Il Trovatore di Verdi

Plácido Domingo (Manrico), Leontyne Price (Leonora), Sherrill Milnes (Di Luna)
| Maestro: Zubin Mehta |
| Orquestra: Ambrosian Opera Chorus/New Philharmonia Orchestra |
| Intérpretres: Plácido Domingo, Leontyne Price, Sherrill Milnes, Fiorenza Cossotto |
Uma das grandes óperas de Verdi, baseada no romance El Trobador, de Antonio García Gutierrez (Romantismo Espanhol).
Apesar dos grandes conhecedores e críticos afirmarem que ele melhor se exprimiu musicalmente na La Traviata (esta baseada em Dumas), ainda assim prefiro O Trovador. Danem-se os críticos: essa me sensibiliza mais do que aquela e pronto.
Aqui vale um apêndice: Gutierrez era espanhol, portanto de origem latina; Dumas era francês, portanto de origem gaulesa. Eu mesmo me identificando mais com a maneira latina de se exprimir (e sofrer), as emoções sempre à flor da pele e exageradas, isso explicaria minha preferência pela obra de origem espanhola em detrimento da francesa. Gutierrez sente e sofre de maneira análoga à minha mesma.
Voltando a Verdi, foi o Coro dos Ferreiros (Ato II, Cena 1), de apelo mais popular e de mais fácil memorização, que fez com que Verdi fosse largamente divulgado e reconhecido no exterior (da Itália), mesmo com o coro inicial do terceiro ato sendo musicalmente superior (mais elaborado).
O Coro dos Ferreiros é minha parte preferida, depois de Di quella pira (Ato III, Cena 2), onde Manrico canta desesperadamente (no que é acompanhado em igual intensidade pela orquestra) “Madre infelice, corro a salvarti, o teco almeno corro a morir!” (“mãe infeliz, corro a salvar-te, ou pelo menos corro para a morte”). Sua mãe é a cigana Azucena, condenada à fogueira. Pouco depois Manrico é seguido por Ruiz e os Soldados que cantam “All'armi, all'armi! eccone presti. A pugnar teco, teco a morir” (“às armas, às armas, aqui estamos prontos para lutar ou para morrer contigo”). Essa parte literalmente coloca todos os pelos do meu corpo em pé... isso é que é sofrimento!!!
Ah, sim, a ópera conta a história de uma cigana em busca de vingança. Uns perseguem, outros são perseguidos, todos sofrem por amor e muita gente acaba queimada na fogueira. De certa forma, me parece até um roteiro de novela mexicana, só que nem tem comparação, né?
Exposição de Edward Curtis

Edward Curtis - Chefe Joseph (1908)
| Exposição: Edward Curtis |
| Curadoria: Christopher Cardozo/João Kulcsár |
| Data: 14/03/2009 |
| Local: Caixa Cultural São Paulo |
Não poderia perder jamais a exposição do “cara” que fotografou o Chefe Joseph, uma vez que toda vez que penso em índio americano, logo me vem à mente essa foto de Curtis.
Trabalho emocionante: Curtis captou de tal maneira cada cena, cada cenário, cada luz, cada expressão, que foi uma grande aula de fotografia e de humanidade.
Destaque a parte também para a imensa variedade de técnicas utilizadas pelo fotógrafo. Posso citar, entre outras, viragem em platina, cianótipos, e uma tal de “viragem em ouro”, técnica desenvolvida por ele mesmo, que deixa a foto com fundo dourado.
Mais uma vez fui tomado por essa reflexão recorrente: Edward Curtis, no início do século passado, com aquelas câmeras monstruosas que utilizava, as quais tinham de ser carregadas em lombo de cavalo ou com carroças, utilizando imensas chapas de vidro recobertas com clara de ovo, fazia as fotos que fazia; atualmente, com todo o aparato tecnológico facilmente à nossa disposição, tínhamos a obrigação de, no mínimo, fazermos melhor do que ele com todas as suas dificuldades técnicas.
No entanto não o fazemos. Parece-me que quanto mais nos é dado, menos valor damos. O fotógrafo pioneiro, com todas as limitações do seu aparato (as quais, obviamente, ele não via como limitação), alcançava extrema qualidade técnica e expressiva; o fotógrafo contemporâneo com sua falta de limites parece buscar sempre fazer pior.
Anna Arendt soube exprimir com imensa propriedade em A Condição Humana, que o excesso de liberdade traz consigo inevitavelmente a permissividade (tudo pode), sendo que ao ter a liberdade total (tudo posso), sem ter um rumo ou objetivo, sem regras ou normas claras, o ser humano se perde de sua essência. Ao poder fazer tudo, o ser humano simplesmente não sabe o que fazer e acaba por fazer bobagem.
Ou, com outras palavras, foi exatamente a falta de liberdade existente na época da ditadura que fez com que os artistas brasileiros se superassem, produzindo aquela que, na minha opinião, foi a época mais rica da arte brasileira. Nada como ter algo contra o qual lutar, nada como ter dificuldades a serem superadas.
Claro que isso é uma generalização e que existem exceções à regra. No entanto me parece que a cada dia as exceções são mais raras...
São essas coisas que ver uma exposição de Edwar Curtis (ou igualmente Marc Ferrez) me faz pensar.
Exposição de Carlos Leão

