Categoria: Homenagens
Mães

Minha mãe, Nelcinda
Alguns têm mais de uma,
outros já não tem mais.
Outros ainda, nunca as tiveram,
são filhos sem mães e sem pais.Algumas são mães honorárias,
e há até as voluntárias...
mas, de verdade, só se tem uma,
embora as mães sejam várias.Há mães presentes de corpo,
mas ausentes de espírito
e mães presentes em espírito,
mesmo que ausentes de corpo.Há mãe doce, mãe carrasca...
Já a minha, é mãe de chimarrão:
inseparável de seu mate,
outra não quero não.Então, sem mãe ninguém é:
Jesus também teve a sua,
que hoje divide com todos nós,
mesmo com aqueles sem fé.Há mãe amorosa e de carinho.
Há mãe agitada e mãe calma:
D'us é tão perfeito que fez
uma mãe para cada alma.
Boca Braba
a um mui especial Boca Braba que faz parte de minha vida

As Razões do Boca Braba
João de Almeida Neto
Tem gente que não entende que o macho quando é bem macho
Nem que o mundo venha abaixo não dispara e não se rende.
Essa é a gente que se ofende com o meu ar de liberdade,
Que por inveja e maldade das suas mentes macabras
Batizam de boca braba quem tem personalidade.Me chamam de boca braba, não sabem me analisar,
De gênio eu sou uma cachaça mas de alma um guaraná.
Só não me pela com a unha quem pretende me pelar
E depois que eu fico brabo não adianta me adular.Eu sei que é em mim que deságua quase que cento por cento
De todo o ressentimento dessa gente que tem mágoa.
É porque eu não bebo água nas orelhas dessa gente
Que adora mostrar os dentes e por não ter fé no taco
Vivem grudados no saco dos políticos influentes.Me chamam de boca braba mas eu nem brabo não fico.
Não desfaço quem é pobre, nem adulo quem é rico.
Quando eu gosto eu elogio, quando eu não gosto eu critico
E onde tem galo cantando eu vou lá e quebro-lhe o bico.O meu jeito, ah, o meu jeito, conforme já tinham dito
Para uns é muito bonito, para outros é o meu defeito.
Mas talvez seja o meu jeito que me troque de invernada
Cada um tem sua estrada, seu lugar, seu parador.
A abelha gosta da flor, a sarna da cachorrada.Me chamam de boca braba, esta gente tá enganada:
Eu tenho é boca de homem e tenho opinião formada,
Sei qual é a boca que explora, sei qual é a boca explorada
E é melhor ser boca braba que não ter boca pra nada.
Agradecimento a Portugal Pelo Descobrimento do Brasil

Retrato de Pedro Álvares Cabral - Biblioteca Nacional
nada a D. João VI
ou a Maria I, a Loucamas a toda a Corte treslouca
que não dormia de touca
obrigadoagradeço aos jesuítas pela escola
em nome dos índios civilizados
que não mais andam peladose a Carlota Joaquina
por não ter levado
nossa poeira na sola:
obrigadoem nome do pau-brasil
do ouro de Minas
e de tudo o mais
que nos foi levado:
obrigadotambém pelo período colonial
que nos deixou sem força ou morale principalmente pelo 22 de abril
em que Cabral descobriu essa pátria
obrigado
18/12/2004 - 21/04/2005
Vincent Willem van Gogh

