Categoria: Reflexões
Ao Infinito... e além!

Buzz Lightyear do Comando Estelar - Disney-Pixar Studios
Personagem dos longas-metragens de animação gráfica Toy Story, Buzz Lightyear é um astronauta de brinquedo que acredita piamente conseguir voar de verdade e nada no mundo o convence de que o seu raio laser desintegrador não passa de uma inócua luzinha vermelha.
Tendo fé cega em si mesmo e em seu poder, consegue façanhas incríveis, salvando seus amigos das piores enrascadas além de, é claro, lutar contra o maldoso Imperador Zurg, inimigo da honestidade e da justiça.
Buzz Lightyear do Comando Estelar, um brinquedo, personagem de uma animação cômica voltada ao público infantil, nos ensina a ter fé e coragem, acreditando na sua própria força independentemente do que seja dito em contrário.
Seu lema, "Ao Infinito e além", demonstra propósito firme na vida (o infinito) e inconformidade (lá chegando, ir além). Buzz, o amigão valente de brinquedo, também ensina outros valores imprescindíveis aos seres humanos de bom caráter, como auto-estima, respeito, lealdade e perseverança.
Sem esquecer de que para o espírito sedento por luz os grandes exemplos podem estar em qualquer parte, sejamos nós mesmos como pequenos Buzz Lightyears de verdade e, parte do mesmo Comando Estelar, levantemos nossas cabeças rumo ao infinito, seguindo sempre além.
Abrindo o Baú

Le Bahut - 13/05/1958
Jornal editado pelos formandos do Liceu E. F. Gautier (Paris)
Nos momentos de vazio criativo — que podem durar meses, até anos — pelo qual todo escritor passa em algum momento da vida, é interessante ficar remexendo nos "baús", à procura de pérolas esquecidas. Essa atividade acabará, por via de regra, levando ao reencontro de todos aqueles lixos tenebrosos ou inacabados, para os quais não houve coragem suficiente de torná-los públicos.
Tarefa mais interessante ainda — podendo, no entanto, mostrar-se extremamente dolorida e vergonhosa — é reler os primeiros cadernos de poesia. Entre absurdos literários e verdadeiros atentados à poética, pode-se acabar encontrando verdadeiras pérolas.
Através dessa espécie de fotografia íntima feita com letras pode-se, por exemplo, saber o que se passava em minha cabeça em 1991:
Planto o pé na pia,
Prego a preguiça,
A polidez da proibição.
Porcaria de pensamentos!
Os sinos da Catedral Diocesana
da Cidade de São Paulo
ecoam infinitamente,
acordando
os mendigos da
Rue des Aux, Paris,
ano de 1928.
Mês que vem
chega a resposta.
(Só para constar, até hoje ainda não chegou resposta nenhuma.)
Também nessa época, já encontram-se traços claros de niilismo:
A terra morre.
E que cinza
é esta
que resta
da qual
não nasce nada?
e indagações estranhas
Asteróides realmente são o que dizem que eles são?
Não são estrelas suicidas?
Asteróides não são as lágrimas incandescentes de Deus?
A Fonte da Inspiração
Escrevo o que vejo
ou o que penso.
Quando estou cego
e a minha cabeça
está girando,
não escrevo nada.
Pequeno Poema de Nada
Eu nunca escrevo sentindo
Se sinto, não escrevo nada.
Tem poesia que fala tudo.
Essa, no entanto, é calada.
Tenho um silêncio profundo
E a boca muito cansada.
Esse é o poema de um mudo.
Esse é um poema de nada.In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003
Fica a certeza de que há esperança para os que perseveram...
Os Animais no Circo
O circo ensina as crianças a rir
da dignidade perdida dos animais.
Nesse caso, a "humanização" dos bichos
reflete claramente a falta de humanidade das pessoas
projetada em um macaco de vestido,
camuflada sob o riso.
Ainda no baú de 1993 está o poema Os Animais no Circo (In: No Pé da Letra, Prêmio Blocos 1999). Mesmo que esse poema seja encontrado entre citações de São Francisco de Assis, Buda, Leonardo da Vinci, Pitágoras, Émile Zola, Freud e Axel Munthe, entre outros — o que é motivo, obviamente, de grande honra para mim — não deixa de ser lesão de meus direitos autorais, uma vez que não fui consultado sobre o assunto. Fazendo uma pesquisa exata (colocando a expressão entre aspas nos sites de busca) o Google e o MSN retornam mais de 60 resultados e o Yahoo mais de 40.
Mas, enfim, entre PPS's (animações do PowerPoint) com fotos de animais estraçalhados e deputados federais utilizando minha obra para promoção pessoal — cometendo crime federal ao infringir a Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998 —, guardo minhas mãos nos bolsos: quem nunca lesou os direitos autorais de ninguém em nome de alguma causa, que atire a primeira pedra.
Concluíndo, deixo um poema de 1991, que fala sobre abstração:
Abstração
Se algumas coisas
mesmo sendo abstratas
às vezes nos falam tanto,
é porque nesse turvo confuso
que é o significado de tudo
há uma elipse um tuneou um clown
que tudo mistura
dissipa, torna vasto o vago sentido
da palavra na poesia
da tinta na pintura
das vozes no vento
da chuva na areia.
Achar no meio de tudo
um segundo sentido
— um sentido primeiro —
é a arte de entender
e compreender
ou quem sabe é mesmo
a arte de tornar-se também abstrato.
tuneou: tipo de acrobacia aérea (tuneou, looping, etc.)
clown: tipo de acrobacia circense (clown, gravoche, etc.)
Os Super-Heróis no Divã

