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pássaro

“Um ser pequeno, frágil, meio-animado”…

Publicado em 14 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Você sabe como é nascer sozinho,
Bebê tartaruga!
O primeiro dia a levantar seus pés pouco a pouco para fora da casca,
Ainda não desperto,
E manter-se estendido na terra,
Ainda nem bem vivo.

Um ser pequeno, frágil, meio-animado.

Abrir sua boquinha bicuda, que parece como se nunca fosse abrir,
Como uma porta de ferro;
Levantar do chão a parte de cima do bico de falcão
E estender seu pescocinho magro
E dar sua primeira mordida em algum pedacinho de erva,
Sozinho, pequeno inseto,
Olhinhos brilhantes,
Ser lento.

Dar sua primeira mordida solitária
E mover-se em sua caça lenta e solitária.
Seu olhinho escuro e brilhante,
Seu olhinho de uma noite escura e perturbada,
Sob sua carapaça lenta, pequeno bebê tartaruga,
Tão indomável.
Ninguém nunca ouviu você reclamar.

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Todos estes que aí estão atravancando meu caminho…

Publicado em 31 de julho de 2006 por Olegario Schmitt

Palavras são coisas boas para encucações

Publicado em 09 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Artista Desconhecido - Instalação na XXIV Bienal de São Paulo

palavras são coisas boas para encucações.
um dia uma palavra me deixou de cabelos brancos.
idiossincrasia era o seu nome e foi uma amiga quem me deu,
significa uma sensação ambígua feita para o vôo livre.

tem palavra que deixa você mais velho de tanto pensar,
principalmente se tiver mais de uma dúzia de letras.
aí você fica velho só de ler. portanto se você ler “árvore”
e não se desfolhar acabará perdendo um fio de cabelo.

palavras fazem muito sexo entre si. quando elas se juntam
é quase como uma suruba, só que literária.
daí é que nascem os contos e as cartas de suicida.
é quase como uma arma: depende de quem utiliza.

num passarinho com penas no bico a palavra “vôo”
perdeu o sentido, então o pássaro cantou.
uma borboleta passando ficou com ciúmes
de tanta abstração e perdeu o impulso.

o vôo das borboletas é quase como o vôo de uma bala,
só que não faz barulho para decolar. se fizesse, espantaria o pássaro.
se fizesse, a palavra acertaria o seu alvo e você ficaria mais velho.
quer saber? é melhor nem pensar.

Olegario Schmitt

30-07-2003

Homem: ícaro incansável.

Publicado em 23 de junho de 2004 por Olegario Schmitt

O Homem inventa
asas-delta,
aeroplanos,
jatos supersônicos,
foguetes de propulsão
de plutônio.

Os pássaros voam livres
através do infinito,
e nem sabem disso…

In: No Pé da Letra, Ed. Blocos, 1999

Esse poema também está disponível em multimídia:
http://www.oleschmitt.com.br/multimidia/ospassaros.html

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