Uma esmola, pelo amor de D’us

Talvez o verdadeiro mendigo não seja quem você pensa que é…

Reflexões

Uma esmola, pelo amor de D’us

Talvez o verdadeiro mendigo não seja quem você pensa que é…

Publicado em 02 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Nessa selvageria urbana em que vivemos, você já deu esmola?

Há poucos dias, impressionado pelo número de mendigos que encontrei na rua quando voltava para casa, fiquei me perguntando: é esmola mesmo que eles precisam?

Precisam de emprego e de uma vida digna!, diria a maioria demagógica, sem levar em conta que muitos deles não trocariam a mendicância por um emprego, um lar, uma família.

Você notou que nenhum deles usa sapatos? Já vi um de meias brancas, as solas perfeitamente limpas, mas onde estavam os sapatos? Já vi outro com o braço engessado e no outro dia vi-o novamente, só o gesso dessa vez estava no braço trocado. E o que pensar daqueles que ostentam seus filhos, na intenção de conseguir a condolência do transeunte?

O que mais eles precisam é de esmola ou valores morais? O desemprego, a miséria, a sub-vida, são motivos para que se corrompa a mínima moralidade e, além do“Há alguma coisa no mundo que jus­ti­fi­que o des­res­peito pela vida de uma criança?” respeito próprio, o respeito pela vida dos próprios filhos? Há alguma coisa no mundo que justifique o desrespeito pela vida de uma criança?

Afinal, qual postura devemos tomar quando estamos andando na rua e vem aquela mão pedinte invadindo o seu campo de visão, o seu caminho, a sua consciência?

Quando você ouve “uma esmola, pelo amor de Deus” você não se sente intimidado, como se, passando adiante incólume, você estivesse fazendo pouco caso do Amor de D’us? Quanto vale, para você, o Amor de D’us? E a vida do mendigo, quanto vale?

Se não houvessem esmolas, não haveriam mendigos. Eles estariam roubando, assaltando, morrendo, ou até mesmo trabalhando, quem sabe, mas pedindo esmolas certamente não estariam. Eles pedem esmola, portanto, sobretudo porque a esmola é dada, isso é um fato inegável por ser lógico.

Penso que dar uma esmola não passa de subterfúgio cruel para aliviar a própria culpa diante da situação. A verdadeira intenção por trás do gesto nunca é a de ajudar o mendigo, embora superficialmente até se “uma esmola não passa de sub­ter­fú­gio cruel para ali­viar a pró­pria culpa diante da situ­a­ção”pense assim. Dando-lhe uma esmola, você só contribuirá para que ele continue naquela condição de pedinte. Em vez de ajudá-lo a sair dali, você incentiva para que ele fique.

Afinal, não é mais fácil dar uma esmola e esquecer, pensando orgulhosamente que cumpriu com sua parte, em vez de levá-lo para sua casa, dar-lhe comida, banho, roupas limpas? Não é mais cômodo fazer isso em vez de envolver-se ativamente com instituições de caridade? Isso daria demasiado trabalho, não é? Melhor dar uma moeda e seguir o seu caminho, com sua consciência tranqüila, pensando que conquistou o Amor de D’us…

Portanto, da próxima vez em que alguém lhe pedir “uma esmola, pelo amor de Deus”, medite sobre onde estará o Amor de D’us nessas horas. Medite se quem está precisando do Amor de D’us é o mendigo ou é você. Pense também se o Amor de D’us e a sua consciência tranqüila valem assim tão pouco que podem ser comprados com uma simples moeda… e tome uma atitude.

Comentários

  1. linda
    3 de agosto de 2008

    isso ta muito grande

  2. Olegario Schmitt
    3 de agosto de 2008

    Você nunca pensou que você é que pode ser muito pequena?

  3. Von Souza
    11 de julho de 2011

    Estou linkando seu blog num comentário que fiz num grupo de facebook, no qual falei sobre esmolas.

    Penso o mesmo que ti, esmolas não passam de um subterfúgio para aliviar a própria culpa.

    Abraço.

  4. Olegario Schmitt
    11 de julho de 2011

    Obrigado. Como sabemos, quem quer REALMENTE ajudar toma outro tipo de atitudes em relação aos mendigos.

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