Carlos Leão - desenho aquarelado
| Exposição: Carlos Leão - Desenhos |
| Curadoria: Jorge Czajkowski |
| Data: 14/03/2009 |
| Local: Caixa Cultural São Paulo |
Aquarelas realmente muito sensíveis e poéticas, Carlos Leão dominava a técnica com propriedade. Da mesma forma seus desenhos e gravuras, a imensa maioria de nus femininos.
Mas tudo isso permeado de extremada sensibilidade, delicadeza e respeito pela imagem feminina, cada obra uma verdadeira declaração de amor.
Algumas delas retratavam vasos com flores, as quais tomei a liberdade de também relacionar à imagem do feminino — eram da mesma forma muito tocantes e sensíveis.
Definitivamente um grande artista, não devidamente (re)conhecido pelo grande público.
Diante de suas obras, tenho a impressão de que não se trata de um artista que produziu belas obras, mas sim de um artista que conseguiu com maestria passar para as telas a sensibilidade que acredito tenha permeado sua vida inteira.
Exposição de Sophie Ristelhueber

Pensando em Ristelhueber (Paris, 01/03/2009)
| Exposição: Sophie Ristelhueber |
| Curadoria: Marta Gili |
| Data: 01/03/2009 |
| Local: Jeu de Paume – Paris/França |
Fotógrafa interessantíssima e bastante competente, a qual eu não conhecia anteriormente.
Sua exposição, concomitante à de Robert Frank, ocupava espaço expositivo bastante amplo, com pé direito de aproximadamente 3 metros de altura. As imagens, aproximadamente 30, quadradas e em tamanho grande (aprox. 1,5m x 1,5m), mostravam texturas praticamente abstratas formadas por coisas destruídas em decorrência da explosão de bombas no Iraque.
Note-se que essa é uma temática recorrente da fotógrafa, conforme tive a chance de pesquisar mais tarde: ela registra as cicatrizes deixadas na terra em decorrência da ocupação humana, principalmente através da guerra. Seus temas geralmente mostram restos de explosões ou incêndios, estradas destruídas por bombas.
Muitas imagens aéreas, o a série inteira praticamente uma monocromia, onde predominavam os tons amarelados e ocres. Uma das imagens dessa série mostrava uma estrutura carbonizada no meio do deserto, cujo esqueleto de aproximadamente 3 metros de altura lembrava muito o de uma câmera fotográfica.
Do lado oposto, nessa mesma sala, duas imagens de tamanho muito grande (2m de altura por 1,5m de largura, aproximadamente), mostrando cenários que muito provavelmente passariam despercebidos a nós, simples mortais da fotografia: numa, duas camas; entre elas, sobre o criado mudo, um abajour (uma luz para duas camas), com extremado detalhamento das texturas do tecido da colcha, do chão e do papel de parede, tudo muito nítido e cromático. Noutra, uma parte de um sótão, com uma luz impressionante entrando pela janela. Cenas corriqueiras, cotidianas, que apenas um olhar afiado como o de Ristelhueber é capaz de perceber.
Outra de suas obras era uma espécie de imersão entre virtual (imagem fotográfica) e realidade: uma imensa janela de vidro, ocupando toda uma parede do chão ao teto, ladeada por imagens de palmeiras numa praia. Ora, eis que o buraco do janelão parecia ser nada mais que uma continuação da foto em si. Era como se Paris (Jardin des Tuileries) fizesse parte daquela praia. Tudo isso ambientado pela recitação de um texto em francês do qual não entendi coisa nenhuma (era falado muito rápido, com uma entonação quase de reza). Também havia um banco exatamente em frente a essa obra, possibilitando ao público que sentasse para apreciar.
Intimamente a exposição às imagens dessa fotógrafa me provocam o estabelecimento de um paralelo entre a ocupação do espaço pelo corpo e a ocupação do corpo pelo tempo.
No primeiro caso, a ocupação do espaço (terras) pelo corpo (homem) através da força bélica deixa cicatrizes no solo. De maneira similar, no segundo caso, a ocupação do corpo (o corpo humano) pelo tempo (rugas e cicatrizes adquiridas ao longo da vida), também deixa suas marcas de vivência: sabemos que quanto mais “guerras” (exposição ao clima, preocupações da vida, vícios em substâncias ou hábitos) enfrenta uma pessoa ao longo da sua existência, mais rugas terá.
Assim sendo, Sophie Ristelhueber ter escolhido o Iraque como pele, digo, como cenário para captura de suas fotos, se mostra extremamente adequado: esse país é um corpo sem paz, exposto às intempéries da alma humana.
Exposição de Robert Frank

