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Acróstico fotográfico

Publicado em 14 de janeiro de 2009 por Olegario Schmitt

Considerações sobre a nossa sociedade “moderna”, em homenagem às vítimas do holocausto e da bomba atômica

Publicado em 06 de agosto de 2005 por Olegario Schmitt

Até onde vai o seu conceito de “normal”?

Publicado em 23 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

Parem o Mundo Que Eu Quero Descer (Auto-Retrato)

O mundo anda um não sei quê pra não sei como.

A coisa está assim já faz tempo: matam-nos aos poucos, um punhado de cada vez.

Depois das guerras — com seus milhões de mortos, a eliminação de mais de 6 milhões de judeus, milhares de japoneses e vietnamitas, além dos africanos que, desde sempre, morrem de fome todos os dias — a gente pensou que o inferno havia estabilizado dentro dessa “normalidade”. Estávamos acostumados a pensar que o mundo era assim mesmo e qualquer eliminação em massa já era tão déjà vu que não causava mais frisson.

Então explodiram as Torres Gêmeas.

Ainda abalados pelo choque da tragédia, pensamos que agora sim já haviam mortes suficientes e poderíamos voltar a viver na “paz” de antes.

Mas logo invadiram o Iraque, centenas foram mortas num teatro da Rússia, explodiram um trem em Madri e, sim, ficamos chocados.

Quando degolaram Nick Burg, com imagens transmitidas pela TV, nos questionamos profundamente “dego­la­ram mais um — não é mais novidade”sobre o valor da vida humana. Mas como as degolas continuam até hoje, agora só se diz “degolaram mais um” — não é mais novidade.

Diariamente no Iraque são mortas tantas pessoas quanto nesse atentado da Espanha, mas parece que quando os mortos são sempre os mesmos, isso só serve para estatística e tudo fica dentro dessa maldita “normalidade”. A realidade é que já estamos tão acostumados com iraquianos sendo mortos que quando vemos no noticiário que morreram mais 50 num atentado, isso nos choca muito menos do que se dissessem que morreram 50 num atentado em Madri. É como se os iraquianos pudessem ser livremente mortos, que nem ligamos, mas os americanos e os espanhóis não.

Eu fico me perguntando: nosso futuro é assim, habituado a tantas mortes? Até que ponto esse nosso conceito coletivo de “normalidade” pode ser esticado?

E por que é, afinal, que os “donos” do Mundo não apertam aquele maldito botão e acabam com todos nós de uma vez? Será que eles são assim tão sádicos que preferem ir matando-nos aos poucos?

Todos eliminados, acabariam-se os problemas do mundo! Num único golpe racistas e negros, puritanos e homossexuais, nazistas e judeus, católicos e muçulmanos — sobretudo os culpados pelo crime de serem direfentes da maioria.

Será mesmo preciso que sejamos mortos assim, pouco a pouco, um punhado de cada vez, dentro dessa maldita “normalidade”?

Há alguma esperança diante do que aconteceu ao redor do mundo nos últimos quinze minutos?

Publicado em 16 de maio de 2004 por Olegario Schmitt

nesses últimos quinze minutos que se passaram,
mais uma bomba deve ter explodido em bagdá,
algum timorense deve ter sido caçado
no seu direito de viver livre em timor
e há menos iraquianos no mundo

há menos mães iraquianas no mundo,
há menos crianças iraquianas no mundo,
há muito menos mundo no mundo.

uma flor nasceu em algum lugar,
mas não sei onde porque não estava olhando,
e em saraievo nasceram também muitas flores,
mas eles não viram porque estão famintos.

nesses quinze minutos centenas de meninas
estiveram se prostituindo ao redor do mundo
e milhares de crianças brasileiras
estiveram passando fome,
talvez mais de uma dezena delas haverá morrido
da fome ou da desidratação,
de craque ou de bandido.

e nasceu mais uma flor na favela,
mas a essa altura ela certamente
já terá murchado e morrido de abandono.

nesses quinze minutos
talvez um sonho tenha sido realizado,
uns outros milhões foram esquecidos.

nesses quinze minutos
eu te escrevi esse poema
pois ainda resiste em mim
a certeza de que as flores valem a pena.

In: O Amor & Outras Coisas que Coçam, 2003

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