Sigmund Hulk (Arte Digital) - OleSchmitt
Todo mundo tem um super-herói preferido. Adultos e crianças, em escalas variadas, identificam-se com as figuras míticas, fortes e invencíveis dos heróis ficcionais.
Em segundo plano, porém, sempre recobertas por misteriosa névoa, ficam suas características psicológicas. Analisando os super-heróis em conjunto, na imensa maioria são órfãos que tiram sua força de algum trauma que tenha ocorrido em suas vidas, principalmente na infância.
Por mais "normal" que um super-herói possa parecer à primeira vista, o fato em si da dupla personalidade (Clark Kent - Super-Homem, Bruce Banner - Hulk, Peter Parker - Homem-Aranha, ...) já caracteriza uma personalidade psicótica.
Quando o Dr. Bruce Banner, esquizofrênico que vive em luta constante contra seu monstro interior, é vencido por sua personalidade agressiva interiorizada, aflora de suas entranhas o potencial destrutivo na forma de seu alter-ego Hulk. O monstrengo verde permite ao Dr. Bruce lidar com sua identificação projetiva e assim, projetando-se em Hulk, escapar da culpa ou, ainda, encontrar aí a coragem para reagir diante de situações contra as quais sente-se impotente. Essa característica de sua personalidade, que mais tarde tomou proporções drásticas ao ser atingido por radiações gama, desenvolveu-se ainda na infância, quando teria sofrido agressões por parte de seu pai.
Peter Parker, o Homem Aranha, carrega consigo o trauma da morte de seus pais quando ainda era criança, em acidente de carro, além da culpa pela morte de seu tio, morto em assalto. No dia-a-dia Parker é desajeitado, tem problemas na administração de sua vida financeira e, devido à necessidade de manter sua dupla personalidade em segredo, tem dificuldades para formar e manter relacionamentos.
Já Bruce Wayne, o Batman, presenciou em criança o assassinato de seus pais. Buscando vingança, tornou-se mais tarde o herói violento e taciturno que é. Constantemente perseguido por seu trauma de infância, com as imagens trágicas a todo momento ressurgindo na sua mente sombria, Bruce é monossilábico e cínico, mantendo-se sempre à margem do meio social.
Robin, amigo inseparável de Batman, era trapezista de circo e, por sua vez, não foge à regra da orfandade traumática: presenciou a morte de seus pais em pleno picadeiro, após sabotagem do equipamento de segurança. Bruce Wayne, que estava lá na noite do homicídio, culpa-se por não ter podido evitar a tragédia.
Parêntese à parte é a relação misteriosa desses dois, que já foi tema de estudo aprofundado por parte do psiquiatra americano Frederic Werthand que, no seu livro The Seduction of the Innocents, defende a tese de que o seriado de Batman e Robin promovia a homossexualidade nos puros lares americanos: "(Batman e Robin) transmitem a sensação de que nós, homens, devemos nos manter juntos porque há muitas criaturas malvadas que têm que ser exterminadas. (...) Às vezes, Batman acaba numa cama, ferido, e mostra-se o jovem Robin sentado ao seu lado. (...) Vivem em aposentos suntuosos com lindas flores em grandes vasos. Batman é, às vezes, mostrado num robe de chambre... é como um sonho de dois homossexuais vivendo juntos". "Santa-Imaginação!", diria Robin?
Apenas citando mais alguns exemplos de órfãos traumatizados, temos o Super-Homem (seus pais morreram na explosão do planeta Krypton), Capitão Marvel (pais mortos a mando do "famoso doutor Silvana"), Fantasma (pai morto por piratas), Pantera Negra (o pai, rei de Wakanda, foi assassinado) e Zagor (toda a família assassinada por índios). Aliás, o ideal seria citar, se eu conseguisse nomear algum, apenas aqueles que não tiveram seus pais mortos de forma trágica.
Após analisar essas características assustadoras da personalidade dos nossos tão estimados super-heróis, resta a certeza de que é melhor ser um simples mortal bem resolvido com seus traumas do que ser um super-herói problemático.
Armamento Pesado