Pessoas na fila para a exposição de Robert Frank (Paris, 01/03/2009)
| Exposição: Robert Frank |
| Curadoria: Ute Eskildsen/Marta Gili |
| Data: 01/03/2009 |
| Local: Jeu de Paume – Paris/França |
A princípio não gosto muito de Robert Frank. Reconheço, evidentemente, a importância histórica e a qualidade de seu trabalho, mas há diversos outros fotógrafos que aprecio bem mais — note que nem entrarei no mérito de ele ter influenciado a sofrível geração beatnik. De qualquer forma, uma exposição dessas não é oportunidade que se deixe passar.
As fotos — ampliações originais, assinadas — de seu livro The Americas, quando expostas fora do contexto do livro perderam bastante o sentido, além do que, as que mais me chamam a atenção não estavam expostas lá. Entende? Você vai a um lugar esperando ver "aquela" foto que você tanto gosta e ela simplesmente não está lá.
Aproximadamente 10 The Americas estavam dispostos sobre uma série de bancos ocupando o centro do espaço expositivo, todos eles perfurados de maneira grotesca, por onde foi passado um cabo de aço (mesmo) evitando assim que os livros fossem roubados. Considerando-se diversas populações carentes ao redor do mundo que não têm acesso a essa obra, considerei essa cretinice à altura do fotógrafo e de seus seguidores (leia-se: Jack Keroauc, o pária).
No entanto, mais ao fundo, estavam algumas fotos de sua série sobre Paris, com imagens bem mais interessantes, onde o fotógrafo soube captar muito bem o clima da cidade, seus momentos enevoados e misteriosos.
Diversas imagens (marcadas no espaço expositivo), eram mostradas ao público pela primeira vez. Ao vê-las, entendi o porquê de serem inéditas: eram inócuas. Deveriam estar perfuradas com cabos de aço também!
Numa saleta escura e atrolhada de gente embasbacada estava sendo projetado um de seus filmes, ao qual não assisti porque o espaço todo estava demasiado lotado e comecei a ficar muito nervoso: parece que em Paris as pessoas não têm muito o que fazer aos domingos...
Passeio de Barco por Estrasburgo

Estrasburgo, fevereiro de 2009
| Local: Rio III |
| Data: 25/02/2009 |
| Cidade: Estrasburgo/França |
Ótimo passeio, mas não há realmente muito o que dizer sobre ele: foi um passeio em barco turístico percorrendo um rio de uma cidade maravilhosa.
Suas construções, suas comportas (o rio é represado)... e todas aquelas informações inúteis passadas em 10 idiomas diferentes através dos fones de ouvido e que depois a gente não lembra mais nada (“nessa casa à esquerda nasceu fulano de tal, na casa à direita se hospedou o rei tal”).
Havia um menino insuportável sentado no banco da frente que não parava quieto um minuto e não demorou muito até que eu implicasse com ele e o xingasse com meu francês terrível mas que ele entendeu muito bem. Por 5 minutos. Aí ele começou de novo. Aí eu xinguei de novo. Mas, sinceramente, eu acho isso tudo muito divertido, mostrar ao menino chato que ele não pode simplesmente ser chato e passar impune.
Passamos pelo Conselho da Europa, o Parlamento Europeu e, sobretudo, a Corte Européia dos Direitos Humanos. Nessa parte confesso que fiquei intimamente muito emocionado em estar tão próximo dessa instituição que, apesar de nem sempre funcionar, está lá para defender nossos direitos de seres humanos. Imagino que talvez a sensação fosse a mesma que uma vaca sentiria por seus semelhantes se esta tivesse a capacidade de ter consciência. Nesse ponto quase senti compaixão pelo menino importuno que não parava quieto um segundo... mas antes do final da viagem acabei por dar-lhe um peteleco no cotovelo. Direitos humanos... que grande estopada!
Passamos também pela Petit-France, um bairro muito antigo e característico entrecortado por canais que é realmente um encanto, e pela Ponte-Couverte, que é uma ponte coberta (dã) construída no período medieval. Tinha muita curiosidade de conhecer tal ponte, mas no final ela se mostrou uma pontesita muito das bobas.
No final, as construções que mais me chamaram a atenção não foram aquelas mansões construídas entre os séculos XV e XIX, mas sim umas casitas pequetitas, muito simpáticas, com água-furtada, jardinzinhos na frente e tudo. Ficava imaginando qual delas gostaria de compartilhar com quem eu amo... mas aquele menino chato, ô bichinho insuportável!!!
Cathédrale de Strasbourg

