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nietzsche

atra­vés do abuso exas­pe­rante do mais barato meio de agi­ta­ção, a afe­ta­ção moral, bus­cam inci­tar o gado de chi­fres que há no povo” — Nietzs­che In: Gene­a­lo­gia da Moral

Publicado em 13 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Vacas Olhando para o Pró­prio Umbigo

Nii­lista, eu? Imagine!

Acre­dito pia­mente que a huma­ni­dade terá seu período de vacas gordas...

...todas indo para o brejo!

atra­vés do abuso exas­pe­rante do mais barato meio de agi­ta­ção, a afe­ta­ção moral, bus­cam inci­tar o gado de chi­fres que há no povo” — Nietzs­che In: Gene­a­lo­gia da Moral

Publicado em 05 de janeiro de 2007 por Olegario Schmitt

O Povo Segundo Nietzsche

Havendo no mundo basi­ca­mente dois tipos de pes­soas, a saber, aque­las que têm as idéias e aque­las que as exe­cu­tam, assim se esta­be­lece o mundo, man­dando quem pode, obe­de­cendo quem tem juízo.

Aos pri­mei­ros é neces­sá­ria a pre­sença de algum mérito intelecto-cultural, por menor que seja, enquanto que aos segun­dos basta ape­nas que pos­suam força física. Nes­tes últi­mos, a bur­rice e a igno­rân­cia são até mesmo reco­men­dá­veis, de forma que quais­quer inte­lec­tu­a­li­dade ou cul­tura por sorte pre­sen­tes neste tra­ba­lha­dor bra­çal de exis­tên­cia tosca e rude serão menos­pre­za­das, ver­da­dei­ros moti­vos de desa­bono pessoal.

No con­ví­vio social rural, por exem­plo, será tida como a mais lou­vá­vel a per­so­na­li­dade tra­ba­lha­dora, capaz de enfren­tar “muito bom sujeito, tra­ba­lha­dor“de maneira incan­sá­vel lon­gas jor­na­das de tra­ba­lho sob sol e chuva. Freqüen­te­mente se ouve, entre con­ver­sas, expres­sões como “muito bom sujeito, tra­ba­lha­dor”, “uma grande pes­soa, tra­ba­lhava de sol a sol”. Tam­bém se per­cebe que, a este tipo de pes­soas, se faz vis­tas gros­sas para toda e qual­quer falha de cará­ter que por ven­tura possa exis­tir, desde que tra­ba­lhe como um boi de carga.

Ora, como os bois tam­bém pos­suem grande capa­ci­dade de tra­ba­lho, se pode­ria até con­cluir que os tra­ba­lha­do­res bra­çais são tão valo­rá­veis quanto um bovino, não fosse a dife­rença essen­cial de que não se tolera um boi sem cará­ter: ao menor sinal de imper­ti­nên­cia ou geni­o­si­dade, este será sub­me­tido ao açoite e, caso insis­tir com birra em tal com­por­ta­mento, lhe será reser­vado uni­ca­mente o direito de virar churrasco.

Dessa forma, me per­mito con­cluir que a única dife­rença entre um ser humano de manei­ras rudes e per­so­na­li­dade pouco lou­vá­vel, porém tra­ba­lha­dor, e um boi é que, no pri­meiro, as falhas de cará­ter são facil­mente perdoadas.

Todo bônus tem seu ônus. Qual é o preço pago pelo conhecimento?

Publicado em 27 de julho de 2004 por Olegario Schmitt

Refle­xão (Auto­re­trato)
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Há alguns dias, enquanto andava na rua, per­cebi um grupo de pes­soas rindo feito uns dia­bos. É incrí­vel como a inte­lec­tu­a­li­dade reflete-se na expres­são das faces e, dessa forma, pude per­ce­ber cla­ra­mente o nível cul­tu­ral desse grupo. Fiquei abis­mado ao ouvir que eles riam-se das mai­o­res boba­gens, das mai­o­res idi­o­ti­ces ima­gi­ná­veis, de coi­sas sem sentido.

Lembrei-me de ime­di­ato do conto de Vol­taire, His­tó­ria de Um Brâ­mane, lido ainda na minha ado­les­cên­cia, onde ele, per­ce­bendo que as pes­soas menos cul­tas pare­ciam ser mais feli­zes, ques­ti­ona o valor do conhe­ci­mento e da cultura.

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Uma sopa improvável.

Publicado em 28 de junho de 2004 por Olegario Schmitt

Série Ara­nhas e Insetos

Freqüen­te­mente os homens se rela­ci­o­nam com seus prín­ci­pes como fazem com seu deus, o prín­cipe tendo sido mui­tas vezes o repre­sen­tante do deus, seu sumo sacer­dote, pelo menos¹. Mas para algo exis­tir mesmo — um deus, um bicho, um uni­verso, um anjo... — é pre­ciso que alguém tenha cons­ci­ên­cia dele. Ou sim­ples­mente que o tenha inven­tado².

A esse medo dos pode­res invi­sí­veis, inven­ta­dos ou ima­gi­na­dos a par­tir de rela­tos, chama-se reli­gião³, então não des­ças os degraus do sonho para não des­per­tar os mons­tros. Não subas aos sótãos — onde os deu­ses, por trás das suas más­ca­ras, ocul­tam o pró­prio enigma. Não des­ças, não subas, fica. O mis­té­rio está é na tua vida! É um sonho louco este nosso mundo², o homem é o lobo do homem³.

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atra­vés do abuso exas­pe­rante do mais barato meio de agi­ta­ção, a afe­ta­ção moral, bus­cam inci­tar o gado de chi­fres que há no povo” — Nietzs­che In: Gene­a­lo­gia da Moral

Publicado em 03 de junho de 2004 por Olegario Schmitt

Nietzs­che estava certo ao afir­mar que o povo é como gado.

Seja­mos, por­tanto, com­pre­en­si­vos — jamais com­pla­cen­tes — com a massa.

A maté­ria bruta não assi­mila o eté­reo: não lê poe­sia e acha Vivaldi um chato. Pre­fere revis­tas de moda e bati­das de martelo.

O gado não diz obri­gado, não pede des­cul­pas, des­co­nhece o que sejam sen­ti­men­tos nobres.

Pesando os chi­fres sobre suas cabe­ças, olha na dire­ção em que suas almas apon­tam: o chão. Por isso são tris­tes e andam de cabe­ças baixas.

E na sua exis­tên­cia, fora a cria, o pasto e a bosta, nada mais faz sentido.

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