Auto-Retrato - van Gogh
(1853 - 1890)
Rebelde, inclinado à solidão, até mesmo insociável, van Gogh é um desajustado no seu lar, em sua terra e em sua sociedade.
Desde jovem, tem dificuldade em se adequar aos padrões e passa por diversos trabalhos, até que descobre sua verdadeira aptidão, a pintura. É ajudado por seu irmão mais novo Theodore, a quem chama carinhosamente de Theo. Foi seu amparo afetivo, emocional e econômico.
Em 1876, vive suas primeiras crises nervosas e tem na religião um refúgio. Resolve ser pastor. Mas nem assim ele se aquieta. Pregava pouco e se preocupava demais com os doentes e crianças.
Quando resolve pintar, Theo o ajuda, pois neste período é um dos dirigentes da Galeria Goupil. Theo está em Paris, o centro artístico. Com o dinheiro que ele manda, van Gogh estuda anatomia e perspectiva. Resolve pintar a sua terra e os homens simples. Não deseja fazer uma pintura clássica, pintar "gente que não trabalha". E diz:
"Eu não quero pintar quadros, quero pintar a vida".
Vida para ele são paisagens e gente, isto é, camponeses e mineiros, campo e trigais.
Em 1885/86, van Gogh está em Antuérpia, onde ele se apaixona definitivamente pela cor:
"O pintor do futuro será um colorista como nunca foi possível antes".
Era um excepcional artista que foi buscar lá fora, na própria natureza, o colorido, as formas revoltas, as árvores farfalhantes, as casas solitárias, os rostos sofridos, os corpos alquebrados, os céus estrelados, o amarelo dos girassóis e dos trigais, tudo com um brilho muito exagerado para ter mais expressão. Ele dizia:
"Procuro com o vermelho e o verde exprimir as mais terríveis paixões humanas. Quero pintar o retrato das pessoas como eu as sinto e não como eu as vejo".
Em 1888 (Arles) pinta ao ar livre. Quando chega o verão e o sol, van Gogh liberta as cores:
"Eu quero a luz que vem de dentro, quero que as cores representem as emoções".
A seu convite, Gauguin chega em outubro, para trabalharem juntos. Seguem-se dois meses de trabalho duro é fértil para ambos. Mas a diferença de temperamento e de atitude diante da vida acaba explodindo numa inevitável desavença.
Van Gogh tem crises de humor, discute, agride o amigo, sofre de mania de perseguição e numa das crises tenta ferir Gauguin com uma navalha. Perde a luta, é levado para a cama em lágrimas e com descontrole muscular. Arrependido, corta, de propósito, um pedaço da orelha e manda num envelope à mulher que motivou a briga.
Recolhido ao hospital Saint-Paul para doentes nervosos, mais tarde pinta, diante do espelho, o Auto-retrato com a orelha cortada. Seu olhar é de espanto, mágoa e melancolia.
Em maio de 1889 ele mesmo pede ao irmão que o interne. Vai ao hospital de Saint-Rémy. Seu quarto do hospital é transformado em atelier. Pinta sem parar, e manda dizer ao irmão que está pintando bem. Pinta paisagens, o hospital, os doentes, as celas, o pátio e os médicos. Apesar de sua grande produção, vendeu um único quadro em sua vida toda.
Seus últimos quadros já mostram deformações mais fortes, pois van Gogh prefere pintar a sua própria realidade. Os trigais são turbulentos e inquietos, os ciprestes estão trêmulos, angustiantes, cheios de tensão, as oliveiras tornam-se exaltadas e torcidas.
No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver na mão. É domingo, o grão está dourado, o céu incrivelmente azul. Corvos muitos pretos gritam e fogem em revoada. Dias antes ele pintou esse quadro. No meio do campo dá um tiro no peito.
Vincent van Gogh com sua pintura contribuiu para a pintura moderna com a vitória da cor sobre o desenho, libertando-a. Foi o precursor do Expressionismo.
José de Arimatéia

Cristo sendo retirado da Cruz
Jesus, conforme profetizado por Isaías (Is 53:9) deveria ser sepultado "como rico ... na sua morte". Mas quem colocaria o seu corpo em "um sepulcro novo, no qual ninguém tinha sido ainda posto" (Jo 19:41), uma vez que a maioria dos apóstolos estava escondida com medo dos fariseus (Jo 20:19) e as mulheres que O seguiam fielmente não tinham recursos para fazê-lo?
Por ser o responsável, juntamente com Nicodemos, pela retirada do Corpo de Cristo da cruz e por seu sepultamento, José de Arimatéia é considerado por muitos o mais cristão dos judeus.
Esse artigo, no dia em que a Igreja Romana celebra sua existência (a Igreja Grega o faz em 31 de julho) não passa de pretexto para relembrar a linda história da sua vida e seu ato de extremo AMOR, que originaram mais tarde a lenda (?) do Santo Graal.
Castro Alves

