Esti­ca­das

Con­sór­cio de cirur­gias plásticas

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Esti­ca­das

Con­sór­cio de cirur­gias plásticas

Publicado em 02 de dezembro de 2008 por Olegario Schmitt

Cher

Ulti­ma­mente as pes­soas têm andado mais esti­ca­das: cirur­gia plás­tica, botox, lipo­es­cul­tura... é um tal de corta, estica e cos­tura sem fim.

Tenho uma velha tia que já foi tão esti­cada, mas tão esti­cada, que quando você acha que ela está sor­rindo está na ver­dade “tudo jói­nha?“com cãi­bra no dedão do pé. E quando ela diz “jóia” com o dedão da mão direita o dedo do meio da mão esquerda faz um gesto obs­ceno. É por isso que ela só faz “jóia” com a mão esquerda no bolso e a ponta do pé esticada.

Se todas as suas ope­ra­ções para levan­ta­mento dos seios tives­sem sido fei­tas de uma única vez, che­ga­ría­mos à alar­mante con­clu­são de que eles aca­ba­riam parando nas omo­pla­tas. A sorte da senhora — de tetas per­fei­tas — é ter idade sufi­ci­ente para ter dis­tri­buído todas essas cirur­gias ao longo dos anos.

E quando você observa o qua­dril escul­tu­ral e a bar­ri­gui­nha per­feita, até esquece que ela man­dou reti­rar qua­tro cos­te­las dali. É nesse ponto que a expres­são “corpo escul­tu­ral” acaba sinis­tra­mente adqui­rindo outro sen­tido e pergunta-se: até que ponto?

É claro que isso tudo custa muito dinheiro, mas o cons­tante cres­ci­mento do mer­cado da “escul­tura humana“escul­tura humana, ou body sculp­tu­ring, tem aumen­tado a con­cor­rên­cia, o que deixa a rea­li­za­ção do sonho de um corpo per­feito cada dia mais ao alcance de todos.

A clí­nica Shrin­king & Stret­ching, de Oxford, nos Esta­dos Uni­dos, ofe­rece pla­nos de con­sór­cio pelos quais, se você enco­menda um nariz Leo­nardo di Caprio, por exem­plo, leva de brinde a bar­ri­gui­nha “Vin Die­sel” ou o bum­bun­zi­nho “Brad Pitt”.

Para tran­se­xu­ais, na seção Bar­bie Girl do catá­logo da clí­nica, há desde a legí­tima Bar­bie, até mode­los “Bar­bie Girlscomo Brit­ney Spe­ars e Cris­tina Aguil­lera, de longe as pre­fe­ri­das do público pur­pu­ri­nado. Já outra seção apre­senta exo­tis­mos, indo de Roberta Close a Rita Cadil­lac, nas ver­sões cutuncut (com ou sem cor­tes).

Nes­ses pla­nos de con­sór­cio você ofe­rece como garan­tia a hipo­teca do seu pró­prio corpo, o que não é mais nenhuma novi­dade nessa época em que pra­ti­ca­mente se pode hipo­te­car qual­quer coisa. Isso dá à segu­ra­dora no caso do não paga­mento das pres­ta­ções, den­tre outros direi­tos, o de remo­ção e subs­ti­tui­ção do produto.

Houve o caso de uma senhora de Atlanta que teve que devol­ver o seu bum­bum Madonna Super XL novi­nho e acei­tar como subs­ti­tui­ção o modelo Mar­lon Brando 2000. Mesmo sendo um“teve de devol­ver” Mar­lon legí­timo, a cli­ente ten­tou ape­lar na jus­tiça dizendo que o pro­duto era de segunda mão e estava muito usado, mas não obteve sucesso. Ela tam­bém entrou com ação por danos morais depois da divul­ga­ção do caso em rede naci­o­nal, já que após esse fato ela pas­sou a ficar conhe­cida como Mrs. But­tlanta ou, em por­tu­guês, Srª “Bundatlanta”.

Situ­a­ções como essa nos mos­tram que, ape­sar da cres­cente popu­la­ri­za­ção da cirur­gia plás­tica, o body sculp­tu­ring como método para alcan­çar o corpo per­feito mostra-se faca de dois gumes... o que no final não faz muita dife­rença mesmo, desde que a faca corte no lugar certo. E para quem ainda se per­gunta até onde che­ga­re­mos, digo que será no máximo ao ponto de sutura. Isso ou o seu bum­bum todi­nho de volta.

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