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diferença

Você não gosta de mim? Ainda bem. Obrigado.

Publicado em 23 de setembro de 2009 por Olegario Schmitt

Não há coisa que intimamente mais me cause prazer no mundo do que saber ou perceber-me odiado.

Isso se dá porque aqueles que me amam possuem em relação a mim certa proporção de similaridade: amam-me somente porque até certo ponto sou similiar a elas mesmas e é provável que pessoa alguma ame a alguém que não seja si própria.

De minha parte, amo-as pelos mesmos motivos: amá-las é unicamente amar o tanto de mim que vejo nelas, já que ao restante desprezo.

Igualmente, saber-me amado por determinadas pessoas me seria um castigo tão insuportável que gosto quando elas me odeiam pois assim tenho certeza de que não somos iguais em nada.

Sobre “A produção social da identidade e da diferença” de Tomaz Tadeu da Silva

Publicado em 23 de setembro de 2009 por Olegario Schmitt

O autor discorre nesse ensaio como se dá o processo social de construção da identidade e da diferença. Isso que ele chama de “pedagogia da diferença”, é fundamental para a estruturação do seu pensamento uma vez que todo nosso processo cognitivo comumente é construído sobre a “pedagogia da igualdade” (ou, com outras palavras, da “pedagogia da identidade”).

Como a construção cultural de sentido conscientemente se dá por analogia e não por antinomia1, por isso se mostra imprescindível toda a parte inicial do ensaio, justamente para desconstruir esse “linguagem: sistema de diferenças”vício lingüístico: citando Sausurre, Da Silva aponta o inconsciente desse processo: “a linguagem é, fundamentalmente, um sistema de diferenças”. Ao mostrar que ao dizer “vaca”, ao mesmo tempo se diz “não-porco”, “não-cavalo”, etc., nos apresenta o caminho contrário daquilo que consideramos a construção do conhecimento: ao dizermos os sinônimos estamos dizendo igualmente todos os antônimos. Isso obviamente faz todo o sentido, mas nunca pensamos nisso.

Todo o discurso sobre a construção dos signos é uma espécie de engenharia reversa da atribuição da identidade e da diferença e, afinal, é apenas compreendendo intrinsecamente a dinâmica de um determinado processo que se torna possível desconstruí-lo.

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Qual é o sentido das coisas?

Publicado em 18 de Maio de 2008 por Olegario Schmitt

As coisas não têm sentido,
porque único sentido que existe nas coisas
é o sentido que lhes atribuímos.

Assim sendo posso atribuir
qualquer sentido à qualquer coisa
que não fará diferença nenhuma.

Atribuo, por exemplo, o sentido
de candelabro a meus dedos.

E o céu é verde-claro nos dias de sol
e verde-musgo durante
as noites e dias de chuva.

E as armas são pirulitos
e as balas são borboletas
e o sangue é o caramelo da vida.

Sei que meus dedos continuam apagados
e que o céu ainda é dessa cor
que a gente pensa que é azul,
mas gosto de imaginá-los assim
porque o mundo é do jeito que eu vejo
e o vejo do jeito que eu quero ver.

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