Cécil Braga e Chaves publicou em seu Blog, Meu Olhar..., artigo sobre os animais das raças Pit-Bull e Rottweiller, intitulado Justa Defesa, onde diz: "Fazendo-se justiça, porém, há que se considerar o histórico de vida desses pobres animais, de acordo com o informe policial diariamente sujeitos a maus tratos e ininterrupta selvageria. Se entre humanos racionais permite-se a ação em legítima defesa, por que estranhar animais agindo conforme seu mais puro e natural instinto de conservação da própria vida?".
Muito sensato o seu ponto de vista ao defender esses animais que apenas tornam-se agressivos dependendo da criação/educação que receberam, mas acredito que depois de tantas crianças e adultos mortos de forma selvagem por esse tipo de cães, é necessário rever alguns conceitos.
Muitos donos dizem não entender o ataque repentino dos cães, pois os mesmos se apresentaram dóceis durante toda a sua vida. Realmente, é provável que a maioria desses cães jamais efetue qualquer ataque, mas a questão é que, se vier a atacar, causará muitos estragos. Nunca vemos nos jornais notícias sobre crianças sendo dilaceradas por poodles, por exemplo.
E o motivo disso é simples: cães como os da raça pit-bull foram criados através de cruzamentos genéticos, na intenção de se obter coragem, agressividade, resistência, capacidade de lutar e morder.
A origem desses animais está ligada à condução de gado nos matadouros ingleses. Porém, em 1835 o Parlamento declarou a luta de cães com touros ilegal e criminosa, contra a vontade dos talhantes da época que alegavam que tais lutas tornavam a carne bovina mais macia (o cão atacava o boi ficando pendurado no animal até este cair exausto na arena). Com essa proibição, os criadores que apreciavam a coragem, resistência e tenacidade dos bull-dogs, começaram através de seleção a criar um animal valente e agressivo com outros cães e com grande resistência à dor.
Mas os cães não têm culpa nenhuma, realmente: quando alguém comete assassinato culpamos a arma utilizada no crime ou o criminoso que a empunhou?
A arma, como os cães, não tem culpa de nada. Assim sendo, deveremos liberar o porte de armas de fogo, na confiança de que seus donos não façam mau uso delas?
O que deve ser analisado nessa questão não é a culpa ou a inocência da arma, digo, do cão. O que devemos levar em conta é a sua natureza e o propósito da sua existência.
E os pit-bulls, assim como os revólveres, foram criados como o único propósito de matar.
Distribuição de Renda

