Categoria: Atualidades

Fotografia digital não é fotografia


Elementar: foto-grafia, escrita da luz.

Aqueles que “batem” fotos utilizam muito a expressão fotografia analógica... As pessoas inventam cada coisa, não é?! Primeiro, não entendo o porquê de tanto ódio, dessa necessidade de ficar batendo na foto como se ela tivesse feito alguma coisa de ruim. Segundo... o que exatamente quer dizer “analógico”?

Analógico vem de analogia, ou seja, é algo que apresenta relação ou semelhança entre coisas ou fatos. Considerar uma fotografia como sendo analógica, portanto, é retroceder ao pensamento positivista disseminado no século XIX que considerava a fotografia como “cópia exata, reprodução fiel da realidade”. Ou seja, quem diz “fotografia analógica” está dizendo de maneira implícita que a fotografia é algo meramente científico, jamais sendo fruto de criação e/ou interpretação por parte do agente por trás da câmera.

Dessa forma, dizer “fotografia analógica” é o mesmo que chamar o fotógrafo de macaco, ou seja, de mero apertador de botões. Não que estes não existam, mas na parte que me toca, acredito (ou prefiro acreditar) que faço bastante proveito dos 3% de carga genética que me diferenciam de um chimpanzé. Portanto, se você diz “fotografia analógica” saiba que o macaco, na verdade, é você.

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Senhores Pichadores


"Qual a sua opinião sobre pichações?" foi a única pergunta feita a trabalhadores, comerciantes, moradores e transeuntes de uma determinada rua de São Paulo.

Algumas de suas respostas estão nesse vídeo.

Site Atualizado



O web-site principal OleSchmitt.com.br foi atualizado.

A navegação agora está bem mais simples e, além de diversas séries fotográficas inéditas, há novos filmes e animações.

Acesse www.oleschmitt.com.br</a> ou clique no botão "arte" na barra de navegação preta bem no topo dessa página.

O Gaúcho que Não Comia Porco



R.I.P.


Deu-se que não comia porco. Nem puchero, nem morcilha, nem cabeça, nem torresmo. Em suma, não comia nada daquilo que fazia um gaúcho verdadeiramente gaúcho, macho fodedor de tendências zoófilas — e de toda gaúcha uma fêmea intimamente resignada, submissa ao seu provedor.

Mas não era o fato em si de não comer porco que os agredia. Antes, era simplesmente a ausência de algum motivo plausível: se não pudesse fazê-lo devido a doença gravíssima, vá lá. Transformar-se-ia inclusive numa espécie de mártir da tradição, impedido unicamente pela própria vida em risco — não seria simplesmente por vontade de não comer: “Querer até que queria, coitado, mas não podia”, diriam eles entre si, mas somente na sua ausência e com aquele ar falsamente consternado de quem vislumbra o doce sofrimento alheio. Se viesse a morrer por intoxicação, então, mais do que mártir seria herói, sua história contada e recontada ao longo das gerações. “Aquilo sim que era gaúcho”, diriam com olhar sonhador e sem disfarçar uma pontinha de inveja...

Se quisesse, mas não pudesse, então esse fato inexplicável estaria enfim explicado. Mas não possuía úlcera gástrica ou triglicerídios nas nuvens ou ameaça iminente de infarto nem herpes que fosse para justificar sua falta. Nadinha de nada.

Dava-se unicamente o absurdo de não comer porco, e por isso era visto como alguma espécie de extraterrestre aterrisado de algum planeta mui longínquo e exótico, do qual a gente só sabe a existência de ouvir falar ou através da TV. Um planeta habitado unicamente por homossexuais não-comedores-de-porco. Um planeta de maricas não-pujantes e que, pelo andar da carroça, tudo levava a crer que também não arrotavam ou peidavam em público, não expeliam cuspe ao coçar o saco, não seguravam os ossos com as mãos e não utilizavam palitos de dentes nem mesmo em privado.

