Categoria: Especiais

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Lá e Cá III



Retratos Portugueses - 50x75cm


16 imagens da série Retratos Portugueses foram selecionadas para a exposição coletiva Lá e Cá III, cujo tema esse ano é Identidades e, com curadoria de João Kulcsár, acontecerá no Instituto Camões - Embaixada de Portugal (Brasília/DF).

Essa coletiva, assim como nas demais edições, busca promover a integração Brasil/Portugal através da fotografia, contando com imagens produzidas por fotógrafos portugueses (lá) e brasileiros (cá).

Em datas a serem definidas, a exposição virá "cá" para São Paulo, depois irá para "lá", digo, Lisboa e Porto, Portugal.

Acrósticos




Beijo doce
Alma clara
Lambo os lábios
Amo a bala!


Olegario Schmitt
 





 


Pus meu sonho
Inacessível
Preso a um fio.
Alto voava...


Olegario Schmitt


In: Caderno de Assessoria Pedagógica, vol 3, Paratodos- História. São Paulo: Scipione, 2004, p. 40.


Obrigadão, Frô! (mariafro.blogspot.com)

Bob Dylan




Peculiarities


Special to the "New York Times"


Still "frozen-whitened", a field at the sunrise
in Boca do Monte, district of Santa Maria City



Gaucho towns have these peculiarities, this modus vivendi out of the national pattern, if one does exist. These characteristics are more visible at winter times, when fields rise, in local expression, "frozen-whitened".

Winter temperatures varying between 23 and 59 °F, make essential the presence of a wood stove, working like some kind of fireplace, with the advantage that you can cook over it, merging together usefull cooking with very pleasant warming.

Long time ago, mom tells me, used to snow regularly around here and, she also says, we used to have four well defined seasons a year.

Although actually, making cold in summer and heat in winter, still snows on the mountains sometimes and the Minuano Wind resists bravelly. Cruel, it passes through gaucho clothes as a real knife made only of cold, dropping down the thermal sensation to some degrees less than thermometers show.

That's why, at coldest times of the year, we adopt lizard habits. This actitude, called by us of to lizard, have its name inspirated in the lizards, these cold blooded animals that use to stare at the sun to get warm. Here around it's an habit, almost an obligation, to say to someone who's staring at the sun: "Lizarding, huh!?".

Here in Santa Maria, a town with aproximatelly 300,000 habitants placed right in the middle of Rio Grande do Sul State, Brazil, between the end of the mountain range at north and the start of Pampa at south, it couldn't be any different. Walking down the Calçadão (town center) in any wintery morning, we can see this large group of lizarders, some of them professionals, stretched out at the sun.

This group, formed at most by retired pensioners, isn't of exclusive use by this category, because around here anyone can find some time to lizard too. Side by side with experienced lizarders, there's also young apprentices, ordinary and high society persons, gauchos caractherized or not. In a democratic way, they talk about our political and social lives from town itself to all over country, read the newspapers, drink mate (a traditional tea, pronounced maa-tea), or do absolutelly nothing at all.

The most characteristic peculiarities of our region are, of course, ourselves: the gauchos. Not mattering the wheather, if it's day or night or wherever we are, it doesn't take too much time to a tipical gaucho to appear. In Rio Grande do Sul, gaucho's traditional clothes, also called pilcha (pronounced peel-shah), are considered really equivalent to black-ties. I've heard histories of gauchos that, out of our region, tryed to get in gala events wearing pilchas and were barred at the door.



Our town's central plaza, also called Saturnino de Britto, is the better place to lizard after Calçadão. Reformed a few years ago, it still keeps its bandstand and its fontain. Was also added an arena for public presentations, just like the ancients roman theaters. Disposed around this plaza are Theatro Treze de Maio (May 13th Theater), Culture House (old Forum) and Independency Cine (where I for the first time went to the movies, to watch The Wizard of Oz), this one being transformed in a popular mall (sic) by town's administration (the other alternative was demolition). In this cental plaza there's also a figurehead of Felippe D'Oliveira poet, who was one of the 1922's Brazilian Modern Art Week expoents, sculptured by Brecheret.

To lizard downtown Santa Maria is to exercize the most tranquil aspect of this interioran town, with its peculiarities and its calm plazas. Forgetting for an instant the growing violence, transit congestions, houseless people invading public areas and administrative indifference about the public patrimony, we can also forget all our social and personal differences. This way, between poors and richs, olds and youngs, famous and anonymous, we establish this kind of Sun Democracy: here in Santa Maria City, it really rises for everyone.

