Palavra-chave: olhar

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olhar

“Olhos nos olhos, quero ver o que você faz”…

Publicado em 16 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Autorretrato

meus olhos atravessam as coisas
como se não vissem nada

meus olhos entram dentro das pessoas
mais fundo do que deveriam

meus olhos procuram
a verdade oculta
a mentira vil que tua boca escreve
e teus olhos não assinam

meus olhos caçam
as fraquezas escondidas
dentro de você

meus olhos invadem
teus olhos.

apalpam, medem, conferem
e guardam.

Olegario Schmitt

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, Ed. do Autor, 2004

Porque um pouco de amor não faz mal a ninguém…

Publicado em 28 de novembro de 2004 por Olegario Schmitt

Ultravioletas

Então é assim o amor…
pensou com o nariz enfiado
no pescoço do seu sonho.

Depois chorou um pouquinho,
não que estivesse tristonho.

Chorou bem de mansinho
e inundou o peito do sonho
com as lágrimas do seu amor.

Olharam-se no fundo dos olhos,
ninguém sentiu-se sozinho…

Olharam-se no fundo dos olhos
e era tanto o seu carinho
que foram logo para o ninho
praticar o sentimento
das almas êxtase-em-flor.

Olegario Schmitt

Onde está a poesia?

Publicado em 08 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Lugar Mágico - São Pedro do Sul/RS

Os poetas tem por hábito olhar um riacho buliçoso, por exemplo, e pensar “ó, que poético o som da água bolinando as pedras”… mas, convenhamos, o som da água sobre as pedras, em si, não contém poesia alguma!

Não há poesia nas coisas ou na natureza, pois as coisas simplesmente existem, de forma abstrata. “as coisas simplesmente são, sem definições”A própria essência das coisas é neutra: o riacho simplesmente corre por força da gravidade, faz barulho nas pedras por força do atrito físico, o que, por natureza, não é belo ou poético — as coisas SIMPLESMENTE SÃO, sem definições.

Por termos esse velho hábito de sempre procurar as coisas fora de nós mesmos é que pensamos que a poesia está nas coisas, na natureza, ou que D’us está lá fora… mas isso não passa de projeção.

projeção, s. f. Ato ou efeito de projetar; (Psiq.) transferência de culpa: mecanismo psicológico compensador que consiste em atribuir a outros os próprios sentimentos, livrando-se o indivíduo de responsabilidades e de conflitos entre o desejo e o dever.

Portanto, não há tonteira maior do que dizer que “há poesia no riacho” ou que “não há poesia no concreto” “a poesia não está na natureza, não há poesia no riacho”(não confundir aqui “poesia no concreto” com “poesia concreta”): o correto seria dizer “VEJO poesia no riacho” ou “NÃO VEJO poesia no concreto”.

A poesia não está na natureza: está no homem, ou seja, ela pode estar em todos os lugares ou em lugar nenhum, dependendo não do que se vê, mas dos olhos — e da sensibilidade — para vê-la.

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