Um gaúcho que não comia porco, eis aqui uma história digna de se contar. Ver esse sujeito mesmo com meus próprios olhos, nunca vi. Mas quem viu e me contou jura que isso é verdade. Um verdadeiro absurdo, como se pode perceber.

Lá e Cá III



Retratos Portugueses - 50x75cm


16 imagens da série Retratos Portugueses foram selecionadas para a exposição coletiva Lá e Cá III, cujo tema esse ano é Identidades e, com curadoria de João Kulcsár, acontecerá no Instituto Camões - Embaixada de Portugal (Brasília/DF).

Essa coletiva, assim como nas demais edições, busca promover a integração Brasil/Portugal através da fotografia, contando com imagens produzidas por fotógrafos portugueses (lá) e brasileiros (cá).

Em datas a serem definidas, a exposição virá "cá" para São Paulo, depois irá para "lá", digo, Lisboa e Porto, Portugal.

Esticadas



Cher


Ultimamente as pessoas têm andado mais esticadas: cirurgia plástica, botox, lipoescultura... é um tal de corta, estica e costura sem fim.

Tenho uma velha tia que já foi tão esticada, mas tão esticada, que quando você acha que ela está sorrindo está na verdade com cãibra no dedão do pé. E quando ela diz “jóia” com o dedão da mão direita o dedo do meio da mão esquerda faz um gesto obsceno. É por isso que ela só faz “jóia” com a mão esquerda no bolso e a ponta do pé esticada.

Se todas as suas operações para levantamento dos seios tivessem sido feitas de uma única vez, chegaríamos à alarmante conclusão de que eles acabariam parando nas omoplatas. A sorte da senhora — de tetas perfeitas — é ter idade suficiente para ter distribuído todas essas cirurgias ao longo dos anos.

E quando você observa o quadril escultural e a barriguinha perfeita, até esquece que ela mandou retirar quatro costelas dali. É nesse ponto que a expressão “corpo escultural” acaba sinistramente adquirindo outro sentido e pergunta-se: até que ponto?

É claro que isso tudo custa muito dinheiro, mas o constante crescimento do mercado da escultura humana, ou body sculpturing, tem aumentado a concorrência, o que deixa a realização do sonho de um corpo perfeito cada dia mais ao alcance de todos.

A clínica Shrinking & Stretching, de Oxford, nos Estados Unidos, oferece planos de consórcio pelos quais, se você encomenda um nariz Leonardo di Caprio, por exemplo, leva de brinde a barriguinha “Vin Diesel” ou o bumbunzinho “Brad Pitt”.

Para transexuais, na seção Barbie Girl do catálogo da clínica, há desde a legítima Barbie, até modelos como Britney Spears e Cristina Aguillera, de longe as preferidas do público purpurinado. Já outra seção apresenta exotismos, indo de Roberta Close a Rita Cadillac, nas versões cut e uncut (com ou sem cortes).

Nesses planos de consórcio você oferece como garantia a hipoteca do seu próprio corpo, o que não é mais nenhuma novidade nessa época em que praticamente se pode hipotecar qualquer coisa. Isso dá à seguradora no caso do não pagamento das prestações, dentre outros direitos, o de remoção e substituição do produto.

Houve o caso de uma senhora de Atlanta que teve que devolver o seu bumbum Madonna Super XL novinho e aceitar como substituição o modelo Marlon Brando 2000. Mesmo sendo um Marlon legítimo, a cliente tentou apelar na justiça dizendo que o produto era de segunda mão e estava muito usado, mas não obteve sucesso. Ela também entrou com ação por danos morais depois da divulgação do caso em rede nacional, já que após esse fato ela passou a ficar conhecida como Mrs. Buttlanta ou, em português, Srª “Bundatlanta”.

Situações como essa nos mostram que, apesar da crescente popularização da cirurgia plástica, o body sculpturing como método para alcançar o corpo perfeito mostra-se faca de dois gumes... o que no final não faz muita diferença mesmo, desde que a faca corte no lugar certo. E para quem ainda se pergunta até onde chegaremos, digo que será no máximo ao ponto de sutura. Isso ou o seu bumbum todinho de volta.

