D. H. Lawrence I

“se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda”

Literatura

D. H. Lawrence I

“se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda”

Publicado em 02 de Março de 2005 por Olegario Schmitt

David Herbert Lawrence
11/09/1885 – 02/03/1930

Pelo papel que conferiu à paixão amorosa, às vezes em meticulosas descrições do amor físico, o britânico D. H. Lawrence causou polêmica em sua época, porém mais tarde passou a ser visto como um dos renovadores da prosa de ficção no século XX.

David Herbert Lawrence nasceu em Eastwood, Nottinghamshire, em 11 de setembro de 1885. Formou-se em Nottingham e lecionou durante dois anos.

Estreou na literatura com o romance The White Peacock (1911; O pavão branco), mas só com Sons and Lovers (1913; Filhos e amantes), autobiográfico, “proibido, tumultuado e obsceno”chamou alguma atenção. Lançou no mesmo ano seus Love Poems and Others (Poemas de amor e outros).

Em 1914 casou-se com a aristocrata alemã Frieda von Richthofen, com quem viveu relação tumultuada.

Depois de The Prussian Officer and Other Stories (1914; O oficial prussiano e outras histórias), começaram os problemas de Lawrence com a censura: o romance The Rainbow (1915; O arco-íris) foi proibido na Inglaterra como obsceno.

Essa repressão, somada aos horrores da primeira guerra mundial, fortaleceu em Lawrence a convicção de que os valores da civilização ocidental subjugavam os instintos vitais do ser humano, tese que desenvolveu em vários ensaios e no romance Women in Love (1920; Mulheres apaixonadas), depois apontado pela crítica como uma das obras-primas da literatura inglesa.

A partir de 1921, o desejo de abandonar a Europa aumentou e a vida de Lawrence tornou-se uma peregrinação em busca de sociedades mais livres e naturais. As viagens à Austrália e ao México lhe inspiraram respectivamente Kangaroo (1923; Canguru) e The Plumed Serpent (1926; A serpente emplumada), “Os sentimentos que as pessoas deveriam ter, nunca têm.”mas a fascinação pela natureza dessas terras alcançou sua melhor expressão na sensualidade dos poemas de Birds, Beasts and Flowers (1923; Pássaros, feras e flores).

Em 1928, radicado em Florença, Lawrence publicou seu mais célebre romance, Lady Chatterley’s Lover (O amante de Lady Chatterley), que conheceu sucessivas proibições e cujo texto integral só veio a público em 1959, em Nova York. A obra recria as relações entre uma aristocrata inglesa, casada com um aleijado, e seu guarda florestal: ao mesmo tempo em que defende a liberdade sexual, ataca frontalmente as convenções sociais.

D. H. Lawrence morreu de tuberculose em Vance, perto de Antibes, França, em 2 de março de 1930.

As Mulheres, No Que Me Respeita

David H. Lawrence

Os sentimentos que não tenho, não tenho.
Os sentimentos que não tenho, não vou dizer que tenho.
Os sentimentos que vocês dizem que têm, não têm.
Os sentimentos que vocês quereriam que nós e vocês tivéssemos,
nenhum de nós tem.
Os sentimentos que as pessoas deveriam ter, nunca têm.
Se as pessoas dizem que têm sentimentos, pode-se estar certo que
não têm nenhuns.
Por isso, se vocês querem que nós ou vós sintamos alguma coisa,
é melhor abandonar por uma vez a idéia de sentir.

Tradução: Mário Alves Coutinho

Tudo que temos é a vida

David H. Lawrence

Tudo que temos, enquanto vivemos, é a vida;
se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda.
E trabalho é vida, e vida é vivida no trabalho
a menos que você seja um escravo do salário.
Enquanto um escravo do salário trabalha, deixa a vida de lado
e fica lá um pedaço de merda.

Os homens deveriam recusar-se a ser sem vida no trabalho.
Os homens deveriam recursar-se a ser montes de assalariados de merda.

Os homens deveriam recusar-se a trabalhar, como escravos assalariados.
Os homens deveriam exigir trabalhar para si mesmos, por si mesmos, e investir sua vida nisso.
Pois se um homem não tem vida no seu trabalho, ele é basicamente um monte de merda.

Tradução: Mário Alves Coutinho

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