O Gaúcho que Não Comia Porco



R.I.P.


Deu-se que não comia porco. Nem puchero, nem morcilha, nem cabeça, nem torresmo. Em suma, não comia nada daquilo que fazia um gaúcho verdadeiramente gaúcho, macho fodedor de tendências zoófilas — e de toda gaúcha uma fêmea intimamente resignada, submissa ao seu provedor.

Mas não era o fato em si de não comer porco que os agredia. Antes, era simplesmente a ausência de algum motivo plausível: se não pudesse fazê-lo devido a doença gravíssima, vá lá. Transformar-se-ia inclusive numa espécie de mártir da tradição, impedido unicamente pela própria vida em risco — não seria simplesmente por vontade de não comer: “Querer até que queria, coitado, mas não podia”, diriam eles entre si, mas somente na sua ausência e com aquele ar falsamente consternado de quem vislumbra o doce sofrimento alheio. Se viesse a morrer por intoxicação, então, mais do que mártir seria herói, sua história contada e recontada ao longo das gerações. “Aquilo sim que era gaúcho”, diriam com olhar sonhador e sem disfarçar uma pontinha de inveja...

Se quisesse, mas não pudesse, então esse fato inexplicável estaria enfim explicado. Mas não possuía úlcera gástrica ou triglicerídios nas nuvens ou ameaça iminente de infarto nem herpes que fosse para justificar sua falta. Nadinha de nada.

Dava-se unicamente o absurdo de não comer porco, e por isso era visto como alguma espécie de extraterrestre aterrisado de algum planeta mui longínquo e exótico, do qual a gente só sabe a existência de ouvir falar ou através da TV. Um planeta habitado unicamente por homossexuais não-comedores-de-porco. Um planeta de maricas não-pujantes e que, pelo andar da carroça, tudo levava a crer que também não arrotavam ou peidavam em público, não expeliam cuspe ao coçar o saco, não seguravam os ossos com as mãos e não utilizavam palitos de dentes nem mesmo em privado.

Um gaúcho que não comia porco, eis aqui uma história digna de se contar. Ver esse sujeito mesmo com meus próprios olhos, nunca vi. Mas quem viu e me contou jura que isso é verdade. Um verdadeiro absurdo, como se pode perceber.

Lá e Cá III



Retratos Portugueses - 50x75cm


16 imagens da série Retratos Portugueses foram selecionadas para a exposição coletiva Lá e Cá III, cujo tema esse ano é Identidades e, com curadoria de João Kulcsár, acontecerá no Instituto Camões - Embaixada de Portugal (Brasília/DF).

Essa coletiva, assim como nas demais edições, busca promover a integração Brasil/Portugal através da fotografia, contando com imagens produzidas por fotógrafos portugueses (lá) e brasileiros (cá).

Em datas a serem definidas, a exposição virá "cá" para São Paulo, depois irá para "lá", digo, Lisboa e Porto, Portugal.

Esticadas



Cher


Ultimamente as pessoas têm andado mais esticadas: cirurgia plástica, botox, lipoescultura... é um tal de corta, estica e costura sem fim.

Tenho uma velha tia que já foi tão esticada, mas tão esticada, que quando você acha que ela está sorrindo está na verdade com cãibra no dedão do pé. E quando ela diz “jóia” com o dedão da mão direita o dedo do meio da mão esquerda faz um gesto obsceno. É por isso que ela só faz “jóia” com a mão esquerda no bolso e a ponta do pé esticada.

Se todas as suas operações para levantamento dos seios tivessem sido feitas de uma única vez, chegaríamos à alarmante conclusão de que eles acabariam parando nas omoplatas. A sorte da senhora — de tetas perfeitas — é ter idade suficiente para ter distribuído todas essas cirurgias ao longo dos anos.

E quando você observa o quadril escultural e a barriguinha perfeita, até esquece que ela mandou retirar quatro costelas dali. É nesse ponto que a expressão “corpo escultural” acaba sinistramente adquirindo outro sentido e pergunta-se: até que ponto?

