Palavra-chave: o amor e outras coisas que coçam

Resultados para a palavra-chave o amor e outras coisas que coçam

o amor e outras coisas que coçam

Celebeijemos

Publicado em 13 de abril de 2008 por Olegario Schmitt

Antonio Canova - Psyché ranimée par le baiser de l'Amour (1777)

No Escuro


no escuro
do teu ninho
te adivinho

num afago
sinto que apago
o que não vejo

num gesto
de desejo
— beijo


Olegario Schmitt

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

“Olhos nos olhos, quero ver o que você faz”…

Publicado em 16 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Autorretrato

meus olhos atravessam as coisas
como se não vissem nada

meus olhos entram dentro das pessoas
mais fundo do que deveriam

meus olhos procuram
a verdade oculta
a mentira vil que tua boca escreve
e teus olhos não assinam

meus olhos caçam
as fraquezas escondidas
dentro de você

meus olhos invadem
teus olhos.

apalpam, medem, conferem
e guardam.

Olegario Schmitt

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, Ed. do Autor, 2004

A história de uma infanta nada infantil

Publicado em 12 de março de 2007 por Olegario Schmitt

Crianças vítimas das minas - Francesco Zizola

gilda, Seus Olhos e Seu Sorriso


era uma nega fulô
à qual chamavam de gilda.
e para ela rir gostoso
os três meninos faziam-lhe cócegas:
um na sola dos pés,
o outro no sovaco,
e o outro na barriga.

depois um dedo no umbigo,
catar piolho na floresta miúda de pelos…
e aquele cheiro
de fruta suculenta e úmida
enchendo o ar
enchendo os sentidos
enchendo as cuecas…

em troca
eles lhe davam
as suas sementes.

e ela lhes devolvia
o seu olhar vazio
e o seu sorriso
sem dentes.



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Se tivéssemos força…

Publicado em 08 de maio de 2005 por Olegario Schmitt

Meu pai, Getúlio, e eu

Hoje, no Dia das Mães, também é dia do pai, uma vez que ele completou hoje 58 anos.

Para homenagear o meu velho — que ainda é bastante novo — coloco aqui o poema Se…, que fiz para ele e abre o livro O Amor & Outras Coisas Que Coçam.

Receba, meu pai, essa homenagem do seu filho, em nome das pontes que tentamos estender com nossos abraços.

Se…

Se tivéssemos força
suficiente para suportar
nossos frágeis olhares

se nossas bocas, tão duras,
comportassem a fala
ou um simples sorriso

se nossas mãos amarradas
permitissem o desprendimento
de um gesto de puro carinho

estenderíamos, com longos
abraços, pontes eternas
sobre os nossos abismos

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

Quando Pandora abre o baú e saem de dentro dele todos os males do mundo, a esperança, sabemos, fica presa na borda.

Publicado em 12 de abril de 2005 por Olegario Schmitt

Le Bahut – 13/05/1958
Jornal editado pelos formandos do Liceu E. F. Gautier (Paris)

Nos momentos de vazio criativo — que podem durar meses, até anos — pelo qual todo escritor passa em algum momento da vida, é interessante ficar remexendo nos “baús”, à procura de pérolas esquecidas. Essa atividade acabará, por via de regra, levando ao reencontro de todos aqueles lixos tenebrosos ou inacabados, para os quais não houve coragem suficiente de torná-los públicos.

Tarefa mais interessante ainda — podendo, no entanto, mostrar-se extremamente dolorida e vergonhosa — é reler os primeiros cadernos de poesia. Entre absurdos literários e verdadeiros atentados à poética, pode-se acabar encontrando verdadeiras pérolas.

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Fazer poesia é pegar as palavras pelo rabo

Publicado em 14 de março de 2005 por Olegario Schmitt

Série Borboletas

Fazer Poesia (I)

Fazer poesia é pegar coisas
abstratas como o vento
e adorná-las de mistérios
até que se transformem
em objetos contundentes
como borboletas azuis.

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

Fazer Poesia (II)

Fazer poesia é pegar
as palavras pelo rabo
e ensiná-las a voar.

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

Com quantos paus se faz uma canoa?

Publicado em 07 de dezembro de 2004 por Olegario Schmitt

Nacionalismo

brasil sem pau-brasil sem pau-brasil sem pau-
cem
índios                                                        brazil
sem
brasil sem pau-brasil sem pau-brasil sem pau-

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

É aquela velha história: de onde vim, para onde vou…

Publicado em 10 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Agora fiquei intrigado: se sei coisas que não aprendi nessa vida, que mais eu saberia sem saber que sei?

Retorno às dúvidas existenciais da adolescência?

Dúvida Existencial

(1990)

Quem sou

E o que sou?

Que importa,

Posto que sou

O que não sei que sou?!

E se eu for

Algo que não quiser ser…

Pra que saber?

In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003

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