Máximas Mínimas

Suspeito de que nenhum néscio goste de si mesmo, pois nem mesmo um néscio seria capaz de tamanho mau gosto.
Algumas pessoas não me causam raiva, mas pena: acordar todo dia e dar de cara com elas mesmas em frente ao espelho é algo que ninguém merece.
Há pessoas que deveriam ser incapacitadas de procriar. É assustador pensar que possam vir a existir outros iguais a elas, ainda mais quando se percebe que são justamente estas as que procriam indiscriminadamente.
O som da língua inglesa falada pelos americanos se assemelha ao de um cão engasgado. A diferença é que, no caso dos cães, se quer exprimir alguma coisa.
Algumas doces senhoras, de tantas cirurgias, acabam por ter as faces plastificadas. Afinal, é esse mesmo o objetivo, não é? Cirurgia... plástica?
As máximas costumam ocupar espaço mínimo. Ao contrário de “Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico”, uma palavra imensa, ridícula e sem nenhuma serventia que costuma me deixar acometido de hipopotomonstrosesquipedaliofobia.
Nunca li “A Arte de Insultar” de Schopenhauer mas, como se nota, este livro não parece ter me feito nenhuma falta.
Ginecorrevolta

Picasso - Mulheres Correndo na Praia (1932)
Estive pensando e cheguei à conclusão de que praticamente todos os aborrecimentos, meus e das pessoas que conheço, têm o mesmo ponto de origem: uma mulher.
Não, não se trata da mesma mulher, tampouco isso é declaração de amor às avessas, à la Vinícius de Morais, que fique bem claro.
Todas as chateações que tive no último ano e meio de faculdade tiveram como origem três mulheres distintas, uma em cada semestre. Praticamente todas as pessoas que agiram de maneira desprezível comigo nos últimos cinco anos eram mulheres. Os homens que por ventura me aborreceram eram, na sua imensa maioria, homossexuais, portanto fico sem saber como classificá-los.
Sim, sei que pode estar soando bastante machista e preconceituoso mas acredite, é a mais pura verdade. Conversei com diversas pessoas de ambos os sexos sobre esse assunto, na esperança de que alguém conseguisse me trazer argumento — um único que fosse — desmontando minha teoria, mas todos concordaram de que uma mulher sempre estava por trás de seus aborrecimentos. Eu gostaria de não estar certo, talvez até mesmo não esteja, mas não consigo encontrar nada negando meu pensamento.
O que afinal estará acontecendo com as mulheres? O que lhes falta? Por que essa sandice descontrolada?
Terá sido assim desde sempre? A origem estaria em Eva?
Será que depois de tantos milênios de repressão as mulheres agora não sabem o que fazer com essa (relativa) liberdade recém conquistada e por isso resolveram jogar seus filhos através das janelas?
Todo aquele dourado nas vitrines será para disfarçar algum tipo de escuridão interiorizada?
Não sei... não consigo responder a nada disso, mas cheguei à conclusão de que as mulheres não estão tentando controlar o mundo — e, cá entre nós, jamais conseguiriam mesmo dessa maneira. Estão, isto sim, tentando nos enlouquecer. E estão conseguindo.
Pourquoi, Seigneur, les hirondelles

Pourquoi, Seigneur, les hirondelles
Pourquoi, Seigneur, les hirondelles,
Si bas, puis si haut volent-elles :
Qu'en savent-elles,
Qu'en sais-je? rien.Et moi, pourquoi gai, puis morose,
Pourquoi mes vers, pourquoi ma prose,
Pourquoi sous mes doigts cette rose,
Qu'en sais-je? rien.
Fagus (1872-1933)
Du pont des arts, balcon de Paris
Por que, Senhor, as andorinhas
Por que, Senhor, as andorinhas
Tão baixo, depois tão alto voam:
Que sabem elas,
Que sei eu? nada.E eu, por que alegre, depois sombrio,
Por que meus versos, por que minha prosa,
Por que cunham meus dedos essa rosa,
Que sei eu? nada.
Fagus (1872-1933)
Traduttore, Traditore: Olegario Schmitt
Acrósticos
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Beijo doce Alma clara Lambo os lábios Amo a bala! Olegario Schmitt |
Pus meu sonho Inacessível Preso a um fio. Alto voava... Olegario Schmitt |
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Eleve-se!
Vídeo com a montagem da obra "Eleve-se!" (Instalação do tipo Sítio Específico em ASCII Art) sobre uma porta de elevador.
As legendas estão em inglês.Quando