Castro Alves
14/03/1847 - 06/07/1871
Castro Alves (Antônio Frederico de Castro Alves), poeta, nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871. É o patrono da Cadeira n. 7 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.
(...)
Duas vertentes se distinguem na poesia de Castro Alves: a feição lírico-amorosa, mesclada da sensualidade de um autêntico filho dos trópicos, e a feição social e humanitária, em que alcança momentos de fulgurante eloqüência épica. Como poeta lírico, caracteriza-se pelo vigor da paixão, a intensidade com que exprime o amor, como desejo, frêmito, encantamento da alma e do corpo, superando completamente o negaceio de Casimiro de Abreu, a esquivança de Álvares de Azevedo, o desespero acuado de Junqueira Freire. A grande e fecundante paixão por Eugênia Câmara percorreu-o como corrente elétrica, reorganizando-lhe a personalidade, inspirando alguns dos seus mais belos poemas de esperança, euforia, desespero, saudade. Outros amores e encantamentos constituem o ponto de partida igualmente concreto de outros poemas.
Enquanto poeta social, extremamente sensível às inspirações revolucionárias e liberais do século XIX, Castro Alves viveu com intensidade os grandes episódios históricos do seu tempo e foi, no Brasil, o anunciador da Abolição e da República, devotando-se apaixonadamente à causa abolicionista, o que lhe valeu a antonomásia de "Cantor dos escravos". A sua poesia se aproxima da retórica, incorporando a ênfase oratória à sua magia. No seu tempo, mais do que hoje, o orador exprimia o gosto ambiente, cujas necessidades estéticas e espirituais se encontram na eloqüência dos poetas. Em Castro Alves, a embriaguez verbal encontra o apogeu, dando à sua poesia poder excepcional de comunicabilidade.
Dele ressalta a figura do bardo que fulmina a escravidão e a injustiça, de cabeleira ao vento. A dialética da sua poesia implica menos a visão do escravo como realidade presente do que como episódio de um drama mais amplo e abstrato: o do próprio destino humano, presa dos desajustamentos da história. Encarna as tendências messiânicas do Romantismo e a utopia libertária do século. O negro, escravizado, misturado à vida cotidiana em posição de inferioridade, não se podia elevar a objeto estético. Surgiu primeiro à consciência literária como problema social, e o abolicionismo era visto apenas como sentimento humanitário pela maioria dos escritores que até então trataram desse tema. Só Castro Alves estenderia sobre o negro o manto redentor da poesia, tratando-o como herói, como ser integralmente humano.
Fonte: ABL
Amar e Ser Amado
Castro Alves
Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu'alma, ter só vida
P'ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano —,
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante — amado —
Como um anjo feliz... que pensamento!?
Dia Nacional da Poesia

Fazer poesia é pegar coisas
abstratas como o vento
e adorná-las de mistérios
até que se transformem
em objetos contundentes
como borboletas azuis.
Fazer poesia é pegar
as palavras pelo rabo
e ensiná-las a voar.
Dia Internacional da Mulher

Lindsay Wagner - A Mulher Biônica (1976)
A Mulher Biônica
Mario Quintana
Eu quero uma mulher biônica
Que me ame como uma suspirosa máquina
Do mais intenso amor
Uma mulher que quase me mate...
Mas me livre de todos os ataques!
Eu quero, quero uma mulher biônica
Para que eu possa, a qualquer momento,
Desparafusá-la...
D. H. Lawrence I