É claro que isso tudo custa muito dinheiro, mas o constante crescimento do mercado da escultura humana, ou body sculpturing, tem aumentado a concorrência, o que deixa a realização do sonho de um corpo perfeito cada dia mais ao alcance de todos.

A clínica Shrinking & Stretching, de Oxford, nos Estados Unidos, oferece planos de consórcio pelos quais, se você encomenda um nariz Leonardo di Caprio, por exemplo, leva de brinde a barriguinha “Vin Diesel” ou o bumbunzinho “Brad Pitt”.

Para transexuais, na seção Barbie Girl do catálogo da clínica, há desde a legítima Barbie, até modelos como Britney Spears e Cristina Aguillera, de longe as preferidas do público purpurinado. Já outra seção apresenta exotismos, indo de Roberta Close a Rita Cadillac, nas versões cut e uncut (com ou sem cortes).

Nesses planos de consórcio você oferece como garantia a hipoteca do seu próprio corpo, o que não é mais nenhuma novidade nessa época em que praticamente se pode hipotecar qualquer coisa. Isso dá à seguradora no caso do não pagamento das prestações, dentre outros direitos, o de remoção e substituição do produto.

Houve o caso de uma senhora de Atlanta que teve que devolver o seu bumbum Madonna Super XL novinho e aceitar como substituição o modelo Marlon Brando 2000. Mesmo sendo um Marlon legítimo, a cliente tentou apelar na justiça dizendo que o produto era de segunda mão e estava muito usado, mas não obteve sucesso. Ela também entrou com ação por danos morais depois da divulgação do caso em rede nacional, já que após esse fato ela passou a ficar conhecida como Mrs. Buttlanta ou, em português, Srª “Bundatlanta”.

Situações como essa nos mostram que, apesar da crescente popularização da cirurgia plástica, o body sculpturing como método para alcançar o corpo perfeito mostra-se faca de dois gumes... o que no final não faz muita diferença mesmo, desde que a faca corte no lugar certo. E para quem ainda se pergunta até onde chegaremos, digo que será no máximo ao ponto de sutura. Isso ou o seu bumbum todinho de volta.

A Minha História com Lady Spirro



Meus olhos cintilantes cor-de-telha estão vidrados no monitor, ao mesmo tempo em que os meus dedos destripam furiosamente o teclado.

São 22 horas e o sol azul se põe no horizonte vertical da Net-Heart, enquanto Lady Spirro engole mais uma de minhas orelhas.

Preciso fazer com que ela pare com isso, já é a terceira orelha minha que ela come só nessa semana e eu acho que ela está ficando viciada. Estou preocupado.

Lady Spirro é uma coisa estranha. Há alguns anos atrás eu me arriscaria a chamá-la de mulher, mas hoje eu não sei mais de nada. Ainda mais com essa gosma verde que escorre incessantemente dos seus lábios.

Tudo começou com o grande maremoto de algas químicas. Todos sabem do maremoto, seria redundância contar toda aquela história nauseante novamente... Pois bem, Lady Spirro, assim que ficou sabendo do maremoto que se aproximava, pegou a sua prancha de Net-Surf e correu para a praia. Quando conseguiu ultrapassar a vasta barreira mortal de carcaças de peixes mortos, a enorme onda cor-de-rosa já se avistava no horizonte.

Lady Spirro é maluca! Lançou-se à essa gelatina que antigamente chamávamos Mar, e surfou radicalmente naquela onda imensa.

Ela nunca mais foi a mesma. Sua pele que antes era sedosa e macia, devido aos ácidos sulfurocarbonatados especiais que usava, ficou estranhamente verde e fosfórea. Dos seus olhos ficou, durante meses, escorrendo um líquido preto e viscoso de um mau cheiro horripilante.

Lady Spirro acabou com o meu estoque de lencinhos de papel limpando aquela gosmeira toda, sem falar nessa estranha mania que ela desenvolveu após o ocorrido, que é a de comer orelhas. Quando ela comia as orelhas apenas dos cachorros e dos gatos dos vizinhos eu não me preocupava, mas com o tempo ela passou a comer as orelhas dos vizinhos também.

