Abso­lu­ta­mente!

É abso­lu­ta­mente impor­tante que você com­pre­enda isto

Reflexões

Abso­lu­ta­mente!

É abso­lu­ta­mente impor­tante que você com­pre­enda isto

Publicado em 07 de julho de 2005 por Olegario Schmitt

Abso­luto é adje­tivo desig­nado pelo Auré­lio como sendo aquilo “que não depende de outrem ou de uma coisa; inde­pen­dente; que não tem limi­tes; sem res­tri­ções; irres­trito, infi­nito; diz-se de um Estado ou de um governo em que o poder sobe­rano reside no chefe; sobe­rano; não sujeito a con­di­ções; incon­di­ci­o­nal; supe­rior a todos os outros; único, firme; que não admite con­tra­di­ção; incon­tes­tá­vel; pleno, com­pleto, cabal”;

abso­lu­ta­mente (ou em abso­luto) sig­ni­fica ao mesmo tempo com­ple­ta­mente, total­mentede modo nenhum; abso­lu­ta­mente não; abso­lu­ta­mente.

Como abso­lu­ta­mente advém de abso­luto, e abso­luto é incon­di­ci­o­nal, incon­tes­tá­vel, como é pos­sí­vel que essa expres­são tenha dois sen­ti­dos diver­sos ao mesmo tempo?

Por exem­plo, no diálogo

— Você é feliz?
— Absolutamente.

o sujeito é feliz ou não?

A dife­ren­ci­a­ção entre o sen­tido nega­tivo e o posi­tivo da expres­são abso­lu­ta­mente encontra-se, além de no “Abso­lu­ta­mente sim ou não, eis a ques­tão“con­texto, peri­go­sa­mente no tom de voz empre­gado e em qual ponto da pala­vra encontra-se a ênfase vocal (sutil demora na voca­li­za­ção). Por exem­plo: quando diz-se abso­lu­ta­mente com ênfase na sílaba lu a expres­são sig­ni­fica abso­lu­ta­mente sim, no entanto, quando a ênfase está na sílaba men, sig­ni­fica abso­lu­ta­mente não.

Como a pala­vra escrita não é acom­pa­nhada dessa ênfase vocal, sua uti­li­za­ção é extre­ma­mente peri­gosa sem o auxí­lio de advér­bios (como sim ou não) ou de adje­ti­vos (feliz).

De qual­quer forma, o sen­tido nega­tivo dessa expres­são pode ser con­si­de­rado errô­neo, uma vez que abso­lu­ta­mente — lembre-se: deri­vado de abso­luto — por já ter o sen­tido de sim na tota­li­dade deve­ria sig­ni­fi­car ape­nas com­ple­ta­mente sim e jamais com­ple­ta­mente não. Assim sendo, é pre­fe­rí­vel não utilizá-la: de abso­luto abso­lu­ta­mente não tem nada.

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