A lista das maiores fortunas do mundo, anunciada pela revista americana Forbes, consta de 691 bilionários (milionário furreca não entra). Os valores, somados, alcançam a estúpida quantia de US$ 2,2 trilhões (R$ 6 trilhões).
Dentre as pessoas que jamais passarão fome no mundo, figuram 9 brasileiros:
| Fortuna (em bilhões de US$) |
Fortuna (em bilhões de R$) |
Posição |
|
| Lemman | 2,6 |
7.1 |
228º |
| Telles | 1,2 |
3.2 |
548º |
| Sicupira | 1,0 |
2.7 |
620º |
| Irmãos Safra | 5,2 |
14.2 |
91º |
| A. A. Faria | 3,2 |
8.7 |
170º |
| J. Bozano | 1,6 |
4.3 |
413º |
| A. E. de Moraes | 2,5 |
6.8 |
243º |
| A. dos S. Diniz | 1,3 |
3.5 |
507º |
| TOTAL | 18,6 |
50.5 |
# |
Estimando a população mundial em 6 bilhões de habitantes, se esses 691 bilionários, em rompante altruístico, distribuissem sua fortuna de maneira igualitária entre todos, incluindo eles mesmos, cada pessoa do mundo teria nesse instante US$ 333.00 (R$ 900), isso sem incluir os milionários.
Se reduzirmos essa amostra apenas aos nove brasileiros e ao Brasil, cada um de nós teria U$ 102.71 (R$ 277,30), ou seja, 1,07 salários mínimos nacionais.
Já se a fortuna de Bill Gates, estimada em US$ 46,5 bilhões, fosse dividida entre toda a população global, cada pessoa teria US$ 7.75 (R$ 20,93).
Gostaria de entender o que uma pessoa, tão humana quanto qualquer mendigo, faz com US$ 46,5 bilhões?
E nas mãos de quem, afinal, está a solução para a miséria da Índia, da África, da Latino-América, incluindo aí a nossa própria?
Não estou querendo dizer que esses bilionários tenham que, obrigatoriamente, solucionar os problemas do mundo. O que quero dizer é que, se eles quisessem realmente fazer isso, poderiam.
Mas, Sinal dos Tempos, isso é apenas um sonho...
Penedo
O Segredo da Montanha Carrancuda

Penedo/RJ

Montanha Carrancuda de Penedo
Princípio da Serra da Mantiqueira, durante os dias em que lá estive a "Montanha Mal-Humorada", como a apelidei, freqüentemente se ocultava em pesadas nuvens e muita neblina.
Um dia antes de eu deixá-la, no entanto, se revelou seu mistério. Lentamente uma imensa e pesada nuvem começou a se desprender da montanha:




