A maçã é vermelha

Roteiro para esquete teatral

Literatura

A maçã é vermelha

Roteiro para esquete teatral

Publicado em 10 de outubro de 2004 por Olegario Schmitt

Esse roteiro é baseado em fatos reais. Por esse motivo, os “personagens” da história são tratados por nomes genéricos como Professor e Aluno, preservando-se suas identidades.

Professor: Sou um ser humano excepcional e ótimo professor. Adoro ser corrigido, pois penso não ser o detentor de todo Conhecimento.

Aluno (em pensamento): Que legal, um Homem de verdade. Tão raro hoje em dia…

Professor (escrevendo no quadro): A maçã é azul.

Aluno: Professor, eu já pesquisei o assunto e a maçã é vermelha.

O Professor permanece em silêncio.

Aluno (em casa, em pensamento): Que estranho… o Professor disse que poderia ser corrigido mas não reagiu nada bem à minha correção. No entanto, voltei a pesquisar o assunto e constatei que a maçã realmente é vermelha. Vou relatar isso a ele porque o Conhecimento é mais importante do que tudo.

Aluno (para Professor, via e-mail): Caro Professor, espero que você não se importe de eu estar lhe corrigindo novamente, mas tornei a pesquisar o assunto e a maçã realmente é vermelha. Segue abaixo a bibliografia.

Na próxima aula, o Professor permanece em silêncio, novamente.

Professora (em aula sobre educação, sobre o papel do professor na formação do aluno): O professor não é o detentor de todo o Conhecimento. Muitas vezes o aluno sabe de coisas que o professor não sabe e, assim, estabelece-se uma troca. A função do professor é a de mediador entre o Conhecimento e o aluno.

Aluno: Professora, há alguns dias um Professor escreveu no quadro “A maçã é azul”. Como eu já tinha pesquisado sobre o assunto, disse “Professor, a maçã é vermelha”. O Professor agiu como se não estivesse ouvindo. Mais tarde, em casa, tornei a pesquisar sobre o assunto e enviei e-mail para o professor, citando bibliografia, reafirmando que a maçã realmente era vermelha. Ele mais uma vez fez de conta que nada havia acontecido. Qual postura tomar diante desse fato, Professora?

Professora: Você deve ter se dirigido ao Professor em tom de voz inadequado.

Aluno: Não senhora, Professora. Falei com ele no mesmo tom de voz que estou falando com você agora.

Professora: Você não deveria ter corrigido o Professor na frente de toda a turma, deveria ter o chamado a um canto e exposto o problema.

Aluno: Isso quer dizer que o erro foi meu?

Professora: Não, de forma alguma. Mas deve-se tomar cuidado escolhendo o tom de voz e o momento adequados.

Aluno: Isso quer dizer então que, em primeiro lugar, devo me preocupar em não ferir a vaidade do Professor, para depois, e apenas depois, estabelecer o Conhecimento? Isso significa que a pequenez humana se sobrepõe ao Conhecimento?

Professora (visivelmente irritada): Não, não é isso. Não se pode generalizar.

Aluno: Mas foi isso que a Senhora disse.

Professora: Esse é um assunto complicado.

Aluno (em pensamento): É muito triste: a pequenez humana realmente se sobrepõe ao Conhecimento. Foi assim durante a Inquisição, durante a Ditadura e assim continua sendo na democracia selvagem do mundo moderno…

Desce o pano. Ninguém aplaude.

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