Paradoxos

É melhor que um sanduíche de falácias!

Reflexões

Paradoxos

É melhor que um sanduíche de falácias!

Publicado em 28 de junho de 2005 por Olegario Schmitt

Caleidoscópio

Paradoxo é algo que só é verdade se for falso e, quando é falso, obviamente, passa a ser verdade novamente. Portanto, o paradoxo é o outro pólo da verdade que não é, mais ou menos como disse Quintana:

Se te contradisseste e acusam-te… sorri.
Pois nada houve, em realidade.
Teu pensamento é que chegou, por si,
Ao outro pólo da Verdade…

Eu minto: Paradoxo do Mentiroso

Segundo esse paradoxo, atribuído a Eubúlides de Mileto (séc. IV a.C.), quando digo “eu minto” e o que digo é verdade, a afirmação é falsa (porque se eu minto não posso estar dizendo a verdade); e se o que digo é falso, a afirmação é verdadeira (é verdade que eu minto) e, por isso, novamente falsa. Portanto quando alguém diz “eu minto”, isso é um paradoxo, pois é verdade e mentira ao mesmo tempo.

Paradoxo do Barbeiro Barbudo

Esta é uma versão folclórica do Paradoxo de Russel: Em uma certa ilha existe um só barbeiro e este barbeia todos os homens e somente aqueles que não se barbeiam a si mesmos. Pergunta-se: o barbeiro barbeia a si mesmo ou não? Se o barbeiro se barbeia, entramos em contradição com o fato dele somente barbear aqueles que não barbeiam a si próprios. Se ele não se barbeia, então ele deve se barbear pois esta é a sua tarefa.

Deus, o Mal e a Pedra

Se Deus é onipotente, ele pode fazer absolutamente tudo. Então ele poderia criar uma pedra tão pesada que Ele mesmo não pudesse carregar e, portanto, existiria uma coisa que Ele não poderia fazer (carregar a pedra). Assim sendo, Deus não seria onipotente, contrariando a hipótese inicial.

Atribui-se a Epicuro o seguinte dilema: Se Deus é bom e onipotente, não poderia haver mal sobre a Terra; havendo, ou Deus não quer acabar com o mal — e não é benevolente — ou não pode fazê-lo — e não é onipotente.

A verdade não existe, Nihil!

Se a verdade não existe, a declaração “a verdade não existe” é uma verdade, provando-se, portanto, incorreta.

O incesto, a morte do avô e a viagem no tempo

Você pode viajar de volta no tempo e matar o seu próprio avô antes que ele encontre sua avó, prevenindo assim a sua própria concepção. Mas se você não for concebido, você não poderá viajar de volta no tempo.

Um homem viaja no tempo e engravida sua própria tetravó. O resultado é uma linha de descendentes, incluindo o próprio homem e seus pais. Portanto, a menos que ele faça a viagem temporal, ele nunca existirá.

Gugu… dadá?

Bebês com baixo peso no nascimento têm uma taxa de mortalidade maior. Bebês de mães fumantes têm uma probabilidade maior de nascer com baixo peso. Entrentato, bebês de baixo peso nascidos de mães fumantes tem uma taxa de mortalidade menor do que outros bebês nascidos com peso inferior ao normal.

Não seja controlado por ninguém!

O homem nunca pode estar livre de controle já que ser livre de controle é ser controlado por si mesmo.

Pimba: Mpemba!

Em 1969 Mpemba, um estudante universitário da Tanzânia, África, estava fazendo picolés e descobriu que a água quente, sob determinadas condições, congela mais rápido do que água gelada, mesmo que tenha que passar pela temperatura mais baixa rumo ao congelamento. Isso foi constatado cientificamente.

Uma tartaruga é mais rápida do que você!

Segundo conta o Paradoxo de Zeno de Eléia (450 a.C.), uma tartaruga desafiou Aquiles numa corrida. Aquiles riu do desafio pois, sendo ele um guerreiro e muito veloz, obviamente ele ganharia a corrida.

— De quantos metros de vantagem você precisa? — perguntou Aquiles à tartaruga.

— Dez metros — ela respondeu.

— Dessa maneira, você certamente perderá a corrida — disse Aquiles rindo muito — mas façamos a aposta, se é o que você quer.

— Pelo contrário — disse a tartaruga — eu vencerei, e posso provar isso a você por um simples argumento: suponha que você me dê uma vantagem de dez metros. Você venceria essa distância entre nós rapidamente, não é? Mas quando você chegar lá, quantos metros eu já terei andado?

— Talvez um metro, não mais do que isso.

— Muito bem, então agora há um metro de distância entre a gente. Quando você conseguir, muito rapidamente, transpor essa distância, eu já terei andado para frente mais um pouquinho, não é? Assim sendo, toda vez que você chegar ao local onde estou, eu já terei avançado mais um pouquinho, de modo que você nunca será capaz de alcançar-me.

Falácia!

Falácia é diferente de paradoxo, pois é um raciocínio errado com aparência de verdadeiro, como por exemplo o dilema suíço: “O quejo tem buracos. Assim, quanto mais queijo, mais buracos, e quanto mais buracos, menos queijo. Logo, se quanto mais queijo, mais buracos, e quanto mais buracos, menos queijo, quanto mais queijo, menos queijo”.

As falácias que são cometidas involuntariamente, designam-se por paralogismos; as que são produzidas de forma a confundir alguém numa discussão designam-se por sofismas.

Alegria dividida por dois é igual a duas vezes mais alegria?

(…)
Estranha essa aritmética da vida,
nem parece ciência, parece arte;
compreendo a dor menor, se dividida,
não entendo é aumentar nossa alegria
se essa mesma alegria
se reparte.

J. G. de Araújo Jorge

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