O Capitalismo, do fast-food ao botox

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Reflexões

O Capitalismo, do fast-food ao botox

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Publicado em 23 de março de 2007 por Olegario Schmitt

Salvador Dali - Remorso ou Esfinge Atolada na Areia

O capitalismo não é um ser, mas por vezes parece possuir essa mente pensante, sórdida e extremamente inteligente, nos dizendo de maneira ininterrupta: “compre Batom, compre Batom, compre Batom”.

No entanto, é importante lembrar de que a idéia do “ter é igual ser” não é nova, tampouco fruto do capitalismo. Tudo parece ter começado em Adão e Eva, quando a serpente convenceu o feminino humano de que TER a maçã significaria SER D’us. Desde então nos iludimos, desde então nos estrepamos, sem nunca aprendermos a lição.

Não se estendendo muito no mérito dos avós dessa mazela — sejam eles Adão e Eva ou as Revoluções Francesa e Industrial — pode-se dizer que tudo principiou a ficar como está a partir da alvorada sombria do século XX.

Na primeira década, Henry Ford inventou fast-ford e a televisão”a linha de produção; na segunda, surgiu o fast-food; e na terceira, nasceu a televisão. Acredito que resto tudo, incluindo o estado em que nos encontramos agora, tenha sido apenas conseqüência.

A humanidade, porém, não se deu conta de que o verdadeiro moto-contínuo estava aí inventado: enquanto a linha de produção possibilitou o efêmero — a durabilidade dos bens deixou de ser necessária, uma vez que se tornou extremamente fácil e barato produzi-los de novo —, o conceito do fast-food se somou ao imediatismo da nova indústria, com a televisão ajudando a vender todas essas idéias world-wide de maneira igualmente rápida e massiva.

A nouvelle vague econômica funcionou, e ainda funciona muito bem, como espécie de adubo prolífico fomentando as pobrezas de espírito. Em outras palavras, juntou a fome (vaidade humana) com a vontade de comer (indústria eficiente apoiada pela mídia).

Através da mídia — que certamente seria as cordas vocais do corpo amorfo capitalista, se este o possuísse, sussurrando aos ouvidos da eterna insatisfação humana, dialogando com as “o corpo perfeito da mídia”fraquezas de caráter e personalidade da grande maioria —, meninas compram a idéia do corpo perfeito vendido através de modelos bulêmico-esqueléticas e a fonte da eterna juventude dorian-grayniana pode ser encontrada tanto nas doses de botox quanto nos corta-estica-costura pintanguinianos.

Continuamos, ainda e mais uma vez, a sermos convencidos de que “ter é igual a ser”: “tendo esse novo modelo de celular você será mais feliz”, “com o creme anti-rugas você será para sempre jovem”, “tendo juventude será amado”, ad-infinitum

Supondo, porém, que determinado indivíduo não possua em sua natureza tal insatisfação, isso de forma alguma será um problema: de maneira massacrante será atacado por “o sadismo da cadeia satânico-capitalista”todos o lados, meios e formas possíveis, até que a insatisfação, inconsciente, esteja criada dentro dele.

O capitalismo não aceita gordos felizes, por exemplo, e aí é que está a sua inteligência sórdida: a cadeia satânico-capitalista de produção consiste em, através da mídia, criar novos gordos através do consumo de fast-food, convence-los de que são infelizes e desajustados e faze-los comprar produtos que lhe trarão a ilusão de satisfação.

Dessa forma, se você se sentir desconfortável e/ou meio vazio depois de ter lido esse artigo, não perca tempo: vá ao shopping mais próximo e compre alguma coisa. O capitalismo agradece. E certamente você se sentirá bem melhor.

Comentários

  1. Fabio Rocha
    1 de abril de 2007

    Belo texto e imagem! Parabéns! Sobre a Ismália, também adoro, desde o 2o grau, desde antes dos 18, antes mesmo de ser poeta. Abração

  2. Vinícius Mariano
    9 de maio de 2007

    e dá-lhe Bauman!!! hehehehe e haja reflexões e alternativas… abraço, Vinícius

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