Estranhamente todos eles desapareceram sem deixar vestígios. Desconfio que Lady Spirro os tenha comido. A minha sorte é que eu apliquei-me aquela injeção para surdos crônicos, que faz crescer orelhas por todo o corpo. Se eu não tivesse um número suficiente de orelhas sobressalentes, não sei o que seria de mim.

Lady Spirro é um perigo!

Das formas de amar (e de expressar esse sentimento)



Olegario Schmitt - A Cor do Som de Uma Onda - Acrílica sobre vidro


Meu amor, amar é mais simples do que se poderia supor, sabias? Amar é mais fácil do que a gente imagina e há muitas maneiras, muitas intensidades de se sentir essa coisa.

Eu, por exemplo, quando digo "eu te amo" não quero com isso dizer que tu és o grande amor da minha vida, tampouco é uma promessa de que o que sinto será eterno.

Por isso, quando digo "eu te amo" não sintas medo e não entres em pânico de forma alguma, pois não imponho a esse sentimento qualquer tipo de responsabilidade recíproca. Não espero por esse sentimento qualquer tipo de resposta ou atitude, pois amar é sentir sem cobrar, sem querer nada em troca. Amar é simplesmente sentir.

E gostar também é amar, gostar muito é amar, sentir carinho é amar. É sentir vontade de abraço e de colo, mas não qualquer abraço, não qualquer colo. Amar é sentir um certo tipo de carência específica. Amar é vontade de emprestar o peito para deitares a tua cabeça. Amar é abrir a porta do carro para ti sem demagogia, amar é roubar uma flor e te dar, na impulsão do momento, sem me importar muito se gostas de flores ou não e sem ligar a mínima se o gesto parecer ridículo.

Amar é instável, pois amar é constante transformação. Amar é diferente hoje de amanhã. Por isso te amo a cada dia de uma forma, te amo até mesmo quando não amo, pois penso que essa seria apenas mais uma das inúmeras formas desse sentimento se manifestar. Não te amo hoje menos do que amanhã, tampouco amo mais, apenas amo diferente.

Te amo quando sinto tua falta e te amo até mesmo quando, por enquanto, não quero mais estar contigo. Te amo quando quero ficar em silêncio comigo mesmo e a tua presença não atrapalha o meu desatino.

Te amo quando estás longe e me sinto sozinho, mesmo estando junto aos meus melhores amigos. Te amo quando, em meio à conversa mais interessante, me desligo e me ponho a pensar no que tu estarias fazendo agora e como seria melhor se estivesses aqui participando disso que sequer consigo fazer parte direito. E não faço parte porque não estou aqui, e não estou aqui porque tu não estás aqui.

Também sei que te amo, quando estás comigo e sinto vontade de te abraçar além do teu corpo, de te abraçar além do que meus braços poderiam e de te beijar mais do que o tamanho da minha boca.

E sei, finalmente, que te amo, quando me ponho a escrever essas coisas, nessa forma silenciosa de gritar tudo o que sinto.

Fotografia Como Forma de Ver a Vida



Auto-Retrato Lendo o Manual - ISO Baixo / ISO Alto


Filmes fotográficos possuem essa propriedade chamada ISO que é fator determinante do nível de sensibilidade das películas à luz: quanto maior o ISO, menor a quantidade de luz necessária para impressioná-las e vice-versa. Em situações iluminação idêntica, quanto maior o ISO, menor o tempo de captura necessário para registrar a cena (ou “sensibilizar o filme”, no jargão).

Dessa forma, situações com grande intensidade de luz (praia em dia de sol, por exemplo) exigem ISO baixo — se você já fez fotos na praia utilizando um filme de ISO 400 é provável que suas fotos tenham ficado esbranquiçadas (ou superexpostas, no jargão), pois o mais adequado para essa situação seria um filme de ISO 100. Se você já tentou registrar fotos noturnas com sua câmera sem flash certamente a maioria delas ficaram ou escuras (subexpostas) ou então borradas. Isso se dá porque em ambientes de baixa luminosidade ou você aumenta o tempo de exposição da foto (“deixa a foto batendo por mais tempo”, em expressão leiga), ou utiliza filme de sensibilidade mais alta (maior ISO).

