AIDS

Homem em estágio terminal de tuberculose conseqüente da AIDS - Gulu, Uganda
Fonte: Doctors Without Borders - USA
No dia de hoje, aproximadamente 8000 pessoas morerrão das conseqüências da AIDS no mundo todo, sendo que 1000 delas serão crianças.
Mais de 25.000.000 morreram nos últimos 25 anos.
Atualmente em torno de 40.000.000 estão infectadas ao redor do mundo.
Estima-se que em torno de 20% da população dos países do sul do continente africano é soro-positiva.
Pense nisso.
Estatísticas: Avert (www.avert.org</a>)
Segregação Sexual

Tule Lake Segregation Center
A segregação sexual se alicerça em diversos princípios, todos eles defendidos como fundamentalmente indiscutíveis e baseados em dogmas, leis escritas ou consuetudinárias e tradições políticas, não passando de meros pretextos utilizados unicamente para a obtenção e exercício do poder.
Por questões matemáticas e estatísticas, se a luta pelo poder incluísse a totalidade dos seres humanos, as chances de cada homem alcançá-lo diminuiriam consideravelmente: melhor para os que necessitam disso é disputar com apenas 50% da população mundial. Além do mais, como seria possível aos homens lutar pelo poder se não houvesse ninguém para cuidar da casa e das crianças, não é mesmo?
Não exito em afirmar que, independentemente de qual assertiva que essa ou aquela nuance do sexismo utilize para justificar seus atos, a resposta justa será una: machismo.
Um dos argumentos para a separação entre mulheres e homens é o de que mulheres são impuras. Fato curioso, tendo-se em vista que todo homem nasceu das entranhas “imundas” de uma mulher, dessa forma sendo ele mesmo imundo e contaminado já na sua origem. Atente, no entanto, que isso não impede que ele se deite com ela, que chafurde na “imundície” e que se lambuze na “impureza”.
Outra “razão” utilizada é a de que mulheres são inferiores. Mas se as mulheres são assim tão inferiores, não deveriam ser capazes de gerar seres tão “infinitamente superiores” como os homens, por simples questão de lógica. Apesar de flores poderem efetivamente nascer na imundície, não seria correto afirmar que todas as flores nascem em chiqueiros, pelo mesmo motivo que as sementes não florescem nas pedras.
Também se justifica dizendo que mulheres são, por natureza, lascivas e insinuantes. Motivo mais do que suficiente para que se as mantenha distantes, é óbvio! Principalmente durantes certas atividades pois, do contrário, poderiam desvirtuar o intento do homem, distraindo-o, poluindo sua mente com pensamentos impuros. Nunca vi tamanha estultice: se quem tem os pensamentos impuros são os homens, estes é que deveriam ser afastados e proibidos de exercer essas atividades por terem pensamentos lascivos. É como dizer que se uma pessoa gosta de roubar objetos de ouro, todos os objetos dourados devem ser ocultados à presença dela, para que esta não incorra em erro. Dessa forma, se tal pessoa vier a errar, a culpa jamais será dela, mas unicamente do objeto que estava onde não deveria estar.
Tudo isso, no entanto, poderá até parecer pouco se considerarmos as culturas ainda mais extremistas que recorrem à excisão ou infibulação, onde as mulheres são literalmente mutiladas sexualmente. O motivo utilizado é que, do contrário, as crianças nascidas dessas mulheres seriam prenúncio de desordem e azar. No mundo, como conseqüência de tal prática, morrem em torno 600.000 mulheres por ano, sendo que 20.000 delas somente na França¹. Como nessas culturas não há o rito da emasculação, conclui-se que mais uma vez o ouro é ocultado do ladrão de jóias, não me permitindo visualizar desordem e azar maiores do que esses.
Mas, enfim, nescidades hão sempre de ser alicerçadas sobre argumentos também néscios, via de regra.
Ah, tempos, tempos, tempos! Desde sempre e até quando? Se for para segregar, por que é que não são segregados os que têm caráter dos que não o têm, os honestos dos desonestos, os justos dos injustos?
Deve ser porque muito poucos sobrariam em um dos lados...
¹ DAMASIO, CELUY R. H. - In: Revista Espaço Acadêmico - Ano I - Nº 03 - Agosto de 2001
Furioso