Ginecorrevolta



Picasso - Mulheres Correndo na Praia (1932)

Estive pensando e cheguei à conclusão de que praticamente todos os aborrecimentos, meus e das pessoas que conheço, têm o mesmo ponto de origem: uma mulher.

Não, não se trata da mesma mulher, tampouco isso é declaração de amor às avessas, à la Vinícius de Morais, que fique bem claro.

Todas as chateações que tive no último ano e meio de faculdade tiveram como origem três mulheres distintas, uma em cada semestre. Praticamente todas as pessoas que agiram de maneira desprezível comigo nos últimos cinco anos eram mulheres. Os homens que por ventura me aborreceram eram, na sua imensa maioria, homossexuais, portanto fico sem saber como classificá-los.

Sim, sei que pode estar soando bastante machista e preconceituoso mas acredite, é a mais pura verdade. Conversei com diversas pessoas de ambos os sexos sobre esse assunto, na esperança de que alguém conseguisse me trazer argumento — um único que fosse — desmontando minha teoria, mas todos concordaram de que uma mulher sempre estava por trás de seus aborrecimentos. Eu gostaria de não estar certo, talvez até mesmo não esteja, mas não consigo encontrar nada negando meu pensamento.

O que afinal estará acontecendo com as mulheres? O que lhes falta? Por que essa sandice descontrolada?

Terá sido assim desde sempre? A origem estaria em Eva?

Será que depois de tantos milênios de repressão as mulheres agora não sabem o que fazer com essa (relativa) liberdade recém conquistada e por isso resolveram jogar seus filhos através das janelas?

Todo aquele dourado nas vitrines será para disfarçar algum tipo de escuridão interiorizada?

Não sei... não consigo responder a nada disso, mas cheguei à conclusão de que as mulheres não estão tentando controlar o mundo — e, cá entre nós, jamais conseguiriam mesmo dessa maneira. Estão, isto sim, tentando nos enlouquecer. E estão conseguindo.

Sinal dos Tempos: 4 anos



Albrecht Dürer - Os 4 Cavaleiros do Apocalipse


Num mundo onde cada vez mais se percebe uma generalizada falta de leitmotiv, de ausência de caráter, a selvageria do individualismo desenfreado afetando todo o coletivo, inclusive as pessoas praticantes dessas atitudes, há quatro anos nascia o Sinal dos Tempos Blog. Com logo exibindo uma bomba atômica, escrito por um cara utilizando máscara química, o Blog nunca teve intenção de ser oásis em meio a esse deserto.

Portanto, antes de comemorar os cerca de 200 visitas e 2500 hits diários — isso num ambiente sem fadinhas ou borboletinhas esvoaçantes —, é importante que se mantenha vivo o propósito desse espaço.

Gostaria de ter associado o número de aniversários com as estações do ano, se estas ainda existissem, ou quiçá com os pontos cardeais, se a humanidade não tivesse perdido seu norte há muito tempo. Até os néscios percebem que o mundo está mudando e por muitas vezes é inevitável adotar certo tom apocalíptico: são quatro anos e eram quatro cavaleiros, sinalizando a conquista, o extermínio, a fome e a morte.

Nada disso chega a ser novidade depois da eliminação de 6 milhões de judeus, mas a questão é: tudo isso AINDA continua acontecendo — as coisas mudam e os cavaleiros da visão do apóstolo vão se adaptando aos novos tempos.

Cavalo Branco – A Conquista
Tibete
E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.
Apocalipse: 6-1,2
Cavalo Vermelho – A Guerra
Iraque
E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
Apocalipse: 6-3,4
Cavalo Negro – A Fome
Sudão
E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.
Apocalipse: 6-5,6
Cavalo Amarelo – A Morte
China
E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.
Apocalipse: 6-7,8

Isso são apenas pequenas amostras. Escolhidas a dedo, é claro. Porém, não seria difícil reduzir esse universo unicamente a um continente, qualquer que fosse. Ou reduzir ao nosso país, nossa cidade, nosso bairro. Talvez não fosse necessário muito esforço para encontrar esses quatro sinais unicamente dentro do próprio prédio onde se vive.

