The Road Not Taken

Diva­ga­ções do poeta diante de uma encruzilhada

Literatura

The Road Not Taken

Diva­ga­ções do poeta diante de uma encruzilhada

Publicado em 02 de novembro de 2006 por Olegario Schmitt

O Cami­nho Não Percorrido

Num bos­que ama­re­lado, o cami­nho se par­tia em dois,
E lamen­tando igual­mente não poder seguir por ambos
E ainda ser um único via­jante, parei por muito tempo
Mirando ao longo de um deles o mais longe pos­sí­vel,
Até onde esse se recur­vava por trás dos arbustos;

Então eu esco­lhi o outro, por ser mais bonito,
E ser tal­vez o que mais me cha­masse a aten­ção,
Sendo reco­berto de relva, pedia que fosse tri­lhado;
Ape­sar do fato de que eles terem sido per­cor­ri­dos
Os tenha des­gas­tado pra­ti­ca­mente da mesma forma,
E ambos naquela manhã esta­rem igual­mente reco­ber­tos
Em folhas onde nenhum passo tivesse dei­xado marca.
Ah, mesmo assim eu dei­xei o outro para outro dia!
Mesmo sabendo de que forma se per­corre um cami­nho,
Fiquei em dúvida se algum dia deve­ria vol­tar a ele.

Deve­rei estar con­tando essa his­tó­ria, sus­pi­roso,
Nal­gum lugar, nal­gum dia, tem­pos e tem­pos depois:
O cami­nho se divi­dia em dois num bos­que, e eu —
Eu peguei aquele que havia sido menos per­cor­rido,
E foi jus­ta­mente isso que fez toda a diferença.

Robert Frost

Tra­du­ção Livre: Ole­ga­rio Schmitt

The road not taken

Two roads diver­ged in a yel­low wood,
And sorry I could not tra­vel both
And be one tra­ve­ler, long I stood
And loo­ked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the bet­ter claim,
Because it was grassy and wan­ted wear;
Though as for that the pas­sing there
Had worn them really about the same,
And both that mor­ning equally lay
In lea­ves no step had trod­den black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doub­ted if I should ever come back.

I shall be tel­ling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diver­ged in a wood, and I -
I took the one less tra­ve­led by,
And that has made all the difference.

Robert Frost

1874–1963

Comentários

  1. Paulo Qui­nes
    3 de novembro de 2009

    Tua tra­du­ção é espe­ta­cu­lar para enten­der­mos real­mente o sen­ti­mento daquele que tomou a deci­são por este ou quele cami­nho sem arre­pen­di­men­tos tolos. Muito bom! Uma das melho­res inter­pre­ta­ções (não tra­du­ção...) do texto que já vi.

  2. Ole­ga­rio Schmitt
    3 de novembro de 2009

    Obri­gado, Paulo. Fico feliz que tenha gostado.

    Você apon­tou muito bem que é uma inter­pre­ta­ção e não uma tradução.

    Às vezes há tra­du­ções impos­sí­veis... tal­vez por isso nunca tenha con­se­guido encon­trar esse poema tra­du­zido para o por­tu­guês (exceto por uma outra inter­pre­ta­ção tris­tís­sima que encon­trei na net).

    Abra­çOle

  3. wal­di­nez
    23 de novembro de 2009

    Ado­rei a essên­cia do texto que foi pas­sada para nós, belís­sima! vai me aju­dar bas­tante na prova de lite­ra­tura inglesa...

    obg.

  4. jorge
    6 de março de 2010

    muito boa a tra­du­ção, você trouxe não só as pala­vras mas tam­bém o sen­ti­mento do poema.

  5. Savio
    24 de janeiro de 2012

    Gos­tei muito do texto , em espe­cial do preâm­bulo que trata da diva­ga­ção do poeta diante da encru­zi­lhada...
    Será que sem­pre esco­lhe­mos o cami­nho mais bonito de nossa vida ?
    Para­béns por ser um escrip­tor do texto, con­se­guiu expri­mir o sen­ti­mento do poeta.

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