Palavra-chave: morte

Resultados para a palavra-chave morte

morte

Onomatopéias, metáforas, hipérboles e catacreses…

Publicado em 21 de maio de 2010 por Olegario Schmitt

Imagem tosca, porque eu estava com preguiça

Hoje é Dia da Língua Nacional, essa mesma que a nova reforma ortográfica tentou destruir.

Então façamos todos um clap-clap para as onomatopéias e nos permitamos afundar no poço das metáforas enquanto derramamos rios hiperbólicos de lágrimas e, catacrésicos, fritamos o coco da cabeça pela morte do trema e do acento da ideia.

Conto funesto, surrealista e alucinado

Publicado em 15 de março de 2010 por Olegario Schmitt

Mesmo o sol tendo acabado de se por, a temperatura ainda deve estar em torno de 35 graus. O ventilador de teto, de modelo antiquado e pás muito largas, gira vagarosamente sobre sua cabeça, mal e mal insinuando uma leve brisa. A noite vai caindo enquanto as luzes matizadas da rua vão tingindo lentamente a sala. Ele arrasta-se sem ânimo até o toca-discos e põe para tocar sua inseparável Suíte para Solo de Violoncelo.

A música preenche o ambiente com os timbres angustiantes daquele instrumento, cujo som ele acredita se assemelhar ao choro inconsolável que brota do fundo da garganta de uma viúva. É completamente tomado por mal de vivre um estado de torpor, parte causado pela própria temperatura, parte pelo mal de vivre que lhe acompanha desde sempre, monstrinho de estimação esse ao qual alimenta incessantemente com novos desestímulos, seja calor, música, ou pensamentos obscuros.

Afunda-se na poltrona da sala a qual, com uma perna frouxa, balança sob seu peso. A modorra que brota vigorosamente do fundo de suas entranhas vai crescendo cada vez mais conforme se deixa invadir pelos acordes graves do violoncelo.

Com uma mão, seca o suor pastoso que lhe escorre da testa e coça a sua barba de há dias, enquanto a outra lhe fornece um dedo ávido o qual vai introduzindo com desespero e sofreguidão bem fundo“limpando o salão” no seu nariz. Em gestos circulares, cavouca o interior de seu septo buscando lá dentro alguma coisa, uma idéia escondida, uma lágrima solidificada, um pedaço do próprio cérebro que tenha escorrido pelas narinas, qualquer coisa que torne sua vida pior.

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Entenda quando os marginais se tornam Senhores

Publicado em 11 de junho de 2009 por Olegario Schmitt

“Qual a sua opinião sobre pichações?” foi a única pergunta feita a trabalhadores, comerciantes, moradores e transeuntes de uma determinada rua de São Paulo.

Algumas de suas respostas estão nesse vídeo.

Os quatro anos do blog e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse

Publicado em 16 de maio de 2008 por Olegario Schmitt

Albrecht Dürer - Os 4 Cavaleiros do Apocalipse

Num mundo onde cada vez mais se percebe uma generalizada falta de leitmotiv, de ausência de caráter, a selvageria do individualismo desenfreado afetando todo o coletivo, inclusive as pessoas praticantes dessas atitudes, há quatro anos nascia o Sinal dos Tempos Blog. Com logo exibindo uma bomba atômica, escrito por um cara utilizando máscara química, o Blog nunca teve intenção de ser oásis em meio a esse deserto.

Portanto, antes de comemorar os cerca de 200 visitas e 2500 hits diários — isso num ambiente sem fadinhas ou borboletinhas esvoaçantes —, é importante que se mantenha vivo o propósito desse espaço.

Gostaria de ter associado o número de aniversários com as estações do ano, se estas ainda existissem, ou quiçá com os pontos cardeais, se a humanidade não tivesse perdido seu norte há muito tempo. Até os néscios percebem que o mundo está mudando e por muitas vezes é inevitável adotar certo tom apocalíptico: são quatro anos e eram quatro cavaleiros, sinalizando a conquista, o extermínio, a fome e a morte.

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Até onde vai o seu conceito de “normal”?

Publicado em 23 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Parem o Mundo Que Eu Quero Descer (Auto-Retrato)

O mundo anda um não sei quê pra não sei como.

A coisa está assim já faz tempo: matam-nos aos poucos, um punhado de cada vez.

Depois das guerras — com seus milhões de mortos, a eliminação de mais de 6 milhões de judeus, milhares de japoneses e vietnamitas, além dos africanos que, desde sempre, morrem de fome todos os dias — a gente pensou que o inferno havia estabilizado dentro dessa “normalidade”. Estávamos acostumados a pensar que o mundo era assim mesmo e qualquer eliminação em massa já era tão déjà vu que não causava mais frisson.

Então explodiram as Torres Gêmeas.

Ainda abalados pelo choque da tragédia, pensamos que agora sim já haviam mortes suficientes e poderíamos voltar a viver na “paz” de antes.

Mas logo invadiram o Iraque, centenas foram mortas num teatro da Rússia, explodiram um trem em Madri e, sim, ficamos chocados.

Quando degolaram Nick Burg, com imagens transmitidas pela TV, nos questionamos profundamente “dego­la­ram mais um — não é mais novidade”sobre o valor da vida humana. Mas como as degolas continuam até hoje, agora só se diz “degolaram mais um” — não é mais novidade.

Diariamente no Iraque são mortas tantas pessoas quanto nesse atentado da Espanha, mas parece que quando os mortos são sempre os mesmos, isso só serve para estatística e tudo fica dentro dessa maldita “normalidade”. A realidade é que já estamos tão acostumados com iraquianos sendo mortos que quando vemos no noticiário que morreram mais 50 num atentado, isso nos choca muito menos do que se dissessem que morreram 50 num atentado em Madri. É como se os iraquianos pudessem ser livremente mortos, que nem ligamos, mas os americanos e os espanhóis não.

Eu fico me perguntando: nosso futuro é assim, habituado a tantas mortes? Até que ponto esse nosso conceito coletivo de “normalidade” pode ser esticado?

E por que é, afinal, que os “donos” do Mundo não apertam aquele maldito botão e acabam com todos nós de uma vez? Será que eles são assim tão sádicos que preferem ir matando-nos aos poucos?

Todos eliminados, acabariam-se os problemas do mundo! Num único golpe racistas e negros, puritanos e homossexuais, nazistas e judeus, católicos e muçulmanos — sobretudo os culpados pelo crime de serem direfentes da maioria.

Será mesmo preciso que sejamos mortos assim, pouco a pouco, um punhado de cada vez, dentro dessa maldita “normalidade”?

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