Beija-Flor

De flor em flor, o beija-flor foge… das rimas de amor.

Literatura

Beija-Flor

De flor em flor, o beija-flor foge… das rimas de amor.

Publicado em 05 de setembro de 2004 por Olegario Schmitt

A maldição dos beija-flores é serem eternamente rimados com dores e amores e — ora, vejam, que originalidade! — com flores. Por isso são tão lépidos e fugidios: para que os poetas não tenham tempo de rimá-los com coisas óbvias.

Neste bosque alegre e rindo
Sou amante afortunado;
E desejo ser mudado
No mais lindo Beija-Flor.
…………………………………….
E num vôo feliz ave
Chego intrépido até onde
Riso e pérolas esconde
O suave e puro Amor.

Silva Alvarenga (1749-1814)

Rondó VII — O Beija-Flor In: Glaura — Poemas Eróticos

Conheço a moça franzina
Que a fronte cândida inclina
Ao sopro de casto amor:
Seu rosto fica mais lindo,
Quando ela conta sorrindo
A história do beija-flor.

Tobias Barreto (1839-1889)

O Beija-Flor In: Dias e Noites

Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
Oferta
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor

Oswald de Andrade (1890-1954)

Balada do Esplanada In: Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade

Tu és divina e graciosa,
estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada,
e formada com o ardor
Da alma da mais linda flor
de mais ativo olor
Que, na vida, é preferida
pelo beija-flor.

Pixinguinha (1897-1973)

Rosa

Eu protegi teu nome por amor
Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor (nunca)
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Cazuza (1958-1990)

Codinome Beija-Flor In: Exagerado

E como nem tudo são flores na vida dos beija-flores, segue o poema Le Colibri, de Leconte de Lisle, com versão para o português por ninguém menos que D. Pedro II:

Le colibri

Charles-Marie Leconte de Lisle (1818-1894)

Le vert colibri, le roi des collines,
Voyant la rosée et le soleil clair
Luire dans son nid tissé d’herbes fines,
Comme un frais rayon s’échappe dans l’air.

Il se hâte et vole aux sources voisines
Où les bambous font le bruit de la mer,
Où l’açoka rouge, aux odeurs divines,
S’ouvre et porte au coeur un humide éclair.

Vers la fleur dorée il descend, se pose,
Et boit tant d’amour dans la coupe rose,
Qu’il meurt, ne sachant s’il l’a pu tarir.

Sur ta lèvre pure, ô ma bien-aimée,
Telle aussi mon âme eût voulu mourir
Du premier baiser qui l’a parfumée!

In: Poèmes barbares

O Beija-Flor

D. Pedro II (1831-1889)

O verde beija-flor, rei das colinas,
Vendo o rocio e o sol brilhante
Luzir no ninho, trança d’ervas finas,
Qual fresco raio vai-se pelo ar distante.

Rápido voa ao manancial vizinho,
Onde os bambus sussurram como o mar,
Onde o açoká rubro, em cheiros de carinho,
Abre, e eis no peito úmido a fuzilar.

Desce sobre a áurea flor a repousar,
E em rósea taça amor a inebriar,
E morre não sabendo se a pode esgotar!

Em teus lábios tão puros, minha amada,
Tal minha alma quisera terminar,
Só do primeiro beijo perfumada!

In: D. PEDRO II. Poesias completas de D. Pedro II

Comentários

  1. keile
    8 de setembro de 2008

    É dificil qdo nos apaixonamos por um beija-flor…

    É foi tudo muito rápido e agora à distância desse voô…que faço?

    Beija -flor gosta de beijar orquídeas?

    Como vc mesmo disse a maldição é serem sempre rimados e tb vivenciados com dores e amores…

  2. cristiano do carmo
    3 de novembro de 2012

    oi, aqui quem falar e o cristiano: declaro que esta poesia e muito agradavel nos momentos resitatorio para quem a resitar.
    obrigado por expor o meu agradecimento por ter lido a poesia.

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