Paul Valéry

Todo homem cria sem o saber, como respira

Literatura

Paul Valéry

Todo homem cria sem o saber, como respira

Publicado em 03 de abril de 2006 por Olegario Schmitt

Palais de Chaillot - Place du Trocadéro, Paris

Todo homem cria sem o saber
Como respira
Mas o artista sente-se criar
Seu ato compromete todo seu ser
Seu sofrimento bem amado o fortifica

Coisas raras ou coisas belas
Aqui sabiamente montadas
Instruem o olhar a ver
Como nunca d’antes vistas
Todas as coisas que estão no mundo

Depende daquele que passa
Que eu seja tumba ou tesouro
Que eu fale ou me cale
Isto não diz respeito senão a ti
Amigo não entres sem vontade

Nestes muros dedicados às maravilhas
Acolho e guardo
As obras da mão
Prodigiosa do artista
Igual e rival
Do seu pensamento
Uma não é nada sem o outro

Paul Valéry

Tradução: Olegario Schmitt

Dualidade (Escultura: Nu de Pierre de Wissant - Auguste Rodin)

Tout homme crée sans le savoir
Comme il respire
Mais l’artiste se sent créer
Son acte engage tout son être
Sa peine bien aimée le fortifie

Choses rares ou choses belles
Ici savamment assemblées
Instruisent l’oeil à regarder
Comme jamais encore vues
Toutes choses qui sont au monde

Il dépend de celui qui passe
Que je sois tombe ou trésor
Que je parle ou me taise
Ceci ne tient qu’à toi
Ami n’entre pas sans désir

Dans ces murs voués aux merveilles
J’accueille et garde
Les ouvrages de la main
Prodigieuse de l’artiste
Egale et rivale de sa pensée
L’une n’est rien sans l’autre

Paul Valéry

Comentários

  1. Beatriz Magalhães
    28 de março de 2011

    Olegário,
    Vc poderia me dizer em qual obra de Valéry se encontra este poema? Seria muito importante para mim e agradeço desde já a sua gentileza. Grata, Beatriz

  2. Olegario Schmitt
    29 de março de 2011

    Olá, Beatriz.

    Esse poema, sem título, não aparece em nenhuma obra do Valéry, pois foi encomendado a ele pelos arquitetos que construiram o Palais de Chaillot, na Place du Trocadéro em Paris. O Palais foi construído para a Exposition Internationale des Arts et Techniques dans la Vie Moderne de 1937.

    Se existir publicado em algum lugar, e repito: SE EXISTIR, talvez possa estar no Oeuvres II que, assim como o Oeuvres I, é obra póstuma.

    Também deve haver mais comentários sobre esse poema em GOURNAY, Isabelle. Le nouveau Trocadéro. Bruxelas: Mardaga, 1985. (ISBN 9782870092279)

    Abs.

    Olegario

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