Palavra-chave: d. h. lawrence

Resultados para a palavra-chave d. h. lawrence

d. h. lawrence

“Um ser pequeno, frágil, meio-animado”…

Publicado em 14 de junho de 2007 por Olegario Schmitt

Você sabe como é nascer sozinho,
Bebê tartaruga!
O primeiro dia a levantar seus pés pouco a pouco para fora da casca,
Ainda não desperto,
E manter-se estendido na terra,
Ainda nem bem vivo.

Um ser pequeno, frágil, meio-animado.

Abrir sua boquinha bicuda, que parece como se nunca fosse abrir,
Como uma porta de ferro;
Levantar do chão a parte de cima do bico de falcão
E estender seu pescocinho magro
E dar sua primeira mordida em algum pedacinho de erva,
Sozinho, pequeno inseto,
Olhinhos brilhantes,
Ser lento.

Dar sua primeira mordida solitária
E mover-se em sua caça lenta e solitária.
Seu olhinho escuro e brilhante,
Seu olhinho de uma noite escura e perturbada,
Sob sua carapaça lenta, pequeno bebê tartaruga,
Tão indomável.
Ninguém nunca ouviu você reclamar.

Continuar lendo »

“Hermoso es!”

Publicado em 05 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

O Leão da Montanha

D. H. Lawrence


Elevando-se através da neve de janeiro, dentro do Cânion do Lobo
Escuros crescem os abetos, azul é o bálsamo, sons de água ainda não congelada, e a trilha ainda está evidente.

Homens!
Dois homens!
Homens! O único animal do mundo a temer!

Eles hesitam.
Nós hesitamos.
Eles têm uma arma.
Nós não temos nenhuma.

Então todos avançamos, para encontrarmo-nos.

Dois mexicanos, forasteiros, emergindo da escuridão e da neve e das entranhas do Vale do Lobo.
O que eles estão fazendo aqui nesta trilha que desaparece lentamente?

O que ele estará carregando?
Algo amarelo.
Um cervo?

Qué tiene amigo? —
León —

Ele sorri tolamente, como se fosse pego fazendo algo errado.
E nós sorrimos, tolamente, como se não soubéssemos.
Ele está bastante dócil e ao mesmo tempo soturno.

É um leão da montanha,
Um gato longo, esguio, amarelo como uma leoa.
Morta.

Capturou-a esta manhã, ele diz, sorrindo abobalhado.

Levanta sua face,
Sua face redonda, resplandescente, brilhante como geada.
Sua cabeça redonda, bem desenhada, com duas orelhas mortas:
E listras no gelo brilhante da sua face, raios escuros delicadamente pontiagudos,
Raios escuros, afiados, delicados no gelo brilhante de sua face.
Lindos olhos mortos.

Hermoso es!

Continuar lendo »

“Ela disse também para mim”

Publicado em 05 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

Daydreaming – Anton J. C. Lemmers
(Man seeing himself as the ultimated power in a vision of a bizon bull)

‘Ela Disse Também Para Mim’

D. H. Lawrence


Ela disse também para mim: ‘Por que você está envergonhado?
Aquela porção de peito que aparece entre
a abertura da sua camisa, por que cobrí-la?
Por que suas pernas e suas coxas bem fortes não deveriam
ser ásperas e cabeludas? — Estou contente que elas sejam assim.
Você é tímido, seu bobinho, sua coisinha bobinha e tímida.
Os homens são as criaturas mais tímidas, eles nunca sairão
de suas carapaças. Como qualquer cobra
dormindo em sua cama de folhas mortas, vocês correm para suas roupas.
E eu os amo tanto! Ereto e limpo e típico é o corpo de um homem,
como um instrumento, uma espada, como uma lança, ou um remo,
que regozijo para mim —’
Então ela deslizou suas mãos e contornou minha silhueta,
de tal forma que eu comecei a pensar sobre mim mesmo, e o que eu era.

Continuar lendo »

“se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda”

Publicado em 02 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

David Herbert Lawrence
11/09/1885 – 02/03/1930

Pelo papel que conferiu à paixão amorosa, às vezes em meticulosas descrições do amor físico, o britânico D. H. Lawrence causou polêmica em sua época, porém mais tarde passou a ser visto como um dos renovadores da prosa de ficção no século XX.

David Herbert Lawrence nasceu em Eastwood, Nottinghamshire, em 11 de setembro de 1885. Formou-se em Nottingham e lecionou durante dois anos.

Estreou na literatura com o romance The White Peacock (1911; O pavão branco), mas só com Sons and Lovers (1913; Filhos e amantes), autobiográfico, “proibido, tumultuado e obsceno”chamou alguma atenção. Lançou no mesmo ano seus Love Poems and Others (Poemas de amor e outros).

Em 1914 casou-se com a aristocrata alemã Frieda von Richthofen, com quem viveu relação tumultuada.

Continuar lendo »

Designed by