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guerra

Em homenagem à descoberta do Bóson de Higgs, a dita “Partícula de Deus”

Publicado em 11 de outubro de 2013 por Olegario Schmitt
michelangelo

 

Quanto avanço já não teríamos feito se nos ocupássemos mais em descobrir a Verdade em detrimento de simplesmente ganhar discussões? Pelo contrário, parece que o que queremos mesmo é ter razão! “Ter razão”, aliás, é um contra-senso, assim como seria a expressão “estar certo” — é inerente à natureza humana querer que seu pensamento seja considerado como verdadeiro, não importando muito se ele verdadeiramente o seja.

Isso parece ser expressão de uma outra característica que permeia o comportamento humano, e talvez a pior delas: a sede pelo Poder. PoderDeter a verdade infere em exercer poder sobre quem não a detém, significa decidir e controlar o que é certo e o que é errado, o que é verdadeiro e o que é falso, de acordo com as próprias conveniências e com o uso do raciocínio ou da força, tanto faz.

Porque se estivéssemos realmente preocupados em alcançar a Verdade, não teríamos discussões, mas unicamente diálogos. Estabeleceríamos relações dialéticas, no sentido platônico do termo: “debate entre interlocutores comprometidos com a busca da verdade, através do qual a alma se eleva, gradativamente, das aparências sensíveis às realidades intangíveis ou idéias”. Em lugar disso o que mais vemos são as guerras, embates em escala global ou pessoal, e ambos igualmente devastadores à evolução humana, com cada um dos lados querendo estar mais certo do que o outro.

Nós já passamos da primeira década do Século XXI e isso é extremamente grave. Após os mais de mil anos de trevas da Idade Média pensávamos que, finalmente, havíamos renascido e alcançado a Era das Luzes.Era das
Cruzadas
Um milênio de controle da Igreja sobre o que deveria ser considerado verdade, com aqueles que discordavam sendo convenientemente traspassados pelas lanças dos Cruzados ou incinerados nas fogueiras da Inquisição, deveria ter sido suficiente para o nosso despertar.

Infelizmente não foi. O que vimos e estamos vendo cada vez mais com o avanço da Ciência, principalmente no último século, está se transformando lentamente numa verdadeira Cruzada Científica, onde apenas o que a Ciência diz ser verdade é efetivamente verdade. Exatamente ao contrário do que a Religião fazia antes.

Mais uma vez recaímos no Calcanhar de Aquiles da humanidade: a necessidade de Poder, seja ele real ou ilusório, trazendo em seu encalço tudo aquilo que a alimenta — vaidade, ignorância e desumanidades. Mais uma vez, em detrimento de estabelecermos relações dialéticas entre “duas” verdades, a Religiosa e a Científica, o que temos é uma guerra constante e tácita pelo poder da Razão, como se houvesse qualquer razão numa guerra.

Para termos uma vaga noção do quanto essa “briga” entre Ciência e Religião é estúpida, e o quanto nós, seres humanos tão científicos, não deveríamos ser tão estúpidos assim, muito pelo contrário, podemos considerar rapidamente alguns pontos de duas teorias “contrárias” de criação: a Teoria Criacionista (religiosa) e a Teoria Evolucionista (científica).

Pela primeira, dizem os textos sagrados que D’us criou Adão e Eva. E logo aí já parece ocorrer um lapso comum de interpretação pois o que D’us criou não foi exatamente Adão, mas ‘āḏām. ‘āḏām é uma expressão de origem hebraica significando tanto ‘āḏām & hawwâ“humano” quanto “a partir da terra” (‘ăḏāmâ: terra, barro). Aquele que nasce de ‘ăḏāmâ (terra) é ‘āḏām: “a partir da terra”, ou “nascido do barro”, ou “humano”, mantendo não por acaso o radical encontrado também em “húmus” (do latim humus: chão, solo, terra). E, a partir de uma costela de ‘āḏām, criou ‘iššâ (mulher), a qual mais tarde seria chamada por ‘āḏām de hawwâ (mãe de tudo o que vive).

É preciso sempre levar em conta o altíssimo nível simbólico, metafórico e metafísico dos textos sagrados. Nenhuma palavra do texto original foi empregada por acaso, cada uma delas possuindo sentidos ocultos intrínsecos e interconectados. É preciso levar em conta também que as religiões, assim como a filosofia, têm origem nos mitos, ou seja, em relatos simbólicos de natureza arquetípica. Talvez o que seja importante nos textos sagrados não é exatamente o que é dito, mas sim o significado do que é dito, o sentido dos fatos e das palavras utilizados para transmitir uma idéia. É a idéia que importa, e não necessariamente o fato em si.