Isso acontece porque nos filmes de ISO baixo, o tamanho dos grãos de sal de prata é bem pequeno, exigindo maior número de raios luminosos até que sejam sensibilizados. Já nos filmes de ISO alto, esses grãos são bem maiores — muitas vezes ficam visíveis na própria imagem, daí o aspecto granulado de algumas fotos —, permitindo com que cada mísero raio de luz o acerte com extrema facilidade.

Para esse evento, a sensibilização do sal de prata através de um raio luminoso, entre outros utilizamos o jargão “impressionar o filme”.

Impressionante, na verdade, é que o mesmo acontece com as pessoas: é possível classificá-las, como negativos fotográficos, em pessoas de ISO baixo e pessoas de ISO alto: as primeiras exigem grande quantidade de luz, ou seja, de eventos realmente grandiosos para que consigam ser sensibilizadas; já as pessoas do segundo grupo, de alta sensibilidade, qualquer mínimo acontecimento já é o suficiente para impressioná-las.

Mas tudo tem seu preço: as pessoas de ISO baixo precisam de maior tempo de observação para registrar os fatos, mas ficam com imagens mais nítidas dos eventos quando finalmente isso acontece; as pessoas de ISO alto registram as mínimas sensações instantaneamente, porém as imagens que guardam dos fatos são granuladas.

Sob esse mesmo raciocínio, as primeiras têm um conhecimento mais profundo das coisas, alcançando a sutileza das nuances e a riqueza dos meios-tons, enquanto que as segundas, mais facilmente impressionáveis, são imediatistas e cada mínimo detalhe obscuro as sensibiliza, a tudo registrando com imensa velocidade e, obviamente, sofrendo muito mais por isso.

Porém, se considerarmos que as pessoas vivem todas mais ou menos na mesma velocidade, então algumas, com ISO baixo, não registrarão a maioria das coisas, enquanto que às outras nada lhe escapará às sensações.

É tudo uma questão de timing: eremitas vivendo em montanhas teriam mais tempo de observar tudo com calma, mas nós aqui embaixo nos atropelamos o tempo todo. Assim, apenas as pessoas de ISO alto têm boa dose de emoções, pois ser de ISO baixo na sociedade contemporânea é o mesmo que viver na superfície das coisas.

Os dois tipos de películas e de pessoas são igualmente imprescindíveis e é importante lembrar a existência de um bom número de variações possíveis entre os dois extremos.

Para nossa sorte, com o advento da fotografia digital, não precisamos mais ficar presos ao ISO do filme dentro da câmera: agora podemos escolher aquele mais adequado a cada cena. O eletrônico nos trouxe até certo ponto a possibilidade de sermos mais humanos ou, pelo menos, maior liberdade para escolhermos quais fatos nos sensibilizarão em detrimento de outros — desde que se saiba utilizar corretamente o equipamento, é claro.

O ajuste fino de nossas vidas, assim como o das câmeras, exige prática constante aliada ao bom senso e, sobretudo, à observação. Mesmo que já não tenhamos mais tempo para nada, é bom aprendermos a utilizar nosso olhar-câmera de maneira adequada: por via das dúvidas nunca é demais darmos uma boa lida nos Manuais, você não acha?

Animais de Estimação II





Por acaso existe acaso? Após ter escrito o artigo anterior (Animais de Estimação), eis que este livro vem parar em minhas mãos: Sobre o Olhar, de John Berger, com tradução de Lya Luft.

Segue um trecho do primeiro artigo, chamado “Por que olhar os animais?”:

No passado, famílias de todas as classes mantinham animais domésticos porque eles serviam a um objetivo útil — cães de guarda, cães de caça, gatos para matar ratos, e assim por diante. A prática de manter animais independente de sua utilidade, manter exatamente os animais de estimação (no século XVI, a palavra habitualmente se referia a um cordeiro criado na mamadeira) é uma inovação moderna e, na escada social em que atualmente existe, é única. É parte daquele afastamento universal porém pessoal para dentro da pequena unidade privada da família, decorada ou mobiliada com objetos do mundo exterior, que é um traço tão distintivo das sociedades de consumo.

