Palavra-chave: alienígena

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alienígena

Argumentos rasos, trabalhos rasteiros…

Publicado em 05 de outubro de 2010 por Olegario Schmitt

Freqüentemente são utilizadas expressões como “esse trabalho é muito rasteiro” ou “esse é um argumento raso”. Mas rasteiro é perto do chão e chão já é quase profundo. Do raso para o profundo, igualmente, basta um passo, a despeito do grande risco de se cair num abismo.

Talvez fosse mais apropriado dizer “esse trabalho atingiu as nuvens” ou “esse argumento é estratosférico”, da mesma forma que se fala de objetos voadores não identificados.

Sim, porque certas obras e determinados argumentos parecem ter sido criados por verdadeiros alienígenas, os quais falam uma“conversação alienígena” língua que apenas eles compreendem. Some-se a isso os habitantes de outros planetas, que não têm nada a ver com o planeta em questão, mas unem-se aos primeiros seguindo a dinâmica outsider, não significando que os segundos necessariamente compreendam a língua dos primeiros, mas sabem fingir muito bem.

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Porque Time Nenhum é muito legal!

Publicado em 12 de janeiro de 2010 por Olegario Schmitt

Sobretudo aqui no Brasil, sempre há essa exigência de que se torça para algum time de futebol. É por isso que quando conto qual é meu time do coração costumo receber reações variando desde “o que há de errado com ele?” até “de que planeta ele veio?”, com as mais diferentes gradações entre um e outro extremo.

Pois saibam todos que da mesma forma que há torcedores do Flamengo, do Corinthians e até do Palmeiras, eu sempre fui torcedor roxo de Time Nenhum. Time Nenhum ganha todos os campeonatos; Time Nenhum rouba meu tempo que poderia ser gasto com inúmeras outras coisas mais interessantes; Time Nenhum tem uma camiseta diferente todos os dias, ao contrário dos outros times, que usam quase sempre a mesma, de desenho sofrível; Time Nenhum não incita a violência das torcidas adversárias; Time Nenhum detesta conversas de futebol.

Aquele argumento de que “futebol é a alegria nacional” é uma grande estopada. O Campeonato Brasileiro sendo disputado todos os anos por 40 times diferentes, quem torce para qualquer um diferente de Time Nenhum tem 97,5% de chance de se tornar um perdedor. Torcer para outro time que não o meu é fazer uma escolha praticamente certa de ser triste no final do campeonato e de se tornar um perdedor em outro setor de sua vida além dos outros todos de sempre.

Portanto, deixem-me em paz com a escolha do time do meu coração: Time Nenhum me traz alegrias.

Uma história difícil de acreditar

Publicado em 30 de dezembro de 2008 por Olegario Schmitt

R.I.P.

Deu-se que não comia porco. Nem puchero, nem morcilha, nem cabeça, nem torresmo. Em suma, não comia nada daquilo que fazia um gaúcho verdadeiramente gaúcho, macho fodedor de tendências zoófilas — e de toda gaúcha uma fêmea intimamente resignada, submissa ao seu provedor.

Mas não era o fato em si de não comer porco que os agredia. Antes, era simplesmente a ausência de algum motivo plausível: se não pudesse fazê-lo devido a doença gravíssima, vá lá. Transformar-se-ia inclusive numa espécie de mártir da tradição, impedido unicamente pela própria vida em risco — não seria simplesmente por vontade de não comer:“sem motivo plausível” “Querer até que queria, coitado, mas não podia”, diriam eles entre si, mas somente na sua ausência e com aquele ar falsamente consternado de quem vislumbra o doce sofrimento alheio. Se viesse a morrer por intoxicação, então, mais do que mártir seria herói, sua história contada e recontada ao longo das gerações. “Aquilo sim que era gaúcho”, diriam com olhar sonhador e sem disfarçar uma pontinha de inveja…

Se quisesse, mas não pudesse, então esse fato inexplicável estaria enfim explicado. Mas não possuía úlcera gástrica ou triglicerídios nas nuvens ou ameaça iminente de infarto nem herpes que fosse para justificar sua falta. Nadinha de nada.

Dava-se unicamente o absurdo de não comer porco, e por isso era visto como alguma espécie de extraterrestre aterrisado de algum planeta mui longínquo e exótico, do qual a gente só sabe a existência de ouvir falar ou através da TV. “alienígena homossexual” Um planeta habitado unicamente por homossexuais não-comedores-de-porco. Um planeta de maricas não-pujantes e que, pelo andar da carroça, tudo levava a crer que também não arrotavam ou peidavam em público, não expeliam cuspe ao coçar o saco, não seguravam os ossos com as mãos e não utilizavam palitos de dentes nem mesmo em privado.

Um gaúcho que não comia porco, eis aqui uma história digna de se contar. Ver esse sujeito mesmo com meus próprios olhos, nunca vi. Mas quem viu e me contou jura que isso é verdade. Um verdadeiro absurdo, como se pode perceber.

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