O fato, que ao longo dos séculos foi extensamente adaptado, transcodificado, mal-interpretado e mal-traduzido (intencionalmente ou não), é que em nenhum momento D’us criou um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva, porque Adão e Eva não são substantivos próprios. São, aliás, muito mais adjetivos (“nascido da terra” e “mãe de tudo o que vive”) do que substantivos!

Mas o ser humano em geral tem essa dificuldade inerente em lidar com o sublime e com as idéias abstratas. Dá mais trabalho, exige mais meditação, reflexão e raciocínio: é mais fácil pensar que D’us criou um homem chamado Adão e uma mulher chamada Eva, do que tentarmos alcançar o verdadeiro significado existente na imagem de D’us insuflando seu hálito no barro e fazendo dali surgir a vida.

Some a isso a nossa necessidade estéticanecessidade estética por imagens, e daí para os “retratos” feitos por Michelângelo na Capela Sistina será apenas um pulo!

E, no meio disso tudo, a origem da vida de acordo com a visão religiosa deixa com extrema facilidade de ser um relato simbólico com intenção de transmitir uma mensagem, algo que só pode ser plenamente alcançado dentro de um certo grau de abstração, e passa a ser um fato, inclusive com seus personagens devidamente nomeados (e através da arte sacra eles passaram a ter não apenas um nome, mas também um rosto — é assim que eles se parecem!). D’us não apenas deixa de ser algo inominável, inimaginável e incomensurável, como passa a ser um velho de barba branca posando para os indiscutivelmente maravilhosos retratos de Michelangelo!

Um dos argumentos utilizados por aqueles que afirmam que a Bíblia não passa de literatura, é que a Ciência não apenas diz, mas comprova através de experimentos científicos, que a vida teve sua origem em um sopão orgânico formado principalmente por aminoácidos e proteínas. Afirmam, inclusive, que o barro ou, como gostam de dizer, “os minerais argilosos”, formaram não apenas o suporte, mas também o próprio sistema genético da vida primitiva. ‘āḏām, lembra?, aquele nascido a partir da terra? De que maneira uma coisa nega a outra?

O que a Ciência nunca conseguiu replicar, e muito menos explicar, foi como essa sopa química adquiriu vida de repente, mas afirma veementemente que não foi um sopro divino,nem um sopro de evidência pois “não há evidências científicas” que o comprovem. Mesmo assim ela sabe… ou melhor, a Ciência crê (se não conseguiu provar nem uma coisa nem outra mas ainda afirma que apenas uma delas é verdade, então isso é uma crença, não é?) que não foi o sopro divino com a mais absoluta certeza! Para ela, tolos são apenas os crentes, que crêem sem ter provas!

A Ciência sabe, no entanto, que no princípio eram seres unicelulares muito simples, semelhantes a amebas, que de repente — ela também não sabe como, nem porquê — adquiriram a capacidade de se dividir em dois. O que ela sabe — utilizando palavras no sentido figurado para que a Ciência, essa tola, seja capaz de compreender — é que arrancando a costela de uma ameba, dá pra fazer duas amebas (e me perdoem, ambos os lados, se isso for blasfêmia). Essas amebas então podem fazer sexo e se reproduzir, produzindo outras amebas. Bilhões e bilhões de amebas de anos depois, darwinianamente — e, convenhamos, com inúmeras evidências científicas irrefutáveis —, sabemos que isso acabou por originar seres hominídios, entre outras bestas.

Mas é claro que não foi assim, e agora a Religião é quem sabe, porque se está escrito na que não foram bilhões e bilhões de anos e sim sete dias, começando exatamente num domingo mesmo num tempo em que não existia calendário, então têm de ser exatamente SETE dias. Também não podem se tratar de imagens metafóricas permitindo às pessoas, com toda sua ignorância na época em que os textos foram registrados, compreenderem facilmente os setes estágios de evolução da criação do universo e, sobretudo, entenderem o primordial: “da terra à terra, do pó ao pó”, conforme ratifica cientificamente a Lei de Lavoisier: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Nunca existiram tantos ateus quanto agora. E o resultado geral desse ateísmo está aí para todo mundo ver: decadência moral, cultural e política para todos os lados! Essa é a nossa evolução, é assim que evoluímos de seres religiosos em seres científicos, e é assim que a Ciência tem nos tornado “superiores”. O ser humano até hoje, em pleno Século XXI, falha em compreender que não consegue chumanidade capengaaminhar de maneira eficaz quando unicamente apoiado ou sobre a Ciência ou sobre a Religião, e que talvez seja por isso que temos dois braços, duas pernas, dois olhos e dois hemisférios cerebrais (um, aliás, responsável pelo raciocínio lógico, e o outro pelo pensamento simbólico — mas fazemos mau uso dos dois igualmente). E também acontece, para nossa sorte ou tragédia, de termos apenas uma boca, e é nesse ponto que começa a despencar essa Torre de Babel frágil que é a humanidade, com tantas verdades diferentes sendo vociferadas aos quatro ventos.