David Herbert Lawrence
11/09/1885 - 02/03/1930
Pelo papel que conferiu à paixão amorosa, às vezes em meticulosas descrições do amor físico, o britânico D. H. Lawrence causou polêmica em sua época, porém mais tarde passou a ser visto como um dos renovadores da prosa de ficção no século XX.
David Herbert Lawrence nasceu em Eastwood, Nottinghamshire, em 11 de setembro de 1885. Formou-se em Nottingham e lecionou durante dois anos.
Estreou na literatura com o romance The White Peacock (1911; O pavão branco), mas só com Sons and Lovers (1913; Filhos e amantes), autobiográfico, chamou alguma atenção. Lançou no mesmo ano seus Love Poems and Others (Poemas de amor e outros).
Em 1914 casou-se com a aristocrata alemã Frieda von Richthofen, com quem viveu relação tumultuada.
Depois de The Prussian Officer and Other Stories (1914; O oficial prussiano e outras histórias), começaram os problemas de Lawrence com a censura: o romance The Rainbow (1915; O arco-íris) foi proibido na Inglaterra como obsceno.
Essa repressão, somada aos horrores da primeira guerra mundial, fortaleceu em Lawrence a convicção de que os valores da civilização ocidental subjugavam os instintos vitais do ser humano, tese que desenvolveu em vários ensaios e no romance Women in Love (1920; Mulheres apaixonadas), depois apontado pela crítica como uma das obras-primas da literatura inglesa.
A partir de 1921, o desejo de abandonar a Europa aumentou e a vida de Lawrence tornou-se uma peregrinação em busca de sociedades mais livres e naturais. As viagens à Austrália e ao México lhe inspiraram respectivamente Kangaroo (1923; Canguru) e The Plumed Serpent (1926; A serpente emplumada), mas a fascinação pela natureza dessas terras alcançou sua melhor expressão na sensualidade dos poemas de Birds, Beasts and Flowers (1923; Pássaros, feras e flores).
Em 1928, radicado em Florença, Lawrence publicou seu mais célebre romance, Lady Chatterley's Lover (O amante de Lady Chatterley), que conheceu sucessivas proibições e cujo texto integral só veio a público em 1959, em Nova York. A obra recria as relações entre uma aristocrata inglesa, casada com um aleijado, e seu guarda florestal: ao mesmo tempo em que defende a liberdade sexual, ataca frontalmente as convenções sociais.
D. H. Lawrence morreu de tuberculose em Vance, perto de Antibes, França, em 2 de março de 1930.
As Mulheres, No Que Me Respeita
David H. Lawrence
Os sentimentos que não tenho, não tenho.
Os sentimentos que não tenho, não vou dizer que tenho.
Os sentimentos que vocês dizem que têm, não têm.
Os sentimentos que vocês quereriam que nós e vocês tivéssemos,
nenhum de nós tem.
Os sentimentos que as pessoas deveriam ter, nunca têm.
Se as pessoas dizem que têm sentimentos, pode-se estar certo que
não têm nenhuns.
Por isso, se vocês querem que nós ou vós sintamos alguma coisa,
é melhor abandonar por uma vez a idéia de sentir.
Tradução: Mário Alves Coutinho
Tudo que temos é a vida
David H. Lawrence
Tudo que temos, enquanto vivemos, é a vida;
se você não vive durante sua vida, você é um pedaço de merda.
E trabalho é vida, e vida é vivida no trabalho
a menos que você seja um escravo do salário.
Enquanto um escravo do salário trabalha, deixa a vida de lado
e fica lá um pedaço de merda.Os homens deveriam recusar-se a ser sem vida no trabalho.
Os homens deveriam recursar-se a ser montes de assalariados de merda.Os homens deveriam recusar-se a trabalhar, como escravos assalariados.
Os homens deveriam exigir trabalhar para si mesmos, por si mesmos, e investir sua vida nisso.
Pois se um homem não tem vida no seu trabalho, ele é basicamente um monte de merda.
Tradução: Mário Alves Coutinho
Dia do Pau-Brasil

Nacionalismo
brasil sem pau-brasil sem pau-brasil sem pau- cem índios brazil sem brasil sem pau-brasil sem pau-brasil sem pau-
In: O Amor & Outras Coisas Que Coçam, 2003



