Animais de estimação

Trágicas histórias de quatro patas…

Literatura

Animais de estimação

Trágicas histórias de quatro patas…

Publicado em 13 de outubro de 2008 por Olegario Schmitt

Furioso

Quando eu era criança morava num sítio e tinha um porquinho de estimação chamado Porquinho. Ele era bem roliço porque ganhava de mamar no bico, apesar “o porco sumiu”dos protesto de mamãe em “jogar leite fora com esse porco”. Ia roncando atrás de mim o tempo todo e quando eu coçava sua barriga ele dormia com a pancinha virada para cima. Até que um dia o tal do porco sumiu, misteriosamente. Apenas já muito grande é que fui entender que a gente havia comido ele.

Depois tive o Bequinho, um bezerro cuja mãe havíamos jantado no ano novo. Mas eu o ensinei a cabecear e a dar coices de forma que começou a ficar extremamente perigoso conforme crescia. “o bezerro me cabeceou”Certa feita, no meio do nada, Bequinho me cabeceou para dentro de uma vala funda de barro e minha mãe pegou implicância com ele. Na sua última façanha, encurralou dois negociantes no canto do galpão de papai e eles ficaram encantados. Criança ingênua, ainda mostrei todos os outros truques terríveis que ele sabia fazer. Foi vendido por um bom preço, apesar de meus protestos.

Houve também um cágado que meu pai trouxe de uma pescaria. Não havia ainda nem lhe posto nome“o cágado desapareceu para sempre” e fiquei com pena do bichinho lá preso. Resolvi colocá-lo numa vala para ele nadar só um pouquinho, que depois o pegava de volta. Nem preciso dizer que assim que caiu na água o cágado desapareceu para sempre e chorei por várias semanas.

Por último, tive uma gata pesteada chamada Missinha. Eu vivia com a Missinha no colo, e só fazia alisar a gata magrela dizendo “Missinha, Missinha…”. E minha mãe dizendo “larga essa gata que ela está pesteada”… “larga essa gata!”… mas eu “Missinha, Miiiis-siiii-nhaaaa”. Até que minha mãe vaticinou: “Missinha, Missinha”“larga essa gata porque ela vai te cagar!” Língua de mãe é fogo! Mal ela fechou a boca, Missinha fez cocô em mim dos pés a cabeça. Joguei-a longe sem dó nem piedade: “sua praga churrienta”! Drama à parte foi retirar a camiseta pela cabeça, com “aquilo” passando bem na frente do meu nariz… E eu dizendo “corta a camiseta com a tesoura”, e minha mãe “nem pensar porque a camiseta é nova. Eu avisei!”. Meu pai só fazia se entortar de tanto dar risada e durante semanas às vezes encontrava com ele rindo sozinho. Não sei exatamente o porquê, só sei desde então odeio gatos profundamente.

Como se nota, minha história com bichinhos de estimação é bastante trágica e acho que ela se reflete claramente em minha relação com as pessoas — algumas morreram, outras fugiram ou foram vendidas e nunca mais voltaram e outras ainda, metaforicamente, também fizeram cocô em mim. E está tudo bem, porque as coisas são assim.

De qualquer forma, é por isso hoje em dia gosto preferencialmente de cachorros em detrimento dos outros animais, incluindo aí os seres “humanos” — os cães nunca me decepcionaram. E, o melhor de tudo, pelo menos os que eu tive, já vinham com pulgas de fábrica.

Não há nada mais chato na vida
Do que um cachorro sem pulgas…

Mario Quintana

Comentários

  1. Vinícius
    10 de outubro de 2008

    hahahaha como foi esse processo de ensinar um bezerro a dar cabeçadas e coices? Pagava pra ver… 😀

    Como esses bichinhos são desapegados, não?

  2. Olegario Schmitt
    13 de outubro de 2008

    Bem que com filhos poderia ser assim, como com os animais, que não precisam nem de respeito, apenas quando estamos dispostos fazemos um carinho e depois sai daqui cachorro! Com gente não, temos de respeitar, cuidar, dar atenção o tempo inteiro, demonstrar amor incondicional , mostrar o quanto amamos… Mas, também, com gente é encantador toda vez que se consegue um sorriso e um brilho de alegria nos olhinhos que antes continham apenas nuvens de abandono, tristeza, carência, desrespeito, falta de afeto. Ainda acho gente, seja de que jeito for, interessante. Bicho é bicho e merece todo respeito sim, como toda a natureza que Ele colocou à nossa disposição. Beijo,Abraço,Sandra Solange Schmitt

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