Da linha desse blog

Qual é, afinal, a linha de pensamento desse blog?

Reflexões

Da linha desse blog

Qual é, afinal, a linha de pensamento desse blog?

Publicado em 22 de junho de 2004 por Olegario Schmitt

Estresse na Fila do Banco – Série Matches

Meu melhor amigo disse-me que esse Blog seguia linha niilista, completa descrença nos seres humanos.

Quanto à descrença nos seres humanos, tudo bem, porque até aí é verdade… mas quanto à linha, não pretendia que esse Blog seguisse alguma, porque eu próprio não tenho qualquer tipo de linha: não sou novelo.

Deixo claro, portanto, que esse Blog, oficialmente, é tão desalinhado quanto meus cabelos.

Mas por falar em desalinhos, lembrei-me de algo que aconteceu há alguns minutos atrás, na fila dos Correios. Uma senhorinha, muito displicente, resolveu furar a fila. Haviam três na frente dela, além de mim, que era o primeiro. E quem tirava a muquiraninha do guichê? Quem? Irredutível, pés fixos, atacada de surdez estratégica, permanecia estatuada no mesmo lugar.

Dei um tapinha no seu ombro e disse “Dá licença? Volta pro teu lugar, que a vez é minha? Que cara-de-pau!” Pra que foi! “O mesmo que cutu­car ves­peiro.”O mesmo que cutucar vespeiro. A desabençoada entrou num nível de vibração tão baixo, começou a dizer tanta coisa que preferi ficar em silêncio, pegando a surdez estratégica dela para mim. Com gente assim, não se discute, não se desce a esse nível, o silêncio é uma arte, etc.

Já na semana passada quase fui atropelado, enquanto atravessava a rua na faixa de segurança, por um motorista que fez o retorno em local proibido. Quando gritei “Pô, qual é a tua, cara?!” ele ficou me xingando, fazendo gestos obscenos pela janela do carro. Decerto o errado era eu…

Esses são apenas dois exemplos, coisas que aconteceram comigo e que acontecem com todas as pessoas nesse país. Coisas que cada vez mais estão acontecendo, porque as pessoas estão cada vez mais loucas! Completa falta de respeito pelo semelhante, pela vida, “as pes­soas estão cada vez mais lou­cas!”por si mesmas.

Por isso, continuo firme na minha descrença nos seres humanos, mas não sou niilista: sou realista.

Preste atenção nessas pessoas que encontramos em todos os lugares: nas salas de aula, nas filas dos Correios, dentro dos ônibus, nas ruas e diga-me, sinceramente, se essas pessoas permitem que se creia em alguma coisa.

Sinal dos tempos: o mundo está perdido, com tendência a piorar.

Então não culpo meu melhor amigo por, palavras do seu filho, “viver no mundo dos duendes”. A realidade é mesmo demasiado feia no que tange às pessoas e, secretamente, acho que o invejo um pouco por ele ainda conseguir acreditar nelas.

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