Os Super-Heróis no Divã

O que se esconde na psicologia dos nossos tão amados super-heróis

Reflexões

Os Super-Heróis no Divã

O que se esconde na psicologia dos nossos tão amados super-heróis

Publicado em 18 de março de 2005 por Olegario Schmitt

Sigmund Hulk (Arte Digital) - OleSchmitt

Todo mundo tem um super-herói preferido. Adultos e crianças, em escalas variadas, identificam-se com as figuras míticas, fortes e invencíveis dos heróis ficcionais.

Em segundo plano, porém, sempre recobertas por misteriosa névoa, ficam suas características psicológicas. Analisando os super-heróis em conjunto, na imensa maioria são órfãos que tiram sua força de algum trauma que tenha ocorrido em suas vidas, principalmente na infância.

Por mais “normal” que um super-herói possa parecer à primeira vista, o fato em si da dupla personalidade (Clark Kent – Super-Homem, Bruce Banner – Hulk, Peter Parker – Homem-Aranha, …) já caracteriza uma personalidade psicótica.

Quando o Dr. Bruce Banner, esquizofrênico que vive em luta constante contra seu monstro interior, é vencido por sua personalidade agressiva interiorizada, aflora de “Hulk: agredido pelo pai na infância”suas entranhas o potencial destrutivo na forma de seu alter-ego Hulk. O monstrengo verde permite ao Dr. Bruce lidar com sua identificação projetiva e assim, projetando-se em Hulk, escapar da culpa ou, ainda, encontrar aí a coragem para reagir diante de situações contra as quais sente-se impotente. Essa característica de sua personalidade, que mais tarde tomou proporções drásticas ao ser atingido por radiações gama, desenvolveu-se ainda na infância, quando teria sofrido agressões por parte de seu pai.

Peter Parker, o Homem-Aranha, carrega consigo o trauma da morte de seus pais quando ainda era criança, em acidente de carro, além da culpa pela morte de seu tio, morto em assalto. No dia-a-dia Parker é desajeitado, tem problemas na administração de sua vida financeira e, devido à necessidade de manter sua dupla personalidade“Homem Aranha e Batman: pais assassinados” em segredo, tem dificuldades para formar e manter relacionamentos.

Já Bruce Wayne, o Batman, presenciou em criança o assassinato de seus pais. Buscando vingança, tornou-se mais tarde o herói violento e taciturno que é. Constantemente perseguido por seu trauma de infância, com as imagens trágicas a todo momento ressurgindo na sua mente sombria, Bruce é monossilábico e cínico, mantendo-se sempre à margem do meio social.

Robin, amigo inseparável de Batman, era trapezista de circo e, por sua vez, não foge à regra da orfandade traumática: presenciou a morte de seus pais em pleno picadeiro, após sabotagem do equipamento de segurança. Bruce Wayne, que estava lá na noite do homicídio, culpa-se por não ter podido evitar a tragédia.

Parêntese à parte é a relação misteriosa desses dois, que já foi tema de estudo aprofundado por parte do psiquiatra americano Frederic Werthand que, no seu livro The Seduction of the Innocents, defende a tese de que o seriado de Batman e Robin promovia a homossexualidade nos puros lares americanos: “Dupla Dinâmica: o sonho de dois homossexuais vivendo juntos”“(Batman e Robin) transmitem a sensação de que nós, homens, devemos nos manter juntos porque há muitas criaturas malvadas que têm que ser exterminadas. (…) Às vezes, Batman acaba numa cama, ferido, e mostra-se o jovem Robin sentado ao seu lado. (…) Vivem em aposentos suntuosos com lindas flores em grandes vasos. Batman é, às vezes, mostrado num robe de chambre… é como um sonho de dois homossexuais vivendo juntos”. “Santa-Imaginação!”, diria Robin?

Apenas citando mais alguns exemplos de órfãos traumatizados, temos o Super-Homem (seus pais morreram na explosão do planeta Krypton), Capitão Marvel (pais mortos a mando do “famoso doutor Silvana”), Fantasma (pai morto por piratas), Pantera Negra (o pai, rei de Wakanda, foi assassinado) e Zagor (toda a família assassinada por índios). Aliás, o ideal seria citar, se eu conseguisse nomear algum, apenas aqueles que não tiveram seus pais mortos de forma trágica.

Após analisar essas características assustadoras da personalidade dos nossos tão estimados super-heróis, resta a certeza de que é melhor ser um simples mortal bem resolvido com seus traumas do que ser um super-herói problemático.

Comentários

  1. josenildo
    10 de julho de 2008

    ia esquecendo meu melhor achado.

    a biografia do autor de Alice no Pais das maravilhas diz que ele apreciava muito a cia de crianças, e que uma em especial o inspirou na criação de Alice.

    Não haveria aí um sinal de pedófilo? se prestarmos bem atenção o conto é assustador por parte dos personagens: um chapeleiro louco, um gato sínico, rainhas assassinas, uma lagarta fumando maconha, etc.

