
Intervenção Digital sobre Pictografia
O que é essa coisa a que chamamos realidade, afinal? Você pode até pensar que vive nela, mas isso não é verdade: o que é, por exemplo, uma árvore?
— É um vegetal, composto de raízes, tronco e galhos, folhas, flores, frutos e sementes — dirá o botânico.
— É um elemento mágico, manifestação de Gaya — dirá o exotérico.
— É fonte de carvão — dirá o carvoeiro.
— É a minha casinha — dirá o inseto.
Quem está certo e quem está errado? Todos e nenhum: a única maneira de abranger a realidade completa da árvore é analisá-la, ao mesmo tempo, sob todos os pontos de vista possíveis, incluindo aí, obviamente, aqueles fora do nosso alcance intelectual e espiritual.
Alcançar a realidade da árvore, portanto, é tarefa impossível: será sempre o que eu acho que é árvore, “alcançar a realidade é tarefa impossível“o que você acha que é árvore, mas jamais o que a árvore é na sua totalidade.
D. W. Hamlyn, em Uma História da Filosofia Ocidental, referindo-se ao Ethical Studies (1876), do filósofo britânico F. H. Bradley (1846–1924), diz que “o argumento gira em torno do ponto que, no que interessa ao juízo, não há possibilidade de uma identificação da realidade, ou de parte dela, exceto por referência a idéias. Apresenta uma classificação de juízos e diz que em nenhum dos casos, nem mesmo naqueles que denomina de ‘juízos analíticos de sentido’, que passa por analisar apenas a existência imediata, o juízo pode ser incondicionalmente verdadeiro. Quer isto dizer que o máximo que se pode fazer por meio do juízo é enunciar a verdade condicional de que, “a realidade só pode ser vista em termos de idéias inter-relacionadas“se a realidade é característica desta ou daquela maneira, ela também tem que ser caracterizada destas ou daquelas outras maneiras. No que interessa ao juízo, isto é, ao entendimento, a realidade só pode ser vista em termos de idéias inter-relacionadas e as relações em questão são ‘internas’ — mais do que contingentes e não independentes de seus termos, como as externas. Para o juízo, a realidade é um sistema e a verdade consiste na coerência de seus elementos”.
O que vemos, portanto, é apenas aquela parte da realidade que conseguimos alcançar. Apenas D’us tem — ou um deus teria — acesso à realidade completa. O que temos não passa de interpretações idiossincráticas, juízos de realidade.
Identifica-se como psicótico o indivíduo que perde a capacidade de ter juízo da realidade — processo mental mediante o qual se é capaz de distinguir o que pertence à nossa realidade interna do que pertence à realidade externa — e considera seus pensamentos, fantasias, imaginações e sonhos como sendo reais.
E já que tudo que alcançamos pode ser muito pouco comparado com o todo, o mínimo que podemos fazer é apegarmo-nos a essa “realidade” sem deturpá-la, sem desenvolvermos características beirando à psicose.
Comentários
Acho que o texto poderia ter sido mais abrangente ao que se refere juizo da realidade. Estou pesquisando sobre o tema e consegui muito pouca coisa, paera um trabalho na faculdade.
Resumindo, você gostaria muito que eu tivesse feito o trabalho todo pra você, não é?
Vá sonhando...
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