Panorâmica da Cathédrale de Strasbourg (24/02/2009)
| Local: Cathédrale de Strasbourg |
| Data: 24/02/2009 |
| Cidade: Estrasburgo/França |
Catedral das mais interessantes que já vi, apesar de seu visual bastante sinistro, provavelmente fruto do pensamento religioso existente à época em que foi construída. Concluída no século XV, reflete perfeitamente essa tempo de perseguições religiosas e intolerância por parte da Igreja Católica.
Seu aspecto é intimidador, fazendo com que os visitantes se sintam diminuídos, oprimidos ante a imponência gótica da construção, que ao mesmo tempo amedronta e fascina.
O Relógio Astronômico é algo muito curioso, não apenas pelo detalhamento de sua construção e por sua altura (18 metros), mas também pelos carrilhões (esculturas móveis) que a cada 5 minutos saem para dar um passeio. Além de marcar os anos bissextos, também exibe os equinócios e diversas outras informações astronômicas. Ah, sim, e também marca fielmente as horas (relógio construído por suíços).
Outra coisa estonteante é a Cruz Missionária, no transepto da catedral. Exibe um imenso Cristo crucificado dos mais belos. Aos seus pés, esculturas com seus rostos tomados pela dor e sofrimento, provavelmente representando os apóstolos (fiquei tão impressionado com o Cristo que nem prestei muita atenção neles).
De forma geral, o que mais impressiona é mesmo a altura da igreja — a 4ª mais alta do mundo — e o nível de detalhamento da construção: de cima a baixo, ao longo dos seus 142 metros de altura, uma miríade de seres que vai desde apóstolos e santos os mais diversos, bispos, papas, até cães, grifos e outros seres mitológicos.
Se eu fosse ateu, vendo isso tudo me postaria imediatamente de joelhos!
Nova Categoria: Impressões

Dando com a língua nos dentes (Auto-retrato)
Acabei de inaugurar uma nova categoria de artigos: Impressões.
Nessa sociedade hipócrita em que a gente vive, de forma tácita (óbvio, senão não seria hipócrita), só podemos expressar nossa opinião sobre determinadas pessoas se essa opinião for favorável.
Mas o que fazer se eu, por exemplo, acho Picasso insuportável? E Monet um bobão? E Monalisa uma chata? Aliás, podem ter certeza que estou me mordendo de vontade de colocar alguns nomes brasileiros na roda, mas o fato de eu ser linguarudo não faz de mim necessariamente um imbecil ou um suicida cultural.
O irritante disso tudo é que quando você diz essas coisas em público, fica todo mundo olhando como se você fosse algum tipo de ET. Não, todas as pessoas do mundo são obrigadas a gostar de Picasso. Se "n" críticos, intelectuais e historiadores da arte já babaram seus ovos, quem é você (ou eu, no caso) pra não gostar de Picasso?
Da mesma forma, você não fizer parte dos 99,9999999% de pessoas que amam Monalisa, então você não é nada mais do que um insensível, inculto e idiota. Pra você não gostar da Monalisa, você tem de ter 99.999.999.999.999 argumentos científicos, artísticos, estéticos e culturais desenvolvidos de maneira superior aos PhD's todos que já falaram (bem) dela.
E ai de você se encontrar um argumento melhor sem ter estudado um décimo do que eles estudaram. Portanto, você não pode não gostar dela. Você é OBRIGADO ou a amá-la perdidamente ou a ser simplesmente idiota.
Isso não quer dizer que eu não reconheça a importância histórica dessas obras/pessoas. Mas desde quando importância histórica=lindo para sempre?
Dá licença? Essa casa aqui é minha e pelo menos aqui, no MEU blog, acho que posso dizer o que bem entender sobre qualquer coisa que quiser. E que se dane o que as pessoas possam pensar sobre isso. Não há nenhum lugar no mundo onde a gente não precise ser polido?
O que será publicado aqui sob essa categoria não são críticas, até mesmo porque acho crítico uma raça frustada — a única diferença entre um crítico e eu (além da formação, é claro) é que eu não ganho dinheiro com isso. É isso mesmo: eu falo mal de graça, ok?
As vítimas As coisas dignas alvos de minhas impressões — as quais não têm culpa de eu ter nascido — vêm logo a seguir.
E quem tiver a cara de pau de me provocar nos comentários, prepare-se porque haverá resposta à altura!
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