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Sensibilidade à flor da pele

Publicado em 01 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Pensando em Ristelhueber (Paris, 01/03/2009)

Exposição: Sophie Ristelhueber
Curadoria: Marta Gili
Data: 01/03/2009
Local: Jeu de Paume – Paris/França


Fotógrafa interessantíssima e bastante competente, a qual eu não conhecia anteriormente.

Sua exposição, concomitante à de Robert Frank, ocupava espaço expositivo bastante amplo, com pé direito de aproximadamente 3 metros de altura. As imagens, aproximadamente 30, quadradas e em tamanho grande (aprox. 1,5m x 1,5m), mostravam texturas praticamente abstratas formadas por coisas destruídas em decorrência da explosão de bombas no Iraque.

Note-se que essa é uma temática recorrente da fotógrafa, conforme tive a chance de pesquisar mais tarde: ela registra as cicatrizes deixadas na terra em decorrência da ocupação humana, principalmente através da guerra. Seus temas geralmente mostram restos de explosões ou incêndios, estradas destruídas por bombas.

Muitas imagens aéreas, o a série inteira praticamente uma monocromia, onde predominavam os tons amarelados e ocres. Uma das imagens dessa série mostrava uma estrutura carbonizada no meio do deserto, cujo esqueleto de aproximadamente 3 metros de altura lembrava muito o de uma câmera fotográfica.

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Impressões

Publicado em 01 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Fila para a exposição (Paris, 01/03/2009)

Exposição: Robert Frank
Curadoria: Ute Eskildsen/Marta Gili
Data: 01/03/2009
Local: Jeu de Paume – Paris/França


A princípio não gosto muito de Robert Frank. Reconheço, evidentemente, a importância histórica e a qualidade de seu trabalho, mas há diversos outros fotógrafos que aprecio bem mais — note que nem entrarei no mérito de ele ter influenciado a sofrível geração beatnik. De qualquer forma, uma exposição dessas não é oportunidade que se deixe passar.

As fotos — ampliações originais, assinadas — de seu livro The Americas, quando expostas fora do contexto do livro perderam bastante o sentido, além do que, as que mais me chamam a atenção não estavam expostas lá. Entende? Você vai a um lugar esperando ver “aquela” foto que você tanto gosta e ela simplesmente não está lá.

Aproximadamente 10 The Americas estavam dispostos sobre uma série de bancos ocupando o centro do espaço expositivo, todos eles perfurados de maneira grotesca, por onde foi passado um cabo de aço (mesmo) evitando assim que os livros fossem roubados. Considerando-se diversas populações carentes ao redor do mundo que não têm acesso a essa obra, considerei essa cretinice à altura do fotógrafo e de seus seguidores (leia-se: Jack Keroauc, o pária).

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Todo homem cria sem o saber, como respira

Publicado em 03 de abril de 2006 por Olegario Schmitt

Palais de Chaillot - Place du Trocadéro, Paris

Todo homem cria sem o saber
Como respira
Mas o artista sente-se criar
Seu ato compromete todo seu ser
Seu sofrimento bem amado o fortifica

Coisas raras ou coisas belas
Aqui sabiamente montadas
Instruem o olhar a ver
Como nunca d’antes vistas
Todas as coisas que estão no mundo

Depende daquele que passa
Que eu seja tumba ou tesouro
Que eu fale ou me cale
Isto não diz respeito senão a ti
Amigo não entres sem vontade

Nestes muros dedicados às maravilhas
Acolho e guardo
As obras da mão
Prodigiosa do artista
Igual e rival
Do seu pensamento
Uma não é nada sem o outro

Paul Valéry

Tradução: Olegario Schmitt

Dualidade (Escultura: Nu de Pierre de Wissant - Auguste Rodin)

Tout homme crée sans le savoir
Comme il respire
Mais l’artiste se sent créer
Son acte engage tout son être
Sa peine bien aimée le fortifie

Choses rares ou choses belles
Ici savamment assemblées
Instruisent l’oeil à regarder
Comme jamais encore vues
Toutes choses qui sont au monde

Il dépend de celui qui passe
Que je sois tombe ou trésor
Que je parle ou me taise
Ceci ne tient qu’à toi
Ami n’entre pas sans désir

Dans ces murs voués aux merveilles
J’accueille et garde
Les ouvrages de la main
Prodigieuse de l’artiste
Egale et rivale de sa pensée
L’une n’est rien sans l’autre

Paul Valéry

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