Geralmente, basta que as pessoas ouçam seu nome para já ficarem com medo. Seu ladrido, então, é de arrepiar os mais destemidos que até esse ponto ainda não haviam pensado em correr.
Mas para quem o conhece, seu nome parece como aquelas coisas que a gente não sabe por que se chamam assim, como quadros-negros e seguros de vida... No entanto, isso só durará até que outro, que não ele, tente conseguir algum carinho do seu dono. Imediatamente seu nome vem à tona, em ataque de ciúme possessivo: Furioso! Ou simplesmente Fúria, para os íntimos.
Não há amigo no mundo que seja fiel como ele. Qualquer que seja a hora do dia ou da noite está pronto para manifestar o seu afeto. Não há leitura, programa de TV, internet ou indisposição que o impeçam do carinho imediato.
Se você não sabe o que é amor incondicional, mas incondicional mesmo de verdade, no duro, é porque não conhece Furioso.
Ele não gasta o pensamento com filosofias sobre as diferenças entre ser e estar. Por nunca ter lido Schopenhauer, sua vida é simples. Sua felicidade é feita de pequenas coisas que, para seu prazer, geralmente são tolas demais para os seres humanos: um fêmur de ovelha, uma costela de vaca, ou correr atrás de passarinhos.
Sua única grande preocupação é lembrar onde foi mesmo que enterrou aquele ossinho que guardou pra depois. Também cultiva suas pulginhas, só para ter algo que o incomode; para que sua vida, como disse Quintana, não seja “tão chata quanto um cachorro sem pulgas”.
Quando não ganha carinho, não se magoa nem fica de mal: insiste bastante pedindo com a pata. Se mesmo assim não surtir efeito, desiste e fica de canto, sempre atento.
Basta que se olhe para ele para que venha correndo e, se for repreendido, decepciona-se consigo mesmo por não ter sido perfeito para quem ele ama. Mas no dia seguinte esquece.
É improvável deitar na rede sem que ele passe e dê uma lambida. Na verdade, minuto a minuto, ele inventa caminhos que passem pela rede, só para o pretexto da lambida, até que você desista de tirar um cochilo.
Ele também nem se importa se você está usando chinelos; não liga a mínima se está ou não usando roupas de marca, se engordou ou emagreceu, se seu carro é do ano... essas coisas são fúteis demais para ele, inteligentemente tão mais interessado em afagos do que em status quo.
Observando o comportamento desse animal sem nenhum cogito ergo sum ou metafísica, sem literatura ou complexas figuras de linguagem, sem adereços ou credicards, às vezes penso que o Furioso é muito melhor do que eu.
Que Se Bata o Martelo!

