Carpe Diem

Tempo é arte, por isso mui­tos poe­tas já can­ta­ram sobre a melhor maneira de apro­vei­tar o dia.

Literatura

Carpe Diem

Tempo é arte, por isso mui­tos poe­tas já can­ta­ram sobre a melhor maneira de apro­vei­tar o dia.

Publicado em 02 de agosto de 2004 por Olegario Schmitt

T(E)=Arte

Carpe diem é expres­são de ori­gem latina sig­ni­fi­cando “apro­veite o dia”.

Desde Horá­cio, o tema tem sido recor­rente ao longo dos sécu­los. Apa­re­ceu no renas­cen­tismo fran­cês, no bar­roco inglês e no arca­dismo bra­si­leiro, citando alguns exemplos.

Carpe diem tam­bém está pre­sente na cul­tura ori­en­tal e, por incrí­vel que pareça, até na poe­sia asteca, pré-colombiana¹. Embora os aste­cas não tives­sem conhe­ci­mento de Horá­cio e muito menos de carpe diem ou de tem­pus fugit, já sabiam que tempo é arte (Zeit ist Kunst), conhe­cendo pro­fun­da­mente a fór­mula da Lei do Tempo (T(E)=Arte)², mas como esse Blog não é eso­té­rico, tam­pouco trata de física, não entrará em deta­lhes sobre a matéria.

De Horá­cio a Júdice muita coisa mudou na lite­ra­tura e no mundo: per­ma­nente ainda é o desejo de apro­vei­tar a vida ao máximo.

¹ APUD Josi­ane Toledo Fer­reira Silva/Leila Moraes de Souza In: UM OLHAR SOBRE A LITE­RA­TURA DA AMÉ­RICA LATINA

² Jose Argüel­les In: O Fator Maia

Ode XI

Quin­tus Hora­tius Flac­cus (65 aC — 8 aC)

Tu ne qua­e­si­e­ris — scire nefas — quem mihi, quem tibi
finem di dede­rint, Leu­co­noë, nec Baby­lo­nios
temp­ta­ris nume­ros. ut melius, quic­quid erit, pati!
seu plu­res hie­mes, seu tri­buit Iup­pi­ter ulti­mam,
quae nunc oppo­si­tis debi­li­tat pumi­ci­bus mare
Tyrhe­num. Sapias, vina liques, et spa­tio brevi
spem lon­gam rese­ces. dum loqui­mur, fuge­rit invida
aetas: carpe diem, quam mini­mum cre­dula postero.

Não pro­cu­res saber — os deu­ses não per­mi­tem — o fim que será dado a mim ou a ti, Leo­cone, nem bus­ques saber a sorte dos núme­ros nos tem­plos babilô­ni­cos. O quanto é melhor dedicar-se aos afa­ze­res domés­ti­cos. Sejam, ainda, nume­ro­sos os anos que nos res­tam, ou seja este o último que deve­mos dar tri­buto a Júpi­ter, sem nunca mais ver as fra­cas águas bate­rem nas duras rochas do Mar Tir­reno. Sê sábia, fil­tra teus vinhos, e o tempo pas­sará célere. De inveja, o tempo voa enquanto fala­mos: colhe o dia de hoje, não te impor­tes com o amanhã.

Trad.: Ole­ga­rio Schmitt

Son­net Pour Helène

Pierre de Ron­sard (1524–1585)

Quand vous serez bien vieille, au soir, à la chan­delle
Assise auprès du feu, dévi­dant et filant,
Direz, chan­tant mes vers et vous émer­veil­lant:
“Ron­sard me céle­brait du temps que j?étais belle”.

Lors vous n?aurez ser­vante oyant telle nou­velle
Déjà sous le labeur à demi som­meil­lant
Qui, au bruit de Ron­sard, ne s?aille réveil­lant,
Bénis­sant votre nom de lou­ange immortelle.

Je serai sous la terre et, fantôme sans os,
Par les ombres myr­teux, je pren­dai mon repos;
Vous serez au foyer une vieille accroupie,

Regret­tant mon amour et votre fier dédain.
Vivez, si m’en croyez, n?attendez à demain:
Cueil­lez dès aujourd?hui les roses de la vie.

Carpe Diem

Wil­liam Sha­kes­pe­are (1564 — 1616)

O mis­tress mine, where are you roa­ming?
O stay and hear! your true-love’s coming
That can sing both high and low;
Trip no further, pretty swe­e­ting,
Journey’s end in lovers’ mee­ting —
Every wise man’s son doth know.

What is love? ’tis not here­af­ter;
Pre­sent mirth hath pre­sent laugh­ter;
What’s to come is still unsure:
In delay there lies no plenty, —
Then come kiss me, Sweet and twenty,
Youth’s a stuff will not endure.

To the Vir­gins, to Make Much of Time

Robert Her­rick (1591 — 1674)

GATHER ye rose­buds while ye may,
Old time is still a-flying;
And the same flower that smi­les today
Tomor­row will be dying.

The glo­ri­ous lamp of hea­ven the sun,
The higher he’s a-getting,
The soo­ner will his race be run,
And nea­rer he’s to setting.

That age is best which is the first,
When youth and blood are war­mer;
But being spent, the worse, and worst
Times still suc­ceed the former.

Then be not coy, but use your time,
And, while ye may, go marry;
For, having lost but once your prime,
You may fore­ver tarry.

Carpe Diem

Nuno Júdice (1949)

Con­fias no incerto ama­nhã? Entre­gas
às som­bras do acaso a res­posta ina­diá­vel?
Acei­tas que a diurna inqui­e­ta­ção da alma
subs­ti­tua o riso claro de um corpo
que te exige o pra­zer? Fogem-te, por entre os dedos,
os ins­tan­tes; e nos lábios dessa que amaste
morre um fim de frase, dei­xando a dúvida
defi­ni­tiva. Um nome inú­til per­se­gue a tua memó­ria,
para que o rou­bes ao sono dos sen­ti­dos. Porém,
nenhum rosto lhe dá a forma que dese­ja­rias;
e abra­ças a pró­pria figura do vazio. Então,
por que espe­ras para sair ao encon­tro da vida,
do sopro quente da pri­ma­vera, das mar­gens
visí­veis do humano? “Não”, dizes, “nada me obri­gará
à renún­cia de mim pró­prio — nem esse olhar
que me ofo­rece o leito pro­fundo da sua ima­gem!“
Louco, ignora que o des­tino, por vezes,
se con­funde com a bre­vi­dade do verso.

Comentários

  1. Luiz Cesar
    5 de outubro de 2007

    Bueno, este é um dos melho­res site que fala da cul­tura que ja vitei. Porem mui­tas das vezes pes­qui­sa­mos assun­tos na net e nos base­a­mos por sites com­ple­tos como este... Pre­cisa des­cre­ver a um amigo o que era o sapu­cay, claro que encon­trei em outros sites inclu­si­ves dos her­ma­nos argen­ti­nos, mas neste aqui foi onde achei a melhor expli­ca­ção em por­tu­gues, porem não con­se­gui nem copiar a expli­ca­ção e nem se quer o link.. ou seja, como eu vou indi­car, mesmo que o link pra alguem? Bueno como foi de meu inte­resse eu dei um ctrl print scrn e copiei o que que­ria, mas quem não conhece estas manhas sim­ples não con­se­gue divul­gar vosso site. espero que com­pre­en­das o que vos digo. no mas um que­bra costela.

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