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Anarquismo, ditadura, fascismo… uma possível resposta a reação às bandeiras partidárias nas manifestações

Publicado em 22 de junho de 2013 por Olegario Schmitt
Imagem retirada daqui

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Que tipo de reação brota em você quando olha para a imagem acima?

É interessante observar o pânico que a reação dos manifestantes contra as bandeiras de partidos nas últimas manifestações causa em algumas pessoas, geralmente com bastante estudo e que, portanto, deveriam saber melhor.

A aversão das bandeiras de partidos não é parte de um sentimento anarquista, e não abre caminho para o fascismo e/ou ditadura. Sim, temos os diversos exemplos do passado… e temos também os antolhos do conservadorismo colocados ao lado dos olhos das pessoas presas a ele, impedindo que consigam compreender essa nova geração filha do Twitter e do Facebook.

Por não caber em nenhum padrão, analisam o que essa geração produz utilizando os únicos moldes que conhecem… mas que não servem mais. É como se a idéia cantada pela Elis (que, suponho, muitos dos panicosos gostem), fosse bonita apenas na música, mas na prática não serve para nada. “E o passado é uma roupa que não nos serve mais”… mas quando é conveniente,  muita gente sai por aí vestindo as roupinhas da vovó!

Lembremos que se trata de uma DEMOcracia (do grego démokratía, “força, poder do povo”) e não uma PARTIDOcracia (do latim partítus, “que partilhou, que tomou o seu quinhão”). Partidos… partilham os quinhões, dividem o povo em segmentos, em pedaços. E nós somos povo, um só. Não povo do PSTU, não povo do PSOL, não povo do PT… mas povo.

Na verdade, as explicações são tão, mas tão simples, que as crianças na sua simplicidade entenderiam, enquanto você fica aí apavorado(a) folheando freneticamente seu livro de história como quem folheia a bula de um remédio:

1) o movimento, que é do Povo, não quer ver nenhum partido utilizando as manifestações para benefício próprio. Além do que, nenhum partido organizou nenhuma manifestação, não sendo justo, portanto, que se beneficiem disso.

2) os filhos da puta que governam esse país, cada um deles “pertence” a um partido, assim como uma puta “pertence” ao cliente. E nenhum partido fez (ou se tentou fazer não conseguiu) as mudanças que queremos, o que nos leva de volta ao #1: não sendo justo, portanto, que se beneficiem disso.

3) quando as pessoas estão se manifestando e aparece uma bandeira de partido, visualmente é como se todas as pessoas lá presentes (ou ao menos as próximas à bandeira), estivessem em prol deste ou daquele partido, o que está longe de ser verdade. Não aceito que nenhum partido coloque a presença física do meu corpo na manifestação sob a sombra da sua bandeira. E não, isso não faz de mim nem skinhead nem punk nem anarquista nem ultranacionalista (os ultranacionalistas, aliás, também têm um partido próprio para cada uma de suas facetas).

4) as manifestações são contra tudo que há de podre nesse país, e os partidos, de A a Z, estão atolados em toda essa podridão até o pescoço. Você é capaz de negar isso? E mesmo assim ainda defende a presença dos partidos?

Então, quando dizemos “sem partido”, isso não é um sentimento anarquista, e não creio que estejamos abrindo caminho para uma ditadura (se ditadura igual eliminação dos partidos portanto “sem partido” igual ditadura… que lógica rasteira essa sua, não é?). Estamos, isto sim, reagindo de maneira primal e humana contra tudo aquilo que nos dá nojo.

Exceto, é claro, a minoria vândala, que desde sempre foi parte percentual do Povo, nós não somos anarquistas, não somos ignorantes e não precisamos que você nos catequize com toda a sua… experiência em história. Sim, é importante que jamais esqueçamos o passado com toda a sua história, mas nós não estamos repetindo o passado, estamos fazendo o presente e tentando definir o futuro. Nós estamos FAZENDO HISTÓRIA. É óbvio que os modelos do passado não funcionam mais (“vamos voltar que deu merda”?) Os tempos são outros e, muito antes de sermos apartidários, somos SUPRApartidários. Estamos colocando os partidos no seu devido lugar, que é abaixo de nós, abaixo do povo, a nosso serviço, e não acima de nós como eles pensam que estão.

Pois bem, sejamos todos bem-vindos ao Século XXI. Uma hora teremos de mudar de século e atualizarmos nossas idéias. Não perca tempo.

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