Série Little Planets - X. Salto do Toropi/RS
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.Alberto Caeiro
In: O Pastor Amoroso
Pincel

As coisas não têm sentido,
porque único sentido que existe nas coisas
é o sentido que lhes atribuímos.Assim sendo posso atribuir
qualquer sentido à qualquer coisa
que não fará diferença nenhuma.Atribuo, por exemplo, o sentido
de candelabro a meus dedos.E o céu é verde-claro nos dias de sol
e verde-musgo durante
as noites e dias de chuva.E as armas são pirulitos
e as balas são borboletas
e o sangue é o caramelo da vida.Sei que meus dedos continuam apagados
e que o céu ainda é dessa cor
que a gente pensa que é azul,
mas gosto de imaginá-los assim
porque o mundo é do jeito que eu vejo
ou do jeito que eu quero ver.
Sinal dos Tempos: 4 anos

Albrecht Dürer - Os 4 Cavaleiros do Apocalipse
Num mundo onde cada vez mais se percebe uma generalizada falta de leitmotiv, de ausência de caráter, a selvageria do individualismo desenfreado afetando todo o coletivo, inclusive as pessoas praticantes dessas atitudes, há quatro anos nascia o Sinal dos Tempos Blog. Com logo exibindo uma bomba atômica, escrito por um cara utilizando máscara química, o Blog nunca teve intenção de ser oásis em meio a esse deserto.
Portanto, antes de comemorar os cerca de 200 visitas e 2500 hits diários — isso num ambiente sem fadinhas ou borboletinhas esvoaçantes —, é importante que se mantenha vivo o propósito desse espaço.
Gostaria de ter associado o número de aniversários com as estações do ano, se estas ainda existissem, ou quiçá com os pontos cardeais, se a humanidade não tivesse perdido seu norte há muito tempo. Até os néscios percebem que o mundo está mudando e por muitas vezes é inevitável adotar certo tom apocalíptico: são quatro anos e eram quatro cavaleiros, sinalizando a conquista, o extermínio, a fome e a morte.
Nada disso chega a ser novidade depois da eliminação de 6 milhões de judeus, mas a questão é: tudo isso AINDA continua acontecendo — as coisas mudam e os cavaleiros da visão do apóstolo vão se adaptando aos novos tempos.
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Cavalo Branco – A Conquista Tibete E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer. Apocalipse: 6-1,2 |
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Cavalo Vermelho – A Guerra Iraque E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. Apocalipse: 6-3,4 |
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Cavalo Negro – A Fome Sudão E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho. Apocalipse: 6-5,6 |
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Cavalo Amarelo – A Morte China E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra. Apocalipse: 6-7,8 |
Isso são apenas pequenas amostras. Escolhidas a dedo, é claro. Porém, não seria difícil reduzir esse universo unicamente a um continente, qualquer que fosse. Ou reduzir ao nosso país, nossa cidade, nosso bairro. Talvez não fosse necessário muito esforço para encontrar esses quatro sinais unicamente dentro do próprio prédio onde se vive.
Faz quatro anos e eu gostaria de comemorar, mas bem na esquina da minha casa uma dezena de pessoas passa as noites ao relento.
Dedão

Somos uma coisa, passamos ser outra completamente diferente e o que as pessoas pensam que somos é ainda uma terceira coisa, que não tem nada a ver com a história. No meio disso tudo, onde fica o que somos de verdade?
Nessa busca, acabei por descobrir que minha essência está personificada no dedão do meu pé: sempre com uma unha encravada, algo por dentro que incomoda e lateja e tenta rasgar seu caminho para fora.
Por isso a arte...
Quando se escrafunha ali, digo, aqui, sempre dói muito e fica a sensação de que ficou alguma coisa escondida lá dentro, mas que a gente não consegue ver direito...
Acho que sou meu dedão do pé porque nos melhores dias inflamo.
Dia Internacional do Beijo

Antonio Canova - Psyché ranimée par le baiser de l'Amour (1777)
No Escuro
no escuro
do teu ninho
te adivinhonum afago
sinto que apago
o que não vejonum gesto
de desejo
— beijo
Olegario SchmittIn: O Amor & Outras Coisas Que Coçam