Por uma questão de lógica, a Verdade é só uma, não sendo possível que existam duas delas, sobretudo se uma nega a outra e vice-versa. Não houvesse essa espécie de guerra pelo Poder da Verdade, talvez conseguíssemos finalmente admitir que ambas, Religião e Ciência, não são verdades contrárias (não implicando, portanto, que uma delas seja necessariamente falsa), mas sim visões e abordagens diferentes sobre a mesma coisa. E é justamente essa coisa, esse todo como um todo, que é a Verdade. E é justamente esse Todo que a Ciência está a milhas e milhas distante de compreender MINIMAMENTE, que é D’us.

É necessário e saudável que existam vários pontos de vista sobre a mesma Verdade. Talvez nem mesmo seja possível que a Verdade seja alcançada, ou mesmo considerada como tal, se não for dessa forma, a partir da união pacífica e dialética de visões aparentemente dicotômicas. Elas deveriam se somar em vez de se excluírem, permitindo assim que fosse alcançada uma verdade muito mais ampla. Enquanto insistirmos que uma é mais verdadeira do que a outra, ou ainda pior, que apenas uma é a única Verdade verdadeira, continuaremos a nos perder de nós mesmos.

Será apenas com a amplidão do pensamento alcançada através do reconhecimento e da humildade do espírito que poderemos chegar pelo menos a sonhar em estarmos mais perto de algo que possamos chamar de Verdade de Todas as Verdades.

Sensibilidade à flor da pele

Publicado em 01 de março de 2009 por Olegario Schmitt

Pensando em Ristelhueber (Paris, 01/03/2009)

Exposição: Sophie Ristelhueber
Curadoria: Marta Gili
Data: 01/03/2009
Local: Jeu de Paume – Paris/França


Fotógrafa interessantíssima e bastante competente, a qual eu não conhecia anteriormente.

Sua exposição, concomitante à de Robert Frank, ocupava espaço expositivo bastante amplo, com pé direito de aproximadamente 3 metros de altura. As imagens, aproximadamente 30, quadradas e em tamanho grande (aprox. 1,5m x 1,5m), mostravam texturas praticamente abstratas formadas por coisas destruídas em decorrência da explosão de bombas no Iraque.

Note-se que essa é uma temática recorrente da fotógrafa, conforme tive a chance de pesquisar mais tarde: ela registra as cicatrizes deixadas na terra em decorrência da ocupação humana, principalmente através da guerra. Seus temas geralmente mostram restos de explosões ou incêndios, estradas destruídas por bombas.

Muitas imagens aéreas, o a série inteira praticamente uma monocromia, onde predominavam os tons amarelados e ocres. Uma das imagens dessa série mostrava uma estrutura carbonizada no meio do deserto, cujo esqueleto de aproximadamente 3 metros de altura lembrava muito o de uma câmera fotográfica.

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Os quatro anos do blog e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse

Publicado em 16 de maio de 2008 por Olegario Schmitt

Albrecht Dürer - Os 4 Cavaleiros do Apocalipse

Num mundo onde cada vez mais se percebe uma generalizada falta de leitmotiv, de ausência de caráter, a selvageria do individualismo desenfreado afetando todo o coletivo, inclusive as pessoas praticantes dessas atitudes, há quatro anos nascia o Sinal dos Tempos Blog. Com logo exibindo uma bomba atômica, escrito por um cara utilizando máscara química, o Blog nunca teve intenção de ser oásis em meio a esse deserto.

Portanto, antes de comemorar os cerca de 200 visitas e 2500 hits diários — isso num ambiente sem fadinhas ou borboletinhas esvoaçantes —, é importante que se mantenha vivo o propósito desse espaço.

Gostaria de ter associado o número de aniversários com as estações do ano, se estas ainda existissem, ou quiçá com os pontos cardeais, se a humanidade não tivesse perdido seu norte há muito tempo. Até os néscios percebem que o mundo está mudando e por muitas vezes é inevitável adotar certo tom apocalíptico: são quatro anos e eram quatro cavaleiros, sinalizando a conquista, o extermínio, a fome e a morte.

