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Em nome da Moral e dos Bons Costumes: educações e deseducações, orientações e desorientações, ensinos e desensinos.

Publicado em 10 de junho de 2013 por Olegario Schmitt
Pintura de um homem árabe - Autor desconhecido

Pintura de um homem árabe – Autor desconhecido

 

Cerca de 50 alunos e alunas do colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, foram à escola vestindo saia na manhã desta segunda-feira (10).

Foi um protesto pelo fato de o colégio ter censurado o comportamento de dois alunos que usaram saia, um na quinta-feira (6), durante uma festa junina, e outro na sexta (7).

Fonte: Folha de São Paulo

 

É interessante perceber que, em pleno 2013, muitos pedadogos e educadores continuam com o pensamento engessado nos modelos positivistas, fascistas e autoritários do início do século passado, onde cada aluno deve necessariamente estar enquadrado dentro de um molde pré-fabricado. Me parece que os sistemas de coordenação “pedagógica” das instituições de “ensino”, que deveriam se antecipar para estarem preparados, desde sempre estão e para sempre estarão correndo atrás do prejuízo.

Isso abre espaço para que aconteçam verdadeiros absurdos “pedagógicos”. Quando eu era criança, por exemplo, era levado pelo menos uma vez por semana para conversar com a “Orientadora” Educacional por preferir ler em vez de brincar com os outros meninos… o que, portanto, fazia de mim um anormal que não se enquadrava no molde-tijolinho pré-fabricado por sabe-se-lá-quem.

— Mas qual é o problema contigo?
— Nenhum, por quê?
— Porque tu preferes ler em vez de brincar.
— Eu acho ler melhor que brincar, só isso.

Dentro da minha cabeça era normal preferir ler em vez de brincar. E ainda é até hoje! Bom, era normal até minha Orientadora Educacional ter me apontado que não era, de forma que até hoje,normal & anormal lá no fundo, aqueles diálogos, aqueles olhares inquisitivos que ela me lançava, como que escrutinando minha alma, juntamente com todo sentimento de inadequação criado justamente por ela, ainda ecoam em minha mente. Na época como resultado eu só fazia ler ainda mais — não queria ter nada com aquele mundo onde ler, mesmo dentro da escola, era errado.

Depois de ter lançado alguns livros e ter ganho alguns prêmios de literatura, até pensei em retornar àquele lugar para fazer uma doação… mas ele não merecia isso. Sobretudo, não mereciam isso determinados “educadores” que faziam parte dele. Depois de tudo ainda dar-lhes a oportunidade de se gabarem de terem sido meus professores?… isso é além da minha capacidade. De qualquer forma, Escolas Irmão José Otão, Marieta D’Ambrósio e Gomes Carneiro da cidade de Santa Maria/RS, hoje lhes mando um olá… Ou seria um Olé?

Talvez o que mais choque é que essas instituições (e as pessoas por trás delas) trabalham com EDUCAÇÃO, ou seja, com formação e construção de indivíduos… mas que tipo de indivíduos acabam formando? E que tipo de indivíduos esses indivíduos formados formam depois?

Pois bem, para nossa sorte os tempos e as juventudes mudam ciclicamente, do contrário talvez ainda fôssemos ensinados que o Sol gira ao redor da Terra. Para a juventude do século 21 as questões de costume de gênero são grandes bobagens… como sempre foram, na verdade. Mas sem perderem o ciclo do escândalojamais sua capacidade de causar escândalo. Vale lembrar que em meados do século passado mulheres eram antagonizadas por usarem calças compridas, e as desbravadoras que o faziam eram consideradas moças de baixa moral. Já o corte de cabelo ridiculamente tolo dos Beatles, coisa de vagabundos. Isso sem falar que cabelos compridos, excetuando-se os de Jesus Cristo, obviamente eram coisas de menina. Se soubessem como andam os cabelos hoje em dia… que juventude perdida!

Ciclicamente, como o Sol ao redor da Terra, voltamos à era do questionamento da indumentária de gênero, e meninos usando saia são a bola da vez. Provavelmente em outros tempos tivessem sido jogados na fogueira real em vez dessa de agora, metafórica e psicológica. Meninos usando saia… vejam que absurdo! Gil e Caetano já o fizeram, assim como os samurais japoneses e todo o exército romano. Os escoceses ainda o fazem de vez em quando, à similaridade dos árabes que preferem vestidos longos o tempo inteiro.

