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dante

É “fogo que arde sem se ver”, mas não é amor

Publicado em 17 de setembro de 2009 por Olegario Schmitt

Série Instantâneos Conceituais ou Non-Sense Sobre o Destino de Uma Cabeça de Fósforo

Erra muito menos quem, com olhar sombrio, considera esse mundo como uma espécie de inferno e, portanto, só se preocupa em conseguir um recanto à prova de fogo.
Schopenhauer In: Aforismos Para a Sabedoria de Vida

De pecador metido em tal orifício ficava de fora dos pés à barriga da perna, ficando oculto o resto do corpo. Ardiam-lhes as plantas dos pés, acesas por inteiro, e nesse sofrer tanto se estorciam que teriam podido romper laços e cordas. Do calcanhar aos dedos corriam chamas, inflamadas como se flamejassem sobre corpo untado com gordura.
Dante In: A Divina Comédia, Canto XIX do Inferno

A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno.
Evangelho de Tiago, 3,6

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Deixai toda a esperança, vós que entrais no Brasil

Publicado em 22 de outubro de 2007 por Olegario Schmitt

Esra Ersen - 27ª Bienal de São Paulo

Não se iluda: no arco da nossa porta verde-amarela, nem Gonçalves Dias, nem Bilac, mas Dante, Canto III do Inferno: “Deixai toda a esperança, vós que entrais”.

O Brasil não tem jeito. A realidade é esta. Aceitemo-na tal qual ela é: dura, fria, amorfa como os corpos do mais novo acidente aéreo.

O que fazemos quando um político investigado por corrupção toma posse? NADA. O que fazemos quando acontece mais um acidente aéreo? Continuamos tomando vôos no mesmo aeroporto e, assim como o presidente, manifestamos comiserações de alcova.

Todos “Deixai toda a esperança, vós que entrais” – Dantesabem que nada acontecerá, porque nada acontece mesmo. E não acontece porque ninguém faz nada: nem você. Não acontece porque ninguém está nem aí: reclamamos e paramos em mão-dupla, devolvemos carteiras perdidas e jogamos lixo no chão. Tudo não passa de uma grande festa! Ôba! Ôba! Rouba! Rouba!

A grande maioria que estufa o peito e diz que o Brasil tem jeito está na verdade confundida: isto que chamam esperança não é nada mais do que ilusão. Portanto, abandonar toda a esperança já é um bom começo — o ceticismo niilista pode ser obscuro, desesperador e tristíssimo, mas certamente não é iludido.

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Todo bônus tem seu ônus. Qual é o preço pago pelo conhecimento?

Publicado em 27 de julho de 2004 por Olegario Schmitt

Reflexão (Autoretrato)
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Há alguns dias, enquanto andava na rua, percebi um grupo de pessoas rindo feito uns diabos. É incrível como a intelectualidade reflete-se na expressão das faces e, dessa forma, pude perceber claramente o nível cultural desse grupo. Fiquei abismado ao ouvir que eles riam-se das maiores bobagens, das maiores idiotices imagináveis, de coisas sem sentido.

Lembrei-me de imediato do conto de Voltaire, História de Um Brâmane, lido ainda na minha adolescência, onde ele, percebendo que as pessoas menos cultas pareciam ser mais felizes, questiona o valor do conhecimento e da cultura.

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