Ser ou não ser?

Eis a questão!

Literatura

Ser ou não ser?

Eis a questão!

Publicado em 28 de setembro de 2005 por Olegario Schmitt

Autorretrato

Ser ou não ser — eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras, e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?

Morrer… dormir… não mais! Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.

Morrer… dormir. Dormir… talvez sonhar: é aí que bate o ponto!

O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte — terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou — que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados?

De todos faz covardes a consciência! Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.

Mas, silêncio! Aí vem a bela Ofélia! Em tuas orações, ninfa, recorda-te de meus pecados.

William Shakespeare

In: Hamlet – Ato III, Cena I

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