Particularmente, dentro do nosso contexto cultural, acho meio ridículo meninos se vestirem assim, pois realmente não faz parte do nosso costume e isso causa estranhamento. Mas acima, bem acima disso tudo, deveria estar o respeito ao direito deles usarem saia se quiserem. De parecerem ridículos aos meus olhos e aos olhos de outros se assim o quiserem. Que mal faz ao mundo um menino de saia afinal?

Sim, é um atentado à moral e aos bons costumes. Mas é uma lástima que o respeito à individualidade, por mais esquisita que a individualidade alheia possa nos parecer, não seja um bom costume. É uma lástima que o respeito à diferença seja imoral. É uma lástima que, em pleno século 21, os sistemas de ensino ainda ensinem a discriminação e a segregação para tudo que não se encaixe no molde-pré-estabelecido-por-ninguém. Sim, realmente essa situação toda é um grande atentado — contra a verdadeira Moral e contra todo costume verdadeiramente Bom.

Proposta para novo sistema de avaliação de alunos em sala de aula

Publicado em 31 de maio de 2011 por Olegario Schmitt

Foto: Nalú Nogueira

Piagets, Vygotskys e Paulo Freires depois, muito se pensou e se fez pela educação. E isso certamente produziu melhores professores, apesar de não parecer estar produzindo melhores alunos.

Dessa forma, sugiro que o sistema de avaliação não parta do desconstrutivo Zero, onde o aluno vai adicionando notas até alcançar o (improvável) 10. Nesse novo sistema, chamado Aluno Nota Dez, todo aluno já entra no primeiro dia de aula com nota máxima, e irá perdendo pontos de acordo com os seguintes critérios:

 

Chegar atrasado

– Menos 0,1 ponto por minuto

 

Fazer pergunta cretina

– Menos 0,5 ponto por pergunta (exceto se o professor der uma resposta ainda mais cretina, então fica por isso mesmo)

 

Conversar com os colegas durante a aula

– Menos 0,1 ponto por sílaba

 

Fazer pergunta que já foi respondida mas o aluno não sabia porque não estava em sala de aula

– Menos 1,0 ponto ou 2,0

 

Não fazer o exercício e/ou esquecer de levá-lo no dia proposto para discussão em grupo

– Menos 2,0 pontos

 

Não elogiar a beleza física do professor

– Menos 1,0 ponto por aula

 

Não elogiar a beleza intelectual do professor

– Menos 1,5 ponto por aula
– 10 apoios

 

Pensar que o professor nunca ouviu essa mesma desculpa esfarrapada antes

– Menos 2,0 pontos
– Uma martelada em cada unha
– 10 apoios

 

Não ler o texto proposto para a aula

– Menos 1,0 ponto por parágrafo
– 20 apoios
– 10 chibatadas

 

Roubar idéia dos colegas, esquecer de desligar o celular ou mandar SMS em horário de aula

– Menos 2,0 pontos
– 20 chibatadas
– Recuperação para o resto da vida

 

Fazer “releitura” de outras obras, colocar o título do trabalho em francês quando existe expressão equivalente em português, explorar o “limite entre sonho e realidade”, utilizar a licença poética em vão e/ou utilizar a palavra “hermético” em qualquer lugar da justificativa

– Menos 5,0 pontos
– 60 apoios
– 30 chibatadas por aula até o final do semestre

 

Ter estilo inspirado na banda Restart, usar cabelo “dread locks” ou agredir o senso estético do professor de qualquer outra maneira tão abominável quanto estas

– Menos 50 pontos
– 300 apoios
– 150 chibatadas por aula até o final do semestre
– Execração pública
– Recuperação para o resto da vida

 

Mãe, pai ou responsável reclamando do professor, falar mal do professor pelas costas ou xingar muito no Twitter

– Recuperação para o resto da vida e por mais três encarnações consecutivas, a partir do prézinho.

Roteiro para esquete teatral

Publicado em 10 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Esse roteiro é baseado em fatos reais. Por esse motivo, os “personagens” da história são tratados por nomes genéricos como Professor e Aluno, preservando-se suas identidades.

Professor: Sou um ser humano excepcional e ótimo professor. Adoro ser corrigido, pois penso não ser o detentor de todo Conhecimento.

Aluno (em pensamento): Que legal, um Homem de verdade. Tão raro hoje em dia…

Professor (escrevendo no quadro): A maçã é azul.

Aluno: Professor, eu já pesquisei o assunto e a maçã é vermelha.

O Professor permanece em silêncio.

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