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Receita de Arroz da Condoleezza

Publicado em 18 de outubro de 2006 por Olegario Schmitt

Sua panela está no fogo

Para aqueles que gostam de transformar tudo em ato político, o Sinal dos Tempos Blog fornece em primeira mão a receita exclusiva do Condoleezza Rice. Como se sabe, rice em inglês quer dizer arroz, então esse prato não poderia ter nome mais apropriado.

Ingredientes e seus significados

arroz – referência à própria Secretária de Estado dos EUA, ingrediente-base da receita
cogumelos – para lembrar da questão atômica
carne moída – homenagem aos corpos despedaçados pelas bombas no Iraque
ervilhas – referências múltiplas às questões ambiental/efeito estufa/aquecimento global
caldo de tomate – lembrança de todo o sangue derramado

Os ingredientes devem ser colocados na quantia desejada, ao gosto de cada um.

O Sinal dos Tempos garante que fica uma delícia, o problema é esquecer. Portanto, depois de feito o prato, coma se for capaz! Bon apetit!

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Considerações sobre a nossa sociedade “moderna”, em homenagem às vítimas do holocausto e da bomba atômica

Publicado em 06 de agosto de 2005 por Olegario Schmitt

Até onde vai o seu conceito de “normal”?

Publicado em 23 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Parem o Mundo Que Eu Quero Descer (Auto-Retrato)

O mundo anda um não sei quê pra não sei como.

A coisa está assim já faz tempo: matam-nos aos poucos, um punhado de cada vez.

Depois das guerras — com seus milhões de mortos, a eliminação de mais de 6 milhões de judeus, milhares de japoneses e vietnamitas, além dos africanos que, desde sempre, morrem de fome todos os dias — a gente pensou que o inferno havia estabilizado dentro dessa “normalidade”. Estávamos acostumados a pensar que o mundo era assim mesmo e qualquer eliminação em massa já era tão déjà vu que não causava mais frisson.

Então explodiram as Torres Gêmeas.

Ainda abalados pelo choque da tragédia, pensamos que agora sim já haviam mortes suficientes e poderíamos voltar a viver na “paz” de antes.

Mas logo invadiram o Iraque, centenas foram mortas num teatro da Rússia, explodiram um trem em Madri e, sim, ficamos chocados.

Quando degolaram Nick Burg, com imagens transmitidas pela TV, nos questionamos profundamente “dego­la­ram mais um — não é mais novidade”sobre o valor da vida humana. Mas como as degolas continuam até hoje, agora só se diz “degolaram mais um” — não é mais novidade.

Diariamente no Iraque são mortas tantas pessoas quanto nesse atentado da Espanha, mas parece que quando os mortos são sempre os mesmos, isso só serve para estatística e tudo fica dentro dessa maldita “normalidade”. A realidade é que já estamos tão acostumados com iraquianos sendo mortos que quando vemos no noticiário que morreram mais 50 num atentado, isso nos choca muito menos do que se dissessem que morreram 50 num atentado em Madri. É como se os iraquianos pudessem ser livremente mortos, que nem ligamos, mas os americanos e os espanhóis não.

Eu fico me perguntando: nosso futuro é assim, habituado a tantas mortes? Até que ponto esse nosso conceito coletivo de “normalidade” pode ser esticado?

E por que é, afinal, que os “donos” do Mundo não apertam aquele maldito botão e acabam com todos nós de uma vez? Será que eles são assim tão sádicos que preferem ir matando-nos aos poucos?

Todos eliminados, acabariam-se os problemas do mundo! Num único golpe racistas e negros, puritanos e homossexuais, nazistas e judeus, católicos e muçulmanos — sobretudo os culpados pelo crime de serem direfentes da maioria.

Será mesmo preciso que sejamos mortos assim, pouco a pouco, um punhado de cada vez, dentro dessa maldita “normalidade”?

Uma sopa improvável.

Publicado em 28 de junho de 2004 por Olegario Schmitt

Série Aranhas e Insetos

Freqüentemente os homens se relacionam com seus príncipes como fazem com seu deus, o príncipe tendo sido muitas vezes o representante do deus, seu sumo sacerdote, pelo menos¹. Mas para algo existir mesmo — um deus, um bicho, um universo, um anjo… — é preciso que alguém tenha consciência dele. Ou simplesmente que o tenha inventado².

A esse medo dos poderes invisíveis, inventados ou imaginados a partir de relatos, chama-se religião³, então não desças os degraus do sonho para não despertar os monstros. Não subas aos sótãos — onde os deuses, por trás das suas máscaras, ocultam o próprio enigma. Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! É um sonho louco este nosso mundo², o homem é o lobo do homem³.

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