Tags, metatags e indexes de sentimentos

Catalogação de sensações

Literatura

Tags, metatags e indexes de sentimentos

Catalogação de sensações

Publicado em 30 de Janeiro de 2008 por Olegario Schmitt

Lau Siqueira: poesia-sim-poesia.blogspot.com

Nós, bloggers, temos mais ou menos alguma intimidade com tags, essas palavras-chave que servem para identificar o conteúdo de determinado post — e por conseqüência categorizá-lo, colocando cada coisa em sua devida caixinha.

Acho interessante analisar como vamos atribuindo tags ao longo da vida, não somente para aquilo que escrevemos, mas também para tudo o que vivemos — utilizamos tags para separar “amigos” de “não-amigos”, “chato” de “interessante”, etc..

Dessa forma, também acabamos por indexar“indexar sensações” determinadas sensações e sentimentos, inclusive aqueles indizíveis, não exprimíveis com qualquer palavra em idioma humano.

Como, a citar alguns exemplos, se conseguiria nomear a sensação expressa pelo poema O Elefante do Drummond? A do 4º Motivo da Rosa de Cecília? As do Auto-Retrato, A Rua dos Cataventos, Poeminho do Contra de Quintana?

Há algumas semanas senti falta desse poema do Lau: como a maioria de vocês, tenho em mim uma sensação, de certa forma indefinida e intangível, indexada a ele.

Esse poema é a minha tag para algo que tem um quê de tranquilidade do cansaço da luta. “poema-tag”Não aquele cansaço covarde, fraco, mas o sentimento de quem, finalmente, percebe que toda a luta é vã e é tolo tentar reter o curso de um rio com as próprias mãos — afinal, eles foram feitos unicamente para fluir.

De vez em quando eu preciso dele. É o meu índex para a sensação de quem vive à margem dessa luta insensata observando borboletas ou buscando desenhos nas nuvens, enquanto os outros, os “simples mortais” — essa é minha tag para pessoas que não tem nenhuma sensação indexada a esse poema — morrem afogados, uns agarrados nos pescoços dos outros.

Pois se me perguntassem nesse dia o que havia comigo, certamente teria respondido:

— É que hoje estou me sentindo “aos predadores da utopia”…

Comentários

  1. lau
    6 de Fevereiro de 2008

    Cara, vou acabar usando esse teu texto numa palestra que vou dar amanhã, numa cidade do interior, sobre leitura. Vc faz uma leitura muito interessante do poema. há braços! Lau

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