Faz quatro anos e eu gostaria de comemorar, mas bem na esquina da minha casa uma dezena de pessoas passa as noites ao relento.

Falta de Vergonha na Cara!



Esra Ersen - 27ª Bienal de São Paulo
Foto: Olegario Schmitt



Não se iluda: no arco da nossa porta verde-amarela, nem Gonçalves Dias, nem Bilac, mas Dante, Canto III do Inferno: “Deixai toda a esperança, vós que entrais”.

O Brasil não tem jeito. A realidade é esta. Aceitemo-na tal qual ela é: dura, fria, amorfa como os corpos do mais novo acidente aéreo.

O que fazemos quando um político investigado por corrupção toma posse? NADA. O que fazemos quando acontece mais um acidente aéreo? Continuamos tomando vôos no mesmo aeroporto e, assim como o presidente, manifestamos comiserações de alcova.

Todos sabem que nada acontecerá, porque nada acontece mesmo. E não acontece porque ninguém faz nada: nem você. Não acontece porque ninguém está nem aí: reclamamos e paramos em mão-dupla, devolvemos carteiras perdidas e jogamos lixo no chão. Tudo não passa de uma grande festa! Ôba! Ôba! Rouba! Rouba!

A grande maioria que estufa o peito e diz que o Brasil tem jeito está na verdade confundida: isto que chamam esperança não é nada mais do que ilusão. Portanto, abandonar toda a esperança já é um bom começo — o ceticismo niilista pode ser obscuro, desesperador e tristíssimo, mas certamente não é iludido.

Ilusão parece ser a droga do século, tomamos o tempo todo. Nos iludimos quando votamos pensando que “este sim será honesto”; nos iludimos quando pensamos que algo acontecerá aos corruptos quando nesse país as leis são criadas unicamente para o povo (e olhe lá). Ou você pensa ingenuamente que aqueles que criam as leis incluir-se-iam a si mesmos dentro delas?

Pois estou farto desse zum-zum-zum, dessa ladainha que não é nada mais do que simplesmente isto: ladainha. Estou cheio dessa população de carpideiras descontentes, frouxas e vis que, enquanto choram, espiam por baixo dos lenços.

Não temos líderes porque somos todos corruptos. Aquele mesmo senhor honesto que devolve a carteira com milhares de dólares também atravessa fora da faixa, joga lixo no chão e reclama quando a cidade alaga. Somos corrompidos no mais íntimo da nossa brasilidade: um povo torpe. Não fazemos nada porque somos desunidos e nos falta vergonha na cara, nessa nossa linda cara brasileira.

Aliás, nem sei do que estou reclamando, afinal, isso aqui não é a França!

Pois que sejam bem-vindos aqueles que chegam à Colónia. E abandonai toda a esperança, vós que entrais...

Meu Herói?



José Roberto Arruda, Governador do DF - Foto: Alan Marques



Jamais pensei que, em algum ponto da vida, chegasse ao ponto de dizer isso: esse homem hoje foi meu herói.

Leia abaixo a reportagem da Redação Terra:

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, "demitiu", em decreto publicado nesta segunda-feira no Diário Oficial do Distrito Federal, "o gerúndio de todos os órgãos do Governo Federal". O gerúndio é uma forma nominal do verbo, invariável, terminada em "ndo", normalmente usada para expressar sentido de continuidade, por exemplo, estamos "providenciando". De acordo com o decreto de Arruda, o uso do "gerúndio para desculpa de ineficiência" está proibido a partir desta segunda nos órgãos do governo.

É, toda moeda tem dois lados mesmo. E quem rir por último, certamente estará rindo melhor...

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