Poema do Fecho-Éclair

Filipe Segundo tinha um colar de oiro com pedras rubis...

Literatura

Poema do Fecho-Éclair

Filipe Segundo tinha um colar de oiro com pedras rubis...

Publicado em 18 de setembro de 2006 por Olegario Schmitt

Felipe II e o Bra­sil Império

Filipe Segundo
tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro
com pedras rubis.
Cin­gia a cin­tura
com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz

Comia num prato
de prata lavrada
girafa tru­fada,
ris­sóis de ser­pente.
O copo era um gomo
que em flor desa­bro­cha,
de cris­tal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
for­ra­das de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tape­tes fla­men­gos,
com­ba­tes de galos,
alões e poden­gos,
fal­cões e cavalos.

Dor­mia na cama
de prata maciça
com dos­sel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
ver­me­lho damasco
a tíbia de um santo
guar­dada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe fal­tava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vis­tas,
safira, topá­zios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bra­gas de veludo,
peli­ças de lon­tra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

Antó­nio Gedeão

In: Poe­sias completas

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