    Veja o texto, sob minha ótica:

    Alice no País das Maravilhas

    Corre Alice, corre Alice

    Pra longe desse coelho maldito!

    Corre Alice, corre Alice

    Pra longe do Gato Risonho,

    Que de bom

    Só o desejo lhe tem!

    Corre Alice, não pára…

    …esquece o narguilê da lagarta,

    A fumaça doce do pensar

    Dos que não viram borboletas!

    Corre Alice!Que aí vêm as Rainhas de Copas

    Invejosas de sua infância!

    “___ Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe a cabeça!”

    Gritam esganiçadas as chatas de vontade ruim!

    Corre Alice, corre Alice

    E cai na real do país das fábulas,

    Bordel de gente castrada,

    Fantasias de crianças mortas

    Que buscam no teu corpo infanto

    As maravilhas profanas dos pródigos de felicidade!

    Corre Alice,

    Enquanto lhe sorri a infância de alma limpa!

    Nós, pobres mortais, é que somos uma cx de pandora!!!!!!!

  2. Olegario Schmitt
    11 de julho de 2008

    Muito ricos os seus comentários, Josenildo. Obrigado.

    PS.: Alice é minha história preferida, porque é a que considero psicologicamente mais rica (e assustadora e intrigante).

  3. josenildo
    10 de julho de 2008

    todo personagem , em si inculta um mundo psicológico fantastico, que ironicamente, é materializado na mente de seu criador. Analisando-os pela ótica da realidade e não pelo seu contexto fictício temos exemplos explícitos de como as coincidencias de nosso tempo influem na criação desses seres: o mesmo criador da Mulher Maravilha( detalhe p o laço da verdade) é o mesmo inventor do dector de mentiras! o Batman surgiu numa cidade trevosa, reflexo da recessao americana; o Capitao America, reflexo da 2 Guerra, Rambo, Guerra do Vietna; Homem Aranha reflete um contexto mais palpável, ou seja, seu alter ego é a imagem de todo adolescente: perdas familiares, timidez, drogas( Venon),casamento,etc. A ficção é a idealização do futuro ou o espelho do presente.

  4. anderson
    24 de agosto de 2008

    com certeza,assim como diria Freud,tudo está lá na infância: o que somos hoje é resultado do que vivenciamos nos nossos primeiros anos de vida.Nisto envolve:frustrações,traumas,fatos marcantes etc… mas diante do que ja foi escrito,gostaria de falar que apesar da vida e do contexto dos personagens citados: vc ja parou pra pensar no POR QUÊ que eles chamam mais ATENÇÃO de uma pessoa do que de outra? ja parou pra pensar no que eles tem em comum com VOCÊ? no que você PROJETA neles? no que te INTRIGA neles? e em que você se identifica com eles? colocar os outros no divã é fácil….ja tentou colocar-se a SI próprio no divã?

  5. Olegario Schmitt
    25 de agosto de 2008

    Caro Anderson, obrigado por seu comentário.

    Quanto à projeção, não cabe aqui pensar na minha projeção nos heróis — até mesmo porque nunca gostei de nenhum deles — mas cabe, isto sim, pensar na projeção do AUTOR do super-herói na figura deste.

    Quanto a "colocar os outros no divã é fácil", então por que, afinal, você quer me colocar em um? Seria sua identificação projetiva tentando dizer-lhe que procure ajuda adequada?

  6. Mônica Lima
    28 de março de 2009

    Nossa! estou encantada com o assunto!!

    Nunca havia me atentado para isso, agora posso imaginar pq sempre impliquei com um determinado Super-herói…

    Mas continuem estava gostovo de ver (LER).

    Bjus

    Meus Heróis

  7. josiaaes blemon
    30 de dezembro de 2010

    Um site conspirador e ateísta!!
    Ave-Maria cheia de Graças ,o Senhor é convosco.Bendida sois vós entre as mulheres,bendito é o fruto de vosso ventre Jesus.
    Santa Maria ,Mãe de Deus ,rogai por nós pecadores,agora e na hora de nossa morte ,Amém!

  8. Yuri Botelho
    29 de março de 2011

    Acho que seria interessante pra uma investida futura, analisar o perfil psicológico dos vilões das histórias em quadrinhos que não deixam também de possuir seus traumas provenientes do passado dos mesmos.

  9. Bruce Wayne
    4 de dezembro de 2014

    Muito bobo,e ilógico. Em momento algum você citou que eles venceram os medos e fazem bem aos outros, principalmente Batman que não mata seus adversários. Muito me admira que quando se trata de um um homem adotando uma criança que ficou órfã fanáticos religiosos definem como ato homossexual e quando se fala de Davi e Jônatas era somente amizade.

  10. Bruce Wayne
    4 de dezembro de 2014

    Muito bobo,e ilógico. Em momento algum você citou que eles venceram os medos e fazem bem aos outros, principalmente Batman que não mata seus adversários. Muito me admira que quando se trata de um um homem adotando uma criança que ficou órfã fanáticos religiosos definem como ato homossexual e quando se fala de Davi e Jônatas era somente amizade…

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