Peculiaridades


Especial para o "New York Times"


Ainda branco de geada, campo ao sol nascente
em Boca do Monte, distrito de Santa Maria/RS



As cidades gaúchas têm essas peculiaridades, esse modus vivendi fora do padrão nacional, se é que existe algum. Tais características são mais visíveis durante o período do inverno, quando os campos amanhecem, expressão local, "brancos de geada".

As temperaturas invernais, que variam entre -5 e 15 °C, tornam imprescindível a presença do fogão a lenha, funcionando como uma espécie de lareira, com a vantagem de que se pode cozinhar em cima, unindo o útil ao muito agradável.

Há muito tempo atrás, minha mãe conta, custumava nevar regularmente e, diz ela, também tínhamos quatro estações no ano, bem definidas.

Embora atualmente, fazendo inverno em pleno verão e vice-versa, ainda neve na Serra, o que subsiste bravamente em boa parte do estado é o Vento Minuano. Cruel, atravessa as vestes do gaúcho como verdadeira faca feita unicamente de frio, fazendo com que a sensação térmica diminua em alguns graus a temperatura dos termômetros.

Por isso, nas épocas mais frias do ano instituiu-se o hábito de lagartear, ou seja, o hábito de imitar o lagarto, animal de sangue frio que costuma ficar ao sol para aquecer-se. Aqui nessas bandas é comum, quase obrigatório, dizer-se a alguém que esteja aquentando-se ao sol: "Lagarteando, hein!?".

Em Santa Maria, cidade de aproximadamente 300.000 habitantes situada bem no centro do Rio Grande do Sul, com o final da Serra ao norte e o início do Pampa ao sul, não poderia ser diferente. Passeando no Calçadão (centro da cidade) em qualquer manhã de sol do inverno, podemos encontrar vasto grupo de lagarteadores, alguns deles profissionais, estatelados ao sol.

Tal grupo, formado principalmente por aposentados, não é exclusivo dessa categoria, pois qualquer pessoa encontra tempo para lagartear um pouco também. Lado a lado com os lagarteadores mais experientes, há também jovens aprendizes, pessoas comuns e da alta sociedade, gaúchos a caráter ou não. De maneira democrática, conversam sobre a vida política e social da cidade e do país, lêem o jornal, tomam mate, ou simplesmente não fazem nada mesmo.

Também característa peculiar do estado são, obviamente, os gaúchos. Não importanto a hora do dia ou da noite, tampouco onde se esteja, não demora aparece um a caráter. No Rio Grande do Sujl o traje gaúcho, ou pilcha, é considerado traje de gala, equivalente ao smoking. Já ouvi falar de casos de gaúchos que, em outros estados, tentaram entrar pilchados em eventos "high-society" e foram barrados na porta.



A praça central de Santa Maria, ou Praça Saturnino de Britto, depois do Calçadão é o melhor local para lagartear. Reformada há poucos anos, ainda mantém seu coreto e chafariz, tendo sido adicionada uma arena para apresentações públicas, à moda dos teatros romanos antigos. Dispostos ao seu redor ficam o Theatro Treze de Maio, a Casa de Cultura (antigo Fórum Municipal) e o antigo Cine Independência (onde fui ao cinema pela primeira vez, quando assisti ao Mágico de Oz), esse em vias de transformação em shopping popular (sic) pela administração municipal (a outra alternativa seria a demolição). Também na praça central há um busto do poeta Felippe D'Oliveira, um dos expoentes da Semana de Arte Moderna de 1922, esculpido por Brecheret.

Lagartear no centro de Santa Maria é exercitar o lado mais pacato dessa cidade interiorana, com suas peculiaridades, sua calma e suas praças tranqüilas. É esquecendo-se por momentos da violência crescente, dos congestionamentos, do trânsito caótico, das invasões das populações sem-teto e do descaso admnistrativo em relação ao patrimônio público que esquece-se também das diferenças pessoais e sociais. E assim, entre pobres e ricos, velhos e jovens, famosos e anônimos, estabelece-se aqui essa Democracia do Sol, porque em Santa Maria ele nasce mesmo para todos.

aPague-se


(quench yourself)




Formação Acadêmica



Ego e Id (Auto-Retrato)



Penedo


O Segredo da Montanha Carrancuda


Penedo/RJ



Em recente visita ao pacato povoado de Penedo, fundado em 1929 por imigrantes finlandeses chefiados por Toivo Uuskalio, fiquei impressionado com o mau humor constante da imensa montanha que se estende ao fundo de suas casas em estilo finlandês e riachos que entrecortam a região.