E foi então que seu mistério se desvelou para mim: o rosto carrancudo da Montanha deve ser nada mais do que o espírito de Uuskalio, ainda hoje guarnecendo o povoado que ajudou a fundar.
Mesmo com sua cara feia, que assustou-me a princípio, não deixou de manifestar sua alegria em receber visitantes, me fazendo um "tudo jóia?" com sua mão direita, conforme muito bem mostra a foto, que não me deixa mentir.
Mas, apesar das provas fotográficas contundentes, ainda tem gente que jura que é apenas a minha imaginação...
Tião - O Macaco-Criança
Olá, criançada! O meu nome é Macaco Tião e eu trabalho no circo. Eu gosto muito quando as crianças riem das minhas travessuras, porque eu adoro crianças. Eu mesmo ainda sou um macaco-criança e não tenho nem dois anos. Agora eu queria que vocês prestassem bastante atenção, porque eu vou contar a história de como vim parar nesse circo.
Antes de trabalhar aqui eu vivia na floresta com o papai, a mamãe, o meu maninho Pimpolho e o resto da macacada. Lá em casa era sempre uma grande festa com a bicharada toda se divertindo muito, pulando de galho em galho e fazendo o maior alvoroço. O que eu mais gostava de fazer era catar piolhos no meu mano, que o Pimpolho sempre foi muito piolhento. Ele deitava de barriga pra cima num galho e deixava eu ficar catando os bichinhos na sua pelagem macia. A mamãe sempre estava por perto, porque éramos muito pequeninos ainda para podermos ficar sozinhos. O papai, do topo das árvores com aquela sua cara seriíssima, cuidava de todos nós.
Até que um dia apareceu lá em casa um grupo de caçadores com espingardas, redes e cães furiosos. Assim que viu aquilo, a macacada toda deu no pé o mais rápido que pode, fazendo alarido floresta afora, até que não fossem mais ouvidos por entre as folhagens. Mas a mamãe não conseguia fugir tão rápido quanto eles, porque tinha que nos carregar consigo. Então ela nos colocou em seu peito e nos agarramos firmemente nos seus pelos, tomando o maior cuidado para não cair como costumávamos fazer. O papai estava muito furioso, agitando seus braços e grunhindo de um jeito ameaçador.
Os caçadores impiedosos acertaram mamãe com uma dose de tranqüilizantes, com papai eu não sei o que houve. A mamãe foi ficando com muito sono e por pouco não despencou com a gente daquela altura toda onde estávamos. Nós três fomos capturados com uma rede, depois injetaram tranqüilizantes em mim e no meu mano também.
Quando acordei, eu já estava aqui, trancado nessa jaulinha escondida nos fundos do circo. Tão logo consegui ficar de pé, apareceu um senhor de bigodes com um chicote na mão. O nome dele é Sr. Domador e ele é muito mau. Mandava-me fazer coisas que eu não tinha nem idéia que existiam, como andar de bicicleta e virar cambalhota estrelinha. E eu também não entendia por que macacão tem esse nome se nós, macacos, nem gostamos de usar roupas. Depois de muitas chicotadas, aprendi muitas coisas. Hoje eu sei andar de bicicleta e sempre faço piruetas quando o Sr. Domador me manda. Eu nunca ouso contrariá-lo, porque da última vez que fiz isso, ele me deu mais chicotadas do que o normal e me deixou dois dias inteirinhos sem ração. Ai, que saudade do leitinho morno e adocicado da mamãe...
Nunca mais vi o papai, a mamãe ou mesmo o meu mano Pimpolho e todos os dias eu rezo muito para que eles estejam bem. Quando eu rezo, peço também a Deus que um dia os circos não tenham mais bichinhos como eu ou como o urso Babão — ele é babão porque vive lembrando de como era bom comer mel direto nas colméias das árvores e então ele se baba todo. O Babão também sabe andar em duas pernas como uma pessoa e às vezes eu faço de conta que ele é a mamãe, mas não é a mesma coisa.
Eu queria muito que vocês fizessem as mamães e os papais de vocês entender que o nosso lugar — o meu, o do Babão e de todos os outros bichos — é lá no meio do mato e não num picadeiro de circo e muito menos numa jaula. Conte para eles que o Sr. Domador aproveita-se da gente para ganhar dinheiro, sem ligar nem um pouquinho para o que realmente precisamos.
E lembrem-se também que existem muitos circos que são bem legais. São circos onde só tem gente, diferentes desse onde trabalho, e nesses circos também existem muitos palhaços, contorcionistas e malabaristas bem melhores do que eu, que sou apenas um macaquinho.
Sabe, eu gosto muito de fazer piruetas para as crianças rirem porque, como eu já disse, eu mesmo também sou um macaco-criança. Mas da próxima vez que algum de vocês for me assistir no circo ou até na televisão, lembrem que mesmo eu gostando muito de fazer vocês rirem, só ando de bicicleta e faço piruetas no picadeiro porque senão o Sr. Domador me enche de chicotadas e me deixa sem comida. E expliquem pros seus pais, que o que eu mais queria mesmo no mundo era um dia poder voltar para a minha casa lá na floresta e, sob o olhar cuidadoso do papai, me aninhar mais uma vez nos pelos macios da mamãe e ficar catando os piolhos do meu maninho Pimpolho.
Sonho
Um dia meu conto haverá de se tornar mera ficção

Vitória!
Após mais de cinco anos de briga, o destino da chimpanzé Dolores, de 8 anos, foi decidido. No dia 19 de janeiro, a justiça concedeu ganho de causa à ONG Aliança Internacional do Animal (Aila), que entregou Dolores à organização internacional The Great Ape Project (GAP - Projeto de Proteção dos Grandes Primatas).
Dolores se recupera em santuário na cidade de Sorocaba
Foto: AFPA briga pela guarda de Dolores se estende desde 1999. A chimpanzé pertencia originalmente ao Circo Di Napoli, onde sofria maus-tratos e vivia sob condições inadequadas, segundo a Aila.
O circo foi autuado pelo IBAMA e obrigado a entregar seus animais para instituições e zoológicos. Dolores foi recolhida pelo Beto Carrero World, onde passou por uma recuperação. Com a decisão da justiça, o animal foi levado do parque, que fica em Penha, Santa Catarina, para o Santuário dos Chimpanzés, em Sorocaba, São Paulo.
De acordo com Pedro Ynterian, biólogo responsável pelo GAP no Brasil, Dolores sofreu muito e ainda está em recuperação. "Ela chegou quase morta no Beto Carrero. Eles a recuperaram, mas ela ainda necessita de cuidados específicos. Estava depressiva e com bronquite crônica", diz Ynterian. A chimpanzé está de quarentena para receber todos os cuidados.
A porta-voz da ONG Aila, Ila Franco, comemorou a decisão de justiça: "Estamos muito contentes. O Brasil está ampliando a conscientização para a causa animal".
Fonte: Folha de São Paulo
haverá de se tornar um dia mera ficção
O Bom Egoísmo