Quem tem um martelo, pode escolher como e na cabeça de quem batê-lo. Acompanhe a seguir três histórias, sendo duas verdadeiras e a outra uma fábula.
Dica: a fábula não é o segundo texto e a assim dita "Moral da História" fica bem clara nos três, apesar de nos dois primeiros estar mais ou menos sub-reptícia.
Autos nº 124/03 - 3ª Vara Criminal da Comarca de Palmas/TO
Decisão proferida pelo juiz Rafael Gonçalves de Paula
DECISÃO
Trata-se de auto de prisão em flagrante de Saul Rodrigues Rocha e Hagamenon Rodrigues Rocha, que foram detidos em virtude do suposto furto de duas (2) melancias. Instado a se manifestar, o Sr. Promotor de Justiça, opinou pela manutenção dos indiciados na prisão.
Para conceder a liberdade aos indiciados, eu poderia invocar inúmeros fundamentos: os ensinamentos de Jesus Cristo, Buda e Ghandi, o Direito Natural, o princípio da insignificância ou bagatela, o princípio da intervenção mínima, os princípios do chamado Direito alternativo, o furto famélico, a injustiça da prisão de um lavrador e de um auxiliar de serviços gerais em contraposição à liberdade dos engravatados que sonegam milhões dos cofres públicos, o risco de se colocar os indiciados na Universidade do Crime (o sistema penitenciário nacional),... Poderia sustentar que duas melancias não enriquecem nem empobrecem ninguém. Poderia aproveitar para fazer um discurso contra a situação econômica brasileira, que mantém 95% da população sobrevivendo com o mínimo necessário.
Poderia brandir minha ira contra os neo-liberais, o consenso de Washington, a cartilha demagógica da esquerda, a utopia do socialismo, a colonização européia,.... Poderia dizer que George Bush joga bilhões de dólares em bombas na cabeça dos iraquianos, enquanto bilhões de seres humanos passam fome pela Terra - e aí, cadê a Justiça nesse mundo?
Poderia mesmo admitir minha mediocridade por não saber argumentar diante de tamanha obviedade. Tantas são as possibilidades que ousarei agir em total desprezo às normas técnicas: não vou apontar nenhum desses fundamentos como razão de decidir.
Simplesmente mandarei soltar os indiciados. Quem quiser que escolha o motivo. Expeçam-se os alvarás. Intimem-se."
Palmas - TO, 05 de setembro de 2003.
Rafael Gonçalves de Paula
Juiz de Direito
In: Revista Consultor Jurídico, 2 de abril de 2004
ANJ critica censura da Justiça Eleitoral
A Associação Nacional de Jornais protesta com veemência contra a decisão do juiz auxiliar Roberval Casemiro Belinati, do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, de proibir a divulgação de gravação de conversa telefônica entre o ex-governador Joaquim Roriz e o candidato a deputado federal Eri Varela. Na conversa, os dois políticos criticam o candidato ao governo do Distrito Federal José Roberto Arruda.
A liminar do juiz, concedida a partir de ação movida pelo ex-governador e o candidato a deputado, afirma que a divulgação da gravação acarretaria "prejuízos político-eleitorais" para os dois políticos.
A decisão do juiz impõe absurda censura aos meios de comunicação, em clara violação à Constituição, que expressamente veta qualquer tipo de proibição à divulgação de informações. A ANJ lamenta que a Justiça brasileira, com freqüência preocupante, venha exercendo a função de censora dos meios de comunicação e espera que instâncias superiores anulem a liminar concedida pelo juiz, reestabelecendo o princípio maior da liberdade de informação.
Nelson P. Sirotsky
Presidente da Associação Nacional de Jornais
FÁBULA XCVI
A peste dos animais
Um mal horrível, que a ira celeste inventou para punir os crimes da terra, a peste, fazia mil estragos entre animais. Nem todos morriam, mas todos, languidos, entorpecidos, quer de pavor, quer já por efeito da moléstia, arrastavam-se moribundos. Em tanta calamidade só valem grandes remédios. O leão convocou assembléia geral dos seus súditos, e assim falou: "Prestantes e amados vassalos, vós que o flagelo de Deus açoita, ouvi-me, e dai-me o auxílio de vossas luzes; nunca tão necessário nos foi, a nós todos, um bom conselho. Não é natural essa epidemia que nos vai devastando; cada dia morremos aos milhares; é por certo o castigo que algum crime de nossa raça está merecendo; cumpre pois aplacar a ira celeste. Lembrei-me a princípio de decretar um jejum de alguns dias; porém jejuando andamos todos pelo abatimento que a moléstia causa. Então ocorreu-me a idéia de fazermos aqui todos uma confissão geral, para descobrir-me qual o miserável cujo pecado nos trouxe semelhante desastre." O parecer do rei foi por todos aprovado. O leão prosseguiu: "Não quero, nem para mim, injusto favor; se for o criminoso, com muita satisfação morrerei pelo meu povo; confesso pois que às vezes, em horas de fome, não respeitei bastante a vida do veado, da vitela, da ovelha, e nem mesmo a do pastor. Se julgais que são esses os crimes que o céu está punindo, dizei-o francamente, gostoso me imolarei ao bem de todos." O javali, o tigre e outros muitos que tais, em coro aplaudiram: "Vossa Majestade está zombando! crimes, isso que praticou! nem são pecadinhos veniais. Comeu às vezes veados, ovelhas, pastores! Ora nisso muita honra lhes fazia!"
Continuou à confissão geral, nas ações dos mais ferozes brutos nada achou a assembléia que dizer; não houve crueza que todos à porfia não justificassem. Chega a vez do burro: "Senhores, disse ele, por mais que procure despertar minha consciência, a ver se me lembra algum crime que praticasse, nenhum me ocorre; somente um dia estando com muita fome, passei por um prado, propriedade de um convento. A erva estava tenra, orvalhada, apetitosa; ninguém me via; tudo me incitava; passando pois, não pude resistir à tentação, e apanhei na boca uma pouca de erva que mais, a jeito achei..." — Malvado! bradaram juntos todos os tigres e javalis da assembléia; roubar a erva de um campo pertencente a convento! Sacrilégio! E por causa desse miserável todos estamos pagando! Súbito o pobre burro é imolado à divina justiça.
MORAL DA HISTÓRIA: Para o poderoso, qualquer que seja seu crime, nunca falta indulgência; o pobre ou fraco, nem que viva como santo, pode livrar-se; lá tem seu descuido, e esse não tem desculpa.
La Fontaine
Les Animaux malades de la peste (1678)
Adaptado por: Justiniano José da Rocha In: Fábulas (imitadas de Esopo e La Fontaine)
Nós Que Aqui Estamos... Por Vós Esperamos!