Montanha Carrancuda de Penedo


Princípio da Serra da Mantiqueira, durante os dias em que lá estive a "Montanha Mal-Humorada", como a apelidei, freqüentemente se ocultava em pesadas nuvens e muita neblina.

Um dia antes de eu deixá-la, no entanto, se revelou seu mistério. Lentamente uma imensa e pesada nuvem começou a se desprender da montanha:


e não pude deixar de notar que, à sua esquerda, se formava o perfil de um rosto...



Se sentindo observada, a montanha foi lentamente voltando para mim a sua face nebulosa, enchendo-me de fascínio e medo.



E foi então que seu mistério se desvelou para mim: o rosto carrancudo da Montanha deve ser nada mais do que o espírito de Uuskalio, ainda hoje guarnecendo o povoado que ajudou a fundar.

Mesmo com sua cara feia, que assustou-me a princípio, não deixou de manifestar sua alegria em receber visitantes, me fazendo um "tudo jóia?" com sua mão direita, conforme muito bem mostra a foto, que não me deixa mentir.

Mas, apesar das provas fotográficas contundentes, ainda tem gente que jura que é apenas a minha imaginação...

Mafalda




Ela é uma menininha, mas já tem 40 anos (completados no último 29/09).

Criação de Joaquín Lavado, o Quino, é desprezada por seu próprio "pai" desde a mais tenra infância, sendo por ele relegada a segundo plano e considerada "morta" em 1973. Quino ainda não consegue entender o seu sucesso. Em entrevista ao jornal Clarín, declarou: "Se ela ainda é lida como antes, para que continuar desenhando-a? Uma vez me perguntaram se eu não gostaria de ressuscitá-la. Ressuscitar significa que algo está morto".

Apesar do desprezo de seu criador, a menininha continua tão viva quanto sempre na admiração de seus fãs: como não apaixonar-se por essa baixinha de cabeça redonda, revolucionária contestadora que odeia sopa e ao mesmo tempo é profunda questionadora do mundo, seus contrastes e injustiças?

Acompanhada de seus inseparáveis amigos — cada um com características mui peculiares representando, de certa forma, alguns tipos que formam nossa sociedade — Mafalda passeia por temas nada infantis como filosofia e política.

Manolo, menino de baixo nível sócio-cultural e de burrice folclórica, trabalha desde a tenra infância no armazém de seu pai. Dotado de um faro comercial "apurado" aliado a um capitalismo ferrenho — seu sonho é montar sua própria rede de armazéns, a Manolo's — é uma "sutil" crítica aos workaholics capitalistas, mais interessados em ganhar dinheiro do que adquirir alguma cultura e apreciar as belezas da vida.

Já Suzanita, de classe social mais elevada, é extremamente fofoqueira, egoísta e maldosa, sem papas na língua no que se refere a magoar seus amigos e pisotear os menos afortunados. Seu projeto de vida consiste em casar na igreja, com véu e grinalda, ter muitos filhos e ser dona-de-casa. Quem nunca conheceu alguém assim?

Por outro lado, temos o Miguelito, de pureza, doçura e ingenuidade únicas. De auto-estima extremada e dado a associações e conclusões nada convencionais sobre as coisas, esse gorduchinho de cabelos de alface é um encanto!



Amiga mais recente, Liberdade é uma criança diminuta, filha de pais recém-formados que lutam arduamente para sobreviver e pagar as prestações do apartamento: sua mãe é tradutora de francês e não se sabe ao certo em que seu pai trabalha. Segundo ela, ele sempre diz "não sei o que estou fazendo lá, naquele empreguinho de coisa nenhuma". Filha clássica de estudantes político-revolucionários, ela gosta de gente simples, indo ao extremo no que se refere a isso. Nos diálogos entre Liberdade e Suzanita percebe-se, de maneira mais ou menos sutil, o conflito entre a classe desfavorecida, que luta para sobreviver, e a classe mais rica.

Filipe é o mais problemático de todos. Extremamente neurótico, vive em conflitos entre o dever e o querer. Sua vida é um dilema constante e seu maior drama, além de ser apaixonado por uma menina mais velha para quem não tem coragem para se declarar, é conseguir decidir o que será quando crescer.

Por último, Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda apaixonado por Brigitte Bardot, é uma figura. Seguindo de perto os passos revolucionários da irmã, já formula suas próprias dúvidas filosóficas, à sua maneira.

Quino foi bastante feliz na criação desses personagens, assim como na escolha das suas características psicológicas e sociais. Rir de uma tirinha da Mafalda é como rir de nós mesmos e as críticas que essa menina fazia nas décadas de 60 e 70 ainda são extremamente atuais.

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