A minha his­tó­ria com Lady Spirro

A his­tó­ria de uma vici­ada... em orelhas!

Literatura

A minha his­tó­ria com Lady Spirro

A his­tó­ria de uma vici­ada... em orelhas!

Publicado em 02 de dezembro de 2008 por Olegario Schmitt

Lady Spirro

Meus olhos cin­ti­lan­tes cor-de-telha estão vidra­dos no moni­tor, ao mesmo tempo em que os meus dedos des­tri­pam furi­o­sa­mente o teclado.

São 22 horas e o sol azul se põe no hori­zonte ver­ti­cal da Net-Heart, enquanto Lady Spirro engole “vici­ada... em ore­lhas“mais uma de minhas orelhas.

Pre­ciso fazer com que ela pare com isso, já é a ter­ceira ore­lha minha que ela come só nessa semana e eu acho que ela está ficando vici­ada. Estou preocupado.

Lady Spirro é uma coisa estra­nha. Há alguns anos atrás eu me arris­ca­ria a chamá-la de mulher, mas hoje eu não sei mais de nada. Ainda mais com essa gosma verde que escorre inces­san­te­mente dos seus lábios.

Tudo come­çou com o grande mare­moto de algas quí­mi­cas. Todos sabem do mare­moto, seria redun­dân­cia con­tar toda aquela his­tó­ria nau­se­ante“mare­moto de algas quí­mi­cas” nova­mente... Pois bem, Lady Spirro, assim que ficou sabendo do mare­moto que se apro­xi­mava, pegou a sua pran­cha de Net-Surf e cor­reu para a praia. Quando con­se­guiu ultra­pas­sar a vasta bar­reira mor­tal de car­ca­ças de pei­xes mor­tos, a enorme onda cor-de-rosa já se avis­tava no horizonte.

Lady Spirro é maluca! Lançou-se à essa gela­tina que anti­ga­mente cha­má­va­mos Mar, e sur­fou radi­cal­mente naquela onda imensa.

Ela nunca mais foi a mesma. Sua pele que antes era sedosa e macia, devido aos ácidos sul­fu­ro­car­bo­na­ta­dos espe­ci­ais que usava, ficou estra­nha­mente verde e fos­fó­rea. Dos seus olhos ficou, durante meses, escor­rendo um líquido preto e vis­coso de um mau cheiro horripilante.

Lady Spirro aca­bou com o meu esto­que de len­ci­nhos de papel lim­pando aquela gos­meira toda, sem falar nessa“come­çou com os pets” estra­nha mania que ela desen­vol­veu após o ocor­rido, que é a de comer ore­lhas. Quando ela comia as ore­lhas ape­nas dos cachor­ros e dos gatos dos vizi­nhos eu não me pre­o­cu­pava, mas com o tempo ela pas­sou a comer as ore­lhas dos vizi­nhos também.

Estra­nha­mente todos eles desa­pa­re­ce­ram sem dei­xar ves­tí­gios. Des­con­fio que Lady Spirro os tenha comido. A minha sorte é que eu apliquei-me aquela inje­ção para sur­dos crô­ni­cos, que faz cres­cer ore­lhas por todo o corpo. Se eu não tivesse um número sufi­ci­ente de ore­lhas sobres­sa­len­tes, não sei o que seria de mim.

Lady Spirro é um perigo!

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