A pequena unidade onde vive a família carece de espaço, terra, outros animais, estações do ano, temperaturas naturais, e assim por diante. O animal de estimação é esterilizado ou sexualmente isolado, extremamente limitado em seus exercícios, privado de quase todo outro contato animal, e alimentado com comida artificial. Esse é o processo material que está por trás do truísmo de que animais de estimação passam a se assemelhar a seus donos ou donas. Eles são resultado do modo de vida do seu proprietário.

Igualmente importante é o modo como o proprietário, via de regra, encara seu animal de estimação. (Crianças são por algum tempo diferentes nisso.) O animal de estimação
as completa, oferecendo respostas a aspectos do seu caráter que de outro modo não seriam confirmados. Com seu bicho de estimação, o homem pode ser o que não é com mais ninguém ou nada. Mais que isso, o animal de estimação pode ser condicionado a reagir como se também ele reconhecesse isso. O animal de estimação oferece ao seu dono um espelho para uma parte dele que de outra forma jamais seria refletida. Mas como nessas relações a autonomia das duas partes foi perdida (o proprietário se tornou o-homem-especial-que-ele-só-é-com-seu-animal-de-estimação, e o animal se tornou dependente do proprietário para todas as necessidades físicas), destruiu-se o paralelismo de suas vidas separadas.

BERGER, John. Sobre o olhar. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2003.

Animais de Estimação



Quando eu era criança morava em fazenda e tinha um porquinho de estimação chamado Porquinho. Ele era bem roliço porque mamava no bico, apesar dos protesto de mamãe em "jogar leite fora com esse porco". Ia roncando atrás de mim o tempo todo e quando eu coçava sua barriguinha ele dormia. Até que um dia o tal do porco sumiu, misteriosamente. Apenas já muito grande é que fui entender que a gente havia comido ele.

Depois tive o Bequinho, um bezerro cuja mãe havíamos jantado no ano novo. Mas eu o ensinei a cabecear e a dar coices e ele começou a ficar muito perigoso conforme crescia. Certa feita, no meio do nada, Bequinho me cabeceou para dentro de uma vala funda de barro e minha mãe pegou implicância com ele. Na sua última façanha, encurralou dois negociantes no canto do galpão de papai e eles ficaram encantados. Foi vendido por um bom preço, apesar de meus protestos.

Houve também um cágado que meu pai trouxe de uma pescaria. Não havia ainda nem lhe posto nome e fiquei com pena do bichinho lá preso. Resolvi colocá-lo numa vala para ele nadar só um pouquinho, que depois o pegava de volta. Nem preciso dizer que assim que caiu na água o cágado desapareceu para sempre e chorei por várias semanas.

Por último, tive uma gata pesteada chamada Missinha, que certa vez fez cocô em mim dos pés a cabeça. Joguei-a pra longe imediatamente, aquela "praga churrienta"! Drama à parte foi retirar a camiseta pela cabeça, com "aquilo" passando bem na frente do meu nariz... desde então odeio gatos profundamente.

Como se nota, minha história com bichinhos de estimação é bastante trágica e acho que ela se reflete claramente em minha relação com as pessoas — algumas morreram, outras fugiram ou foram vendidas e nunca mais voltaram e outras ainda, metaforicamente, também fizeram cocô em mim.

Por isso hoje em dia gosto preferencialmente de cachorros em detrimento dos outros animais, incluindo aí os seres "humanos".

Os cães nunca me decepcionaram. E, o melhor de tudo, já vem com pulgas de fábrica.



Não há nada mais chato na vida
Do que um cachorro sem pulgas...

Mario Quintana

Ssss...




Ritmo II






RITMO (Instalação de Vídeo)

Viver é repetição
Pulsar rítmico
Do coração.

reproduzir em looping, ad infinitum




RITM (Video Installation)

Life is repetition
Heart's ritmic beating.

play in looping, ad infinitum

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