homem do Rio Grande do Sul adaptou suas vestimentas baseado nas suas necessidades e no seu tipo de vida. Fica claro que os trajes, no decorrer da história , aceitam os processos de modernização e de transformação que uma cultura possa ter. A cultura é viva e, enquanto viva, ela se modifica. Essas modificações, legaram ao gaúcho além de uma herança, beleza e identidade. Se os costumes são constantemente alterados no decorrer da história, nada mais claro de que os trajes também tenham tido uma modificação, mantendo, no entanto, a sua raiz.

A Evolução da Indumentária Gaúcha

Fagundes, Antônio Augusto In: Indumentária Gaúcha, 1985

Traje Indígena – 1620 a 1730

Índio Charrua e Índia Missioneira

Quando o homem que veio fazer a América — e se vestia à européia — aqui chegou encontrou, nos campos, índios missioneiros e índios cavaleiros.

Continuar lendo »

Considerações finais

Publicado em 14 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Autorretrato

Neste Dia do Gaúcho, após uma semana de artigos diários sobre a Semana Farroupilha e a cultura gaúcha, encerro a série com a intenção de dizer que não somos feitos só de chimarrão, revolução e churrasco.

Somos feitos, sobretudo, do orgulho de, primeiro, sermos gaúchos, para depois, e apenas depois, sermos brasileiros. Por mais revolta, ou inveja, ou despeito, ou seja lá que tipo de emoções isso possa despertar — e desperta — nos brasileiros de outros estados, assim é que o sentimento do gauchismo se manifesta.

Mais do que de pretensão, o gaúcho é feito dessa cultura típica extremamente forte, tão peculiar e enraizada nos valores sociais que deve mesmo causar inveja a muitos outros brasileiros, mais preocupados com o je/me/moi do dia a dia do que com o coletivo ou com a sua própria cultura.

Em vez de sentar com as pernas arregaçadas acolhendo livremente tudo o que vem de fora, o gaúcho, por ter esse orgulho extremado, essa vaidade de sua cultura, esse jeito prepotente e arrogante de quem se basta consigo mesmo, acolhe e preza antes por aquilo que vem de dentro, de si e de seus semelhantes.

Continuar lendo »

A “comemoração” da independência expõe nossas características intrínsecas.

Publicado em 07 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Monumento ao Ipiranga

Hoje é 7 de setembro, data em que comemoramos nossa independência, ou melhor, data em que comemoramos o feriado e lembramos (?) a independência em relação à corte portuguesa, em 1822.

Nos maiores jornais e portais de Internet do país, eram estas as reportagens de capa:

“Quer namorar no FERIADO?” (Terra)

“Eleições nos EUA / Financial Times” (UOL)

“Lula usa o crescimento para incitar o patriotismo” (Folha de São Paulo)

“Enfim noivos (foto de capa: Ronaldo e Cicarelli) / Produção de carros bate recordes e cria 6.800 empregos” (Diário de São Paulo)

“Corte de candidatos com ficha criminal divide ministros do TSE” (O Globo)

Continuar lendo »

Pela ocasião do atentado ao escritório da ONU em Bagdá, o qual vitimou o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Publicado em 16 de Maio de 2004 por Olegario Schmitt

Cabeças cortadas Série Matches

silêncio & completa solidão para estar em contato com minhas entranhas.
mas vizinhos. vizinhos azucrinam o tempo todo.
às vezes sinto vontade de aniquilar meus vizinhos.
todos eles. agora mesmo fazendo barulho
nos corredores. portas batendo, campainhas tocando,
trololós sobre a vida alheia. morte aos vizinhos!
podadores da completa liberdade do ser humano!

devemos todos adaptar-nos à vontade alheia?
mas qual vontade dentre todas deverá predominar?
devo obedecer à síndica funcionários seguindo
os passos do gerente? devemos todos ser iguais ao presidente?
e quem será o presidente do meu instante, da minha pátria,
do meu mundo e da vida do meu filho que explode?

Continuar lendo »

Designed by