Detalhe de obra de artista desconhecido - XXIV Bienal de São Paulo
Diferente daquele egoísmo que todos conhecemos, acredito haver outro tipo de egoísmo, de índole louvável e sub-repticiamente oculto atrás de boníssimas intenções.
Quando por exemplo me preocupo com a saúde do filho do meu melhor amigo, o faço por motivo egoísta, pois se o filho do meu melhor amigo fica doente, meu melhor amigo fica mal, e se meu melhor amigo fica mal, eu fico mal também.
Sem suberfúgios, eu me preocupo com a saúde do filho do meu melhor amigo, mas pensando na verdade em meu próprio bem-estar.
Outra situação onde penso haver fundamento egoístico — embora também seja um egoísmo bom — é o pedido de desculpas.
Quando alguém diz "desculpe-me", pensa-se à primeira vista e superficialmente que esse pedido, gesto de profunda humildade, resume apenas a bondade de quem reconheceu seu erro. Mas se analisarmos essa mesma atitude por outro ponto de vista ela poderá adquirir sentido diverso.
Desculpar significa tirar a culpa. Quando alguém diz "desculpe-me", está portanto dizendo, com outras palavras e sem deturpar o sentido, "tire a culpa de mim".
Para que se chegue onde quero chegar, imagine-se hipoteticamente uma situação:
Um sujeito A, nesse exemplo designado Haroldo, é ofendido por um sujeito B, designado Bertoldo.
Ao dar-se conta de seu erro, Bertoldo humildemente diz: "Desculpe-me, Haroldo" ou, em outras palavras: "Tire a culpa de cima de mim, Haroldo".
Como Bertoldo não sente em sua própria pele a dor de Haroldo, a única forma de mesurá-la será através de suposições ou de experiência própria em situações semelhantes pelas quais ele tenha passado anteriormente. Mas a dor real que Haroldo sente, Bertoldo não a sente em si: o que ele sente realmente é apenas a sua própria dor. Quando Bertoldo portanto pede desculpas a Haroldo, está levando em conta unicamente o descoforto que o sofrimento do amigo causa nele mesmo. Obviamente ele sente alguma coisa (culpa, não é disso que se trata?) pois se o sofrimento do amigo não lhe causasse qualquer emoção, ele não pediria desculpas.
Pensando dessa maneira, o pedido de desculpas de Bertoldo, assim como a minha preocupação com a saúde do filho do meu melhor amigo, por mais recheados de boas intenções que sejam, não deixam de ocultar em si mesmos um princípio, este na verdade egoísta.
Da mesma forma procedem muitos atos de caridade. Quando alguém pratica a caridade, o faz porque o sofrimento dos desafortunados lhe causa dor e desconforto. A pessoa não consegue ficar tranqüila com sua consciência se não ajudar os mais necessitados. E quando o faz, sente paz interior.
Não quero com minhas palavras que as pessoas deixem de desejar a saúde alheia, que não peçam mais desculpas ou não ajudem os necessitados. Minha intenção é unicamente fazer com que se veja, de maneira bastante lúcida e sem máscaras, tudo que inconscientemente se oculta, até mesmo por trás dos melhores gestos.
Assim, quando você desejar saúde, pedir desculpas ou praticar um ato de caridade — e, para o seu próprio bem, FAÇA-OS! — tenha apenas a plena consciência de já ter recebido o pagamento pelo seu gesto: o bem-estar pessoal.
Moral da História: até o egoísmo, quando bem canalisado, pode ser altamente positivo para todos.
Introdução (Filistéia) à Filosofia

Detalhe de obra de artista desconhecido - XXIV Bienal de São Paulo
Quando um filósofo completa uma resposta,
ninguém se lembra de qual foi a pergunta.André Gide
Na história humana,
não há registro de um filósofo feliz.H. L. Mencken
Ó Física, poupe-me da Metafísica!
Isaac Newton
O truque da filosofia é
começar por algo tão simples
que ninguém ache digno de nota
e terminar por algo tão complexo
que ninguém entenda.Bertrand Russel
Quando aquele que ouve não sabe
o que aquele que fala quer dizer,
e quando aquele que fala
também não sabe o que quer dizer:
a isto se chama Filosofia.Voltaire