The Road Not Taken

The road not taken
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I -
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.Robert Frost
1874-1963)
O Caminho Não Percorrido
Num bosque amarelado, o caminho se partia em dois,
E lamentando igualmente não poder seguir por ambos
E ainda ser um único viajante, parei por muito tempo
Mirando ao longo de um deles o mais longe possível,
Até onde esse se recurvava por trás dos arbustos;Então eu escolhi o outro, por ser mais bonito,
E ser talvez o que mais me chamasse a atenção,
Sendo recoberto de relva, pedia que fosse trilhado;
Apesar do fato de que eles terem sido percorridos
Os tenha desgastado praticamente da mesma forma,
E ambos naquela manhã estarem igualmente recobertos
Em folhas onde nenhum passo tivesse deixado marca.
Ah, mesmo assim eu deixei o outro para outro dia!
Mesmo sabendo de que forma se percorre um caminho,
Fiquei em dúvida se algum dia deveria voltar a ele.Deverei estar contando essa história, suspiroso,
Nalgum lugar, nalgum dia, tempos e tempos depois:
O caminho se dividia em dois num bosque, e eu —
Eu peguei aquele que havia sido menos percorrido,
E foi justamente isso que fez toda a diferença.Tradução Livre: Olegario Schmitt
Condoleezza Rice
Receita do Arroz da Condoleezza

Para aqueles que gostam de transformar tudo em ato político, o Sinal dos Tempos Blog fornece em primeira mão a receita exclusiva do Condoleezza Rice. Como se sabe, rice em inglês quer dizer arroz, então esse prato não poderia ter nome mais apropriado.
Ingredientes e seus significados:
arroz - referência à própria Secretária de Estado dos EUA, ingrediente-base da receita
cogumelos - para lembrar da questão atômica
carne moída - homenagem aos corpos despedaçados pelas bombas no Iraque
ervilhas - referências múltiplas às questões ambiental/efeito estufa/aquecimento global
caldo de tomate - lembrança de todo o sangue derramado
Os ingredientes devem ser colocados na quantia desejada, ao gosto de cada um.
O Sinal dos Tempos garante que fica uma delícia, o problema é esquecer. Portanto, depois de feito o prato, coma se for capaz! Bon apetit!
For those who like to transform everything in politic acts, Sinal dos Tempos Blog brings you at first hand this exclusive recipe of Condoleezza Rice (apostrophe was intentionally suppressed).
Ingredients and their meanings:
rice - in reference to the US Secretary of State herself; this recipe's main ingredient
mushrooms - to remember the atomic issue
ground meat - a tribute to all those bodies ripped apart by bombs in Iraq
peas - multiple references to environmental/greenhouse effect/global warming issues
tomato sauce - in remembrance to all spilled blood
All these ingredients should be used freely, according to anyone's taste.
Sinal dos Tempos guarantees that this recipe it's delicious, despite the hardness to forget. Therefore, after the dish is made, eat it if you can! Bon apetit!
Anti-Social

Um Lugar Para Sonhar
Não bata à minha porta
e não queira ver meus olhos:
estão para sempre empedrados
pelo passar solidificado do vento.Não me venha com um beijo,
também não quero ver teu sorriso:
estou cansado das coisas fugazes
e desse tempo que não cessa
— eu quero nuvens e águas
e um lugar para sonhar.Não me venha agradar com afagos,
nem mesmo quero dormir.Já tenho tudo o que quero:
nuvens... águas...
o passar contínuo do vento.
In: No Pé da Letra, Ed. Blocos, 1999
Mater Dei

Maria, Mediatrice di Tutte le Gracie
Ave Maria gratia plena
Dominus tecum
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus
ventris tui Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei,
ora pro nobis, peccatoribus,
nunc